O palco está montado nos Açores para um confronto que promete ser de grande intensidade entre Santa Clara e Rio Ave, a contar para a 29.ª jornada do campeonato. Sotiris Silaidopoulos, técnico dos vila-condenses, antevê um encontro “muito difícil, frente a uma equipa agressiva”
e que se mostra “sempre complicada de bater na própria casa”
. O helénico, contudo, acredita no potencial da sua equipa: “São jovens e jogam com vontade, são bons a atacar os espaços, pois são muito rápidos. Mas é um jogo que nos vai obrigar a ser tanto taticamente coesos como mentalmente muito fortes. É um jogo onde as duas equipas têm muito pelo que estarem motivadas para vencer”
, sublinhou o treinador. Esta partida assume especial importância após a derrota do Rio Ave com o Alverca, um resultado que “não esperávamos ter e sinto que, de alguma forma, traímos os nossos próprios valores, especialmente na primeira parte”
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Silaidopoulos reconhece que “ao analisar o jogo, consegui perceber que não começámos tão bem como devíamos, sofremos o golo e não estivemos com o nosso padrão. Mas ressalvo a reação após o intervalo, lutámos e tentámos vencer. Tivemos boas oportunidades para empatar e até para vencer. Se marcássemos, a história seria diferente. Temos de ter estabilidade para ter bons resultados e temos de manter os parâmetros que criámos nos últimos meses. Precisamos de ter mais eficiência”
. O técnico do Rio Ave aponta ainda as áreas onde a sua equipa terá de ser mais eficaz frente ao Santa Clara: “São muito agressivos e defendem bem. O Santa Clara está sempre à espera de ganhar a bola e sair no contra-ataque, portanto não podemos entregar-lhes a bola de mão beijada, temos de controlar as transições. Temos de ser muito posicionais a atacar e, claro, ter em atenção as bolas paradas, porque aí o Santa Clara é muito perigoso. Estamos a criar muito dentro do jogo, acho que marcámos há quatro jogos consecutivos. Portanto, temos de faturar e corrigir os aspetos menos bons da primeira parte com o Alverca”
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Do lado dos açorianos, Petit, técnico do Santa Clara, quer ver a frustração sentida pela derrota (2-3) frente ao Sporting em Alvalade convertida em motivação para o embate com o Rio Ave. “Senti frustração. Nós não podemos controlar aquilo que se passa no jogo, podemos apenas controlar aquilo que são os nossos comportamentos. E senti no final de jogo a equipa frustrada, pelo jogo que fez, por aquilo que criou, por aquilo que marcou, e acho que poderíamos ter saído... - não tirando o mérito da vitória do Sporting, é claro -, mas é o que eles disseram e essa frustração tem de ser passada para o próximo jogo, para obter aquilo que nós não conseguimos, os três pontos”
, revelou o treinador. Petit desvaloriza a diferença pontual entre as equipas, defendendo que “o próximo é sempre o mais importante. As duas equipas têm um registo, nos últimos seis jogos, muito idênticos, naquilo que têm sido os resultados. Sabemos que estão com 30 pontos, que é um jogo importante para nós, jogamos na nossa casa e queremos voltar às vitórias. Sabemos também que o Rio Ave, das sete vitórias que tem, quatro são fora do seu estádio. Vamos esperar um adversário difícil, mas com a mesma identidade, o mesmo compromisso e a mesma qualidade que temos apresentado nos últimos jogos”
. Sobre a possível titularidade de Gonçalo Paciência, que bisou frente ao Sporting, Petit é cauteloso: “O Gonçalo [Paciência] é um jogador que teve um período sem jogar e que tem vindo a trabalhar. É claro que nós sabemos da qualidade dele, do que nos pode dar, mas ainda não consegue fazer os 90 minutos. É um jogador diferente dos que temos aqui, tanto do Elias [Manoel] como do Fernando. Mas ele entrou bem no jogo, conseguiu criar oportunidades, fazer golos, mas o Fernando também fez um grande trabalho ao longo dos minutos que esteve em campo, porque trabalhou, lutou, criou espaço para os outros tentarem criar essas oportunidades. Por isso, amanhã o jogador que jogar vai dar uma boa resposta, e aquele que possa entrar também no decorrer do jogo, possa também fazer o que também o Gonçalo [Paciência] fez”
. Sotiris Silaidopoulos reforça ainda a importância da permanência: “Sei que se costuma dizer que com 35 pontos estamos safos, disse isso várias vezes também. Mas vamos jogo a jogo, semana a semana e, depois, vemos quantos tempos. O importante é conseguir a permanência o mais rapidamente possível. Em cerca de oito meses aqui, percebi que não há jogos fáceis em Portugal, portanto é importante manter o foco”
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