Cristiano Ronaldo não apareceu na ficha de jogo do Al‑Nassr para o encontro frente ao Al‑Ittihad, num episódio que marca a segunda ausência consecutiva do capitão nas listas oficiais da equipa. A omissão intensificou a atenção mediática sobre um alegado descontentamento do internacional português com a gestão do clube, num momento em que o projeto do Al‑Nassr continua a ser observado ao mais alto nível.
Nas horas que antecederam a partida, a situação ganhou contornos institucionais: o treinador Jorge Jesus voltou a não comparecer na conferência de imprensa pré‑jogo e foi alvo de uma multa, cuja ordem de grandeza foi noticiada em cerca de €11 mil. A conjugação destas ausências — técnico e jogador — alimentou especulações sobre uma eventual rutura interna mais ampla.
O contexto imediato
O episódio surgiu no boletim oficial do jogo, documento que formaliza convocados e ausências. A repetição da omissão do nome de Ronaldo em duas partidas consecutivas colocou a situação sob escrutínio, tanto local como internacional.
O encontro, treinado por Sérgio Conceição do lado do adversário, contou com figuras como Danilo Pereira e Roger Fernandes no plantel do Al‑Ittihad, o que acrescentou interesse competitivo à leitura mediática do caso.
A posição do jogador
Apesar da ausência da ficha de jogo, Cristiano Ronaldo partilhou nas redes sociais uma imagem a treinar no relvado no dia em que completou 41 anos, acompanhada por dois corações nas cores do clube. Esse gesto público mantém a sua presença mediática e sugere que o jogador tem continuado a trabalhar com a equipa.
A publicação não esclareceu motivos formais da omissão na lista de convocados, deixando espaço para interpretações e exigindo uma clarificação oficial por parte do clube.
Sanções e faltas de comparência
O treinador Jorge Jesus foi multado após não comparecer a uma conferência de imprensa pré‑jogo, com a imprensa a referir um montante na ordem dos €11 mil. Fontes oficiais alertaram para sanções adicionais em caso de reincidência.
Estas medidas disciplinares acrescentam um elemento de tensão no relacionamento entre a equipa técnica, o clube e a liga, e são interpretadas por alguns observadores como sinal de uma quebra de disciplina institucional.
A resposta da Saudi Pro League
A liga saudita emitiu uma nota pública na qual sublinhou que “nenhum indivíduo, por mais significativo que seja, determina as decisões para lá do seu próprio clube”. O comunicado procurou dissociar a entidade reguladora das escolhas internas dos clubes.
A Saudi Pro League realçou ainda o compromisso de Ronaldo com o Al‑Nassr desde a sua chegada, acrescentando que o jogador “quer ganhar” como qualquer outro competidor, e recordou o enquadramento institucional do campeonato.
Estrutura e autonomia dos clubes
No seu esclarecimento, a liga explicou que os clubes operam de forma independente sob as mesmas regras, com direções e lideranças responsáveis por decisões de contratações, gastos e estratégia.
A nota enfatizou um objetivo de sustentabilidade e equilíbrio competitivo e referiu que, entre as 18 equipas, apenas quatro beneficiam de participação maioritária do Fundo de Investimento Público (PIF), um elemento frequentemente citado nas análises às diferenças estratégicas entre equipas.
Dimensão financeira e comparações
Dados divulgados apontam para um investimento do Al‑Nassr da ordem dos €409 milhões em contratações desde a chegada de Cristiano Ronaldo. Por comparação, o Al‑Hilal foi noticiado como tendo gasto cerca de €694 milhões no mesmo período.
Estas diferenças têm alimentado debate sobre abordagens distintas no mercado e sobre as expectativas de um jogador com elevado peso salarial e visibilidade internacional.
Transferências e dinâmicas do mercado
A chegada de Karim Benzema ao Al‑Hilal, após uma desavença com o Al‑Ittihad, foi interpretada por diversas redações como um sinal de ambição e capacidade financeira de outros clubes do campeonato.
O mercado saudita tem mostrado movimentos de grande relevo, que contribuem para a perceção de tratamentos diferenciados entre rivais e alimentam as fricções internas quando os resultados imediatos não correspondem às expetativas.
Mudanças na estrutura do Al‑Nassr
O jornal A Bola e outros órgãos têm referido a alegada diminuição de funções de dois dirigentes próximos de Cristiano: Simão Coutinho, diretor‑desportivo, e José Semedo, CEO. Ambos chegaram ao clube na última reconfiguração do plantel e da administração.
Alterações na direção e na gestão desportiva são apontadas como causas potenciais de insatisfação, na medida em que alteram canais de decisão próximos do jogador e a sua perceção de influência interna.
Salários, expectativas e influência
Os órgãos de comunicação destacaram o peso do contrato de Ronaldo — vários relatos apontam para um vencimento anual superior a €200 milhões — e a expectativa de que um jogador desse calibre veja o plantel reforçado de acordo com ambições desportivas correspondentes.
A perceção de um investimento insuficiente ou de políticas de mercado distintas perante rivais com grande capacidade económica tem sido um dos fatores invocados nos relatos sobre o descontentamento.
Impacto desportivo e calendário
Do ponto de vista desportivo, a ausência na ficha de jogo tem implicações concretas. Com o próximo compromisso do Al‑Nassr marcado para 11 de fevereiro, na Liga dos Campeões 2, Ronaldo ficará perto de registar um período de quase duas semanas sem competir em jogos oficiais.
O intervalo ocorre a quatro meses do início do Mundial e coloca desafios à preparação do conjunto para a reta final do campeonato e para as competições continentais, exigindo decisões claras sobre utilização e gestão do jogador.
Reações dos adeptos e enquadramento político
No Estádio, parte dos adeptos mostrou apoio ao capitão: surgiram cartazes com o número 7, símbolo associado a Ronaldo, interpretados como expressão de solidariedade perante a sua ausência formal da lista de convocados.
Além disso, a visibilidade internacional do jogador e os laços pessoais com figuras de relevo do reino — frequentemente referidos em reportagens que citam encontros com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e outras personalidades — adicionam uma componente política e simbólica a este episódio.
Perspetivas e próximos passos
Até que ponto a ausência de Cristiano Ronaldo na ficha de jogo será um episódio pontual ou o sinal de um conflito mais prolongado só o tempo e comunicações oficiais o dirão. Por agora, os factos verificáveis incluem as duas partidas consecutivas sem o nome do capitão, a presença mediática do jogador, a nota pública da liga e a multa aplicada a Jorge Jesus.
O acompanhamento jornalístico nos próximos dias centrar‑se‑á nas declarações oficiais do Al‑Nassr, nas intervenções dos protagonistas diretos — jogador, treinador e dirigentes — e na evolução das escolhas desportivas que o clube adoptará em competições internas e continentais.