A seleção nacional deu o pontapé de saída na sua preparação para o Mundial 2026 com um triunfo magro, mas suado, sobre o Chile, por 2-1, no Estádio Nacional, no Jamor. A exibição portuguesa foi agradável e contou com momentos de bom futebol, mas terminou a primeira parte com um toque de ingenuidade que poderia ter custado caro.
Rafael Leão, depois de ter atirado ao poste logo aos 9 minutos e ter sido o melhor elemento da equipa na etapa inicial, viu o seu jogo ser comprometido por uma expulsão desnecessária. Numa disputa que não lhe dizia diretamente respeito, o avançado acabou por desproteger a equipa e ver o cartão vermelho, tal como o chileno Iván Román. Esta 'traição' de Leão, como foi apelidada, poderia ter abalado a equipa, mas a qualidade individual e as alterações táticas na segunda parte acabaram por resolver a partida.
A entrada de Rúben Neves e Gonçalo Guedes mexeu com o xadrez ofensivo de Portugal. Foi precisamente esta dupla que desfez o nulo. Neves assistiu Guedes, que, após render Cristiano Ronaldo, concretizou com frieza a sua entrada em campo com um golo pela equipa das quinas. Mais tarde, Bruno Fernandes, lançado por Francisco Conceição, ampliou a vantagem com um remate certeiro de fora da área. O Chile reduziu já nos descontos, após um lapso defensivo português, mas o resultado final foi 2-1.
Apesar da vitória, Roberto Martínez analisou o jogo de forma crítica, afirmando: (Se o futebol que a seleção apresentou na primeira parte for aquele que vai ser evidenciado no Campeonato do Mundo, é bom ponto de partida. Ficou a faltar apenas a questão de marcar um ou ou outro golo. Já o desligamento na parte final deve ser revisto, uma vez que o jogo demora 90 minutos e não apenas 60.)
Do lado chileno, Nicolás Córdova admitiu a fragilidade da sua equipa: (É certo que o Chile está numa fase de recomeço, mas o que mostrou nesta partida foi muito pouco. Os chilenos dedicaram-se apenas a defender na primeira parte e pouco mais fizeram do que isso na segunda. É preciso mais de uma equipa que já venceu uma Copa América.) O árbitro Luca Zufferli foi elogiado pelo seu trabalho, tendo gerido bem o jogo e tomado a decisão correta nas expulsões.
O Estádio Nacional, no Jamor, foi palco de um teste tático que serviu para Portugal passar com distinção, preparando-se para o próximo desafio contra a Nigéria em Leiria. O jogo, que se dividiu em duas partes distintas devido às expulsões, mostrou a capacidade da equipa em adaptar-se e superar adversidades, ainda que alguns aspetos táticos e de concentração necessitem de ser aprimorados.