Sotiris Silaidopoulos, o treinador grego do Rio Ave, está a adaptar-se rapidamente à vida em Vila do Conde e ao desafio de liderar a equipa portuguesa. Apesar das barreiras linguísticas iniciais, o técnico fez uma promessa ambiciosa: “Daqui a uns meses, vou dar entrevistas em português.” Esta declaração reflete a sua dedicação em integrar-se plenamente na cultura do futebol português. Fora dos relvados, Silaidopoulos encontra refúgio nas caminhadas à beira-mar, descrevendo-as como uma forma de meditação que o ajuda a desligar-se da exigência do seu trabalho. “Adoro caminhar, considero que é como uma meditação. Viver aqui, numa cidade linda, onde nos podemos ligar à natureza, ajuda-me a fazer estas longas caminhadas e a desligar”, confidenciou na rubrica Homem do Leme, da Liga TV, demonstrando como equilibra a vida profissional com o bem-estar pessoal.
No que diz respeito à sua metodologia enquanto treinador, Silaidopoulos enfatiza uma abordagem que combina rigor tático com uma profunda compreensão da condição humana dos seus atletas. “Existem alguns fatores básicos a que prestamos atenção, como o modelo de jogo e as melhorias que queremos implementar. Depois, o momento da época, o adversário e, o mais importante para mim, a condição dos jogadores, não apenas física, mas também mental”, explicou, detalhando a complexidade do microciclo de treinos. Para Silaidopoulos, o crescimento contínuo, tanto seu quanto dos jogadores, é uma obsessão. “Gosto de criar um ambiente de aprendizagem, em que os jogadores possam crescer e expressar-se da melhor forma possível. Em termos de gestão de pessoas, sou muito honesto, exigente e tenho uma abordagem muito humana”, descreveu, sublinhando a importância da empatia na sua liderança. Ele reconhece a pressão inerente ao futebol, mas mantém-se fiel aos seus princípios: “O sucesso e o fracasso fazem parte do processo e não nos podem definir.”
A busca por conhecimento leva Silaidopoulos a inspirar-se tanto dentro quanto fora do mundo do futebol. Entre as suas recomendações literárias estão obras que abordam a liderança e a gestão da pressão, como o “Quiet Leadership”, de Carlo Ancelotti. “Eu recomendaria Quiet Leadership, de Carlo Ancelotti. É um livro muito interessante para todos os que estão na indústria do desporto. Também o Open, de Andre Agassi, é magnífico para entender como lidar com a pressão”, contou. A capacidade de “roubar” as melhores qualidades de grandes nomes do futebol também faz parte da sua filosofia. “Acho que todos nós somos um bocadinho ladrões: tentamos tirar a melhor parte de cada um deles. Carlo Ancelotti é um grande mestre na gestão de pessoas, José Mourinho é uma grande personalidade, não há palavras para descrever o génio tático de Pep Guardiola, ou o fogo e a paixão que Klopp transmite. Tentamos absorver um pouco de todos, mas, no fim de contas, temos de ser nós mesmos.” No final, a palavra preferida de Silaidopoulos em português, “Obrigado”, resume a sua gratidão por um percurso já coroado de sucesso, incluindo títulos europeus inéditos para um clube grego como treinador. “Foram os primeiros títulos europeus para um clube grego e eu fui o primeiro treinador grego a vencer um título europeu. Pode imaginar que a atmosfera no balneário foi fantástica”, recordou com orgulho.