Estreia de Gil Lameiras no comando técnico do Vitória de Guimarães termina em derrota

  1. V. Guimarães perde 2-1 com Famalicão.
  2. Equipa sem vencer há quatro jogos.
  3. Instabilidade emocional causa desaire, diz Lameiras.
  4. Técnico de 32 anos pediu apoio aos adeptos.

A estreia de Gil Lameiras no comando técnico do Vitória de Guimarães não correu de feição, culminando numa derrota caseira por 2-1 frente ao Famalicão. A equipa mantém-se assim sem vencer há quatro jogos. O treinador, visivelmente a analisar os detalhes da partida, apontou a instabilidade emocional como um dos principais fatores para o desaire.

Em conferência de imprensa, Gil Lameiras partilhou as suas perceções sobre o desempenho da equipa, destacando a complexidade das emoções em campo. “Entrámos um pouquinho a pensar no que se tinha passado no jogo anterior. A equipa acusou um bocadinho essa instabilidade emocional. Sofremos um golo. Depois, crescemos na partida e acabámos por dominar o resto da primeira parte, criando ocasiões. Quando tínhamos tudo para dominar a segunda parte, sofremos um golo no segundo minuto. A partir daí, a instabilidade emocional veio outra vez ao de cima. A equipa teve dificuldades em encontrar-se. Não foi um bom jogo da nossa parte. Senti uma expectativa grande dos adeptos. Não tivemos muito tempo para trabalhar. Não fazia sentido alterar grande coisa em relação ao que fizemos no passado. Quem representa o Vitória sabe que os adeptos vão cobrar se as coisas não estiverem a correr como gostariam. É um clube grande. Tenho de lhes tentar pedir apoio e paciência, para os puxar para o nosso lado. Quando se manifestam, têm toda a razão, porque é necessário fazermos mais”, afirmou o técnico de 32 anos.

Apesar da derrota, Gil Lameiras sublinhou que a sua chegada foi um processo natural, fruto do trabalho desenvolvido anteriormente. “Se estou aqui, é porque [os dirigentes] entenderam que as coisas não estavam a correr como gostariam. Há cerca de ano e meio, fui convidado para a equipa B e não estava à espera disso. É fruto do trabalho que tenho vindo a fazer. Não vou dizer que estava à espera, porque não estava, mas julgo que este desafio surge de forma natural.”

O treinador vimaranense também abordou a questão da pressão e a forma como a direção do clube lidou com a sua ascensão. “Não me falaram dessa questão. Falaram de deixar o meu trabalho fluir e de passar as minhas ideias para este grupo. Não me colocaram qualquer tipo de pressão. Simplesmente pediram-me para fazer o trabalho.”

Em relação às táticas e ao desempenho estratégico da equipa, Lameiras não deixou de analisar os pontos críticos do jogo. “Sabíamos que os extremos do Famalicão gostam de vir para dentro. Houve lances em que os defesas demoraram a parar mais cedo. A nível estratégico, isso estava bem identificado. O Miguel [Nogueira] voltou a ser lançado, porque tem vindo a trabalhar muito na equipa B. Vamos apresentar uma equipa competitiva todos os jogos, independentemente de serem jogadores do plantel principal, da equipa B ou dos sub-19. O objetivo palpável [até ao final da época] é olhar para nós e perceber que, a nível ofensivo, podemos jogar mais. Quando as coisas, em termos mentais, não estão a funcionar, todos os 'fantasmas' anteriores vêm ao de cima. Quando é tão fácil chegar à nossa baliza, é difícil apresentar consistência. O importante é apresentar evolução em cada jogo. Não vale a pena pensar no que pode acontecer daqui a dois meses, quando, no momento, a equipa não está a dar a melhor resposta.”

O técnico concluiu a sua análise com um olhar para o futuro, apesar da clara insatisfação com a falta de tempo para implementar todas as suas ideias. “Houve pouco tempo para trabalhar. Houve viagem na segunda-feira, a partir dos Açores, após o jogo com o Santa Clara, e na terça-feira os jogadores ainda estavam em recuperação. Não houve tempo para passar toda a informação que queríamos, mas cada treinador tem o seu cunho. E por mais parecida que a equipa possa ser com o que era, há sempre diferenças.”

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