A vitória do Estoril sobre o Nacional, por 1-0, na 26.ª jornada da Liga, deixou os treinadores das duas equipas com visões diferentes sobre o desfecho. Tiago Margarido, técnico do Nacional, considera que a sua equipa foi injustiçada e que o adversário não fez o suficiente para merecer o triunfo. Concordo
, disse Margarido. “De facto, a equipa entrou bem e, na primeira aproximação à baliza, o Estoril faz o golo. Depois disso, procurámos manter o mesmo padrão de jogo, um jogo curto e apoiado, só que estava a faltar um passe, uma receção. A equipa estava a perder bolas, o que nos estava a deixar intranquilos. Mesmo assim, penso que o Estoril não justifica a vantagem ao intervalo, porque foi um jogo repartido. Na segunda parte, falámos com os jogadores, procurámos tornar o jogo mais simples, visto que estava a haver essa intranquilidade na circulação mais curta. De forma a simplificarmos o processo, procurámos afundar mais a equipa do Estoril por fora, para fazerem movimentos no corredor lateral para chegar a cruzamento. Conseguimos fazê-lo várias vezes, mas a verdade é que, sempre que havia uma disputa, sempre que havia um lance de duelo, o árbitro marcava falta para o Estoril e o jogador do Estoril ficava mais não sei quanto tempo no chão. Isso fez com que o jogo tivesse quebras sucessivas. Na segunda parte, os jogadores do Estoril utilizaram muito bem a quebra de tempo, o que fez com que nós não conseguíssemos manter uma avalanche ofensiva como pretendíamos.”
Margarido ainda reforçou a sua indignação: “A verdade é que, por tudo aquilo que se passou, penso que é uma derrota injusta, porque o Estoril não fez muito para ganhar. Aliás, fez pouco para jogar sequer. Penso que o Estoril sai premiado e não premeia o futebol.”
O técnico do Nacional também abordou a questão dos lesionados e do critério do VAR, que tem sido um tema sensível para o clube. “Sim, é verdade. A lista de lesionados é grande. Temos muitas ausências e hoje a ausência do Liziero foi claramente notada. Principalmente por essas ligações curtas que acabei de referir, o que criou essa tal intranquilidade. A verdade é que temos uma lista de jogadores lesionados muito grande, estamos com poucas opções, estamos inclusive a fazer algumas adaptações. Mesmo assim, procurámos a partir do banco meter tudo aquilo que era possível para a frente. Metemos o Lucas, metemos o Pablo, metemos o Daniel, procurámos refrescar o meio com o André... tentámos de tudo, de forma a meter dentro do campo os jogadores ofensivos para chegar ao golo, mas não conseguimos.”
Quanto ao VAR, Tiago Margarido alinhou com a opinião do presidente do Nacional, Rui Alves: “O que tem sido dúbio é o critério. Já houve tantas situações em que o VAR alterou as decisões do árbitro nos jogos do Nacional, em que o critério não foi o mesmo. Acho que o Nacional é uma das equipas com mais lances revertidos pelo VAR e os árbitros também são muito condicionados nesse sentido, porque podem sofrer pela questão da dupla penalização e acabam por jogar sempre pelo seguro, que passa por reverter a decisão que tiveram em campo.”
Por outro lado, Ian Cathro, treinador do Estoril, reconheceu as dificuldades, mas valorizou a vitória e a melhoria defensiva da sua equipa, uma preocupação recorrente. “Eu acho que sim. Marcámos cedo e talvez uns 10 ou 15 minutos depois senti que estávamos a tentar entrar na nossa dinâmica de jogo, mas contra um rival tão bem organizado e tão agressivo era difícil. Durante esse período, também fomos percebendo que, como o objetivo é ganhar e não é jogar bem, era preciso que hoje fosse um dia diferente.”
Cathro também destacou o trabalho na defesa que tem sido feito: “Também temos de perceber que cada equipa tem um caminho, tem um trajeto, tem de melhorar, tem de aprender. Eu acho que nós, se fazemos alguma coisa boa, é que marcamos muitos golos. Mas, ao mesmo tempo, também estou sempre a ouvir, e é verdade, que sofremos muitos golos. Isso era algo que precisávamos de melhorar. Temos de ter outro momento no jogo, uma maneira de sentir que podemos ter algum controlo no jogo e não só quando temos a bola e estamos a trocar passes. Por isso, andámos a trabalhar muito nisso e fico mesmo muito feliz pelos jogadores, por termos tido dois jogos seguidos com a baliza a zeros, principalmente aqui hoje, quando tivemos de defender muito a linha da nossa área. Acho que os jogadores fizeram um bom trabalho nesse sentido e isso valida muito o trabalho que estamos a fazer todos os dias.”