Carlos Godinho analisa Mundial 2026 e percurso de Portugal

  1. Carlos Godinho deixou a FPF em 2024
  2. Mundial 2026 nos EUA, Canadá e México
  3. Portugal no Grupo K do Mundial 2026
  4. Cristiano Ronaldo prepara 6º Mundial

Carlos Godinho, figura incontornável da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) durante cinco décadas, desde 1974 até à sua retirada em 2024, partilhou as suas perspetivas sobre o próximo Campeonato do Mundo de 2026 e a evolução da seleção nacional. Numa entrevista à agência Lusa, Godinho abordou a complexidade do torneio que se avizinha e a preparação necessária para os desafios que a seleção das quinas irá enfrentar. O Mundial de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, apresenta particularidades que, segundo o antigo team manager, poderão influenciar o desempenho das equipas. “O Mundial será difícil, pelos jogos, mas também pelo cansaço com que se vão apresentar. A mudança continental é uma desvantagem, como será para outros países em outros continentes. As equipas mais poderosas têm jogadores nas grandes competições de clubes e chegam lá fatigados, a que se juntam viagens longas, mudança de horários e clima, que influenciam o rendimento. É preciso ter cuidado a preparar, é muito mais difícil jogar nos Estados Unidos do que na Alemanha”, afirmou Godinho, destacando a necessidade de uma gestão cuidadosa por parte da equipa técnica.

Apesar de reconhecer a qualidade e experiência dos jogadores portugueses, Godinho adverte contra rótulos de favoritismo, salientando que o percurso até ao título mundial depende de múltiplos fatores. “Somos um país pequeno, com dificuldades, mas temos grandes jogadores e treinadores e um dia vai acontecer. Portugal tem condições para, mas depende de muitos fatores, que influenciam o rendimento. Vamos ver a abordagem aos primeiros jogos e ver se com o decorrer da competição nos tornamos favoritos. É um Mundial difícil e os pequenos detalhes vão definir o vencedor”, explicou. O antigo dirigente enfatizou também a importância do primeiro jogo, sem o considerar decisivo, relembrando exemplos passados. “O primeiro jogo é sempre muito importante. Em 2002 perdemos com os Estados Unidos no primeiro jogo e foi difícil. Já em 2006 ganhámos a Angola, mas tem impacto o primeiro jogo, pois pode ser criada uma dinâmica de vitória. Tudo depende do estado de espírito, cansaço e mentalidade, mas estou convicto que com os jogadores e capacidade organizativa podemos chegar lá, mas dizer que vamos ganhar é prematuro”, concluiu. Godinho relembrou ainda a caminhada de Portugal no Euro2016, onde a equipa não venceu qualquer jogo na fase de grupos, mas acabou por se sagrar campeã, ilustrando que o desfecho de um torneio pode ser imprevisível. O percurso de Cristiano Ronaldo na seleção, que aos 41 anos se prepara para o seu sexto Mundial, foi outro dos pontos abordados. Godinho, que acompanhou o madeirense desde o seu início, partilhou a sua visão sobre a evolução do capitão e a sua capacidade de assimilar ensinamentos. “Não foi difícil trabalhar com o Cristiano. O Ronaldo apareceu com 18 anos a jogar com o Cazaquistão, em Chaves, mas tinha um conjunto de jogadores como o Fernando Couto, Figo e Rui Costa, entre outros, que o ajudaram muito a perceber a dimensão do local onde estava”, revelou. O percurso de Ronaldo demonstra a sua determinação e a influência positiva dos jogadores mais experientes. “Já era extraordinário com aquela idade, mas colheu muito do que aprendeu com os mais velhos. Até me lembro de o chamarem à atenção para pequenos atos e gestos e ele assimilou rapidamente a mentalidade ganhadora. Ele caiu num grupo de jogadores experientes e com grande valor”, sublinhou Godinho. O desejo de ver Cristiano Ronaldo erguer o troféu mundial é patente no discurso do ex-dirigente, embora com um alerta para os desafios inerentes.

No que toca às alegadas influências de clubes e agentes nas convocatórias, Godinho desmistifica muitas das especulações. “Existe sempre algum poder, quer dos clubes quer dos agentes, para ter os seus atletas nas fases finais, porque daí também vêm melhores condições financeiras. Nestas convocatórias para o Mundial2026 sentiu-se isso, alguns clubes a incitarem para convocarem alguns jogadores, mas isso é normal e não traz mal ao mundo”, explicou, contextualizando o interesse legítimo dos clubes e agentes. Contudo, Godinho é categórico ao separar este interesse da influência direta nas decisões dos selecionadores. “Agora, dizer que um empresário diz a selecionador para convocar o A, B ou C, não acredito e nunca vi na seleção nacional. Os jogadores são convocados por um selecionador que quer ganhar, e não acredito que um selecionador vá convocar jogadores com menos qualidade para fazer um favor, isso para mim não existe”, afirmou, reforçando a integridade do processo de seleção dos jogadores. Portugal, inserido no Grupo K do Mundial de 2026, terá a sua estreia no dia 17 de junho frente à República Democrática do Congo, em Houston, seguindo-se os confrontos com o Uzbequistão (23 de junho) e a Colômbia (27 de junho). A longa e dedicada carreira de Carlos Godinho na FPF, iniciada no desenvolvimento das seleções de formação em 1984, culminou num reconhecimento pela sua contribuição para o futebol português, com participações consistentemente em fases finais de Europeus e Mundiais, e a conquista do Euro2016 como um dos marcos mais significativos. Godinho destacou a conquista do Euro2016 como o “momento mais importante das seleções nacionais”.

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