As eleições para a presidência do Vitória de Guimarães acontecem este sábado, 1 de março, e os dois candidatos – António Miguel Cardoso e Luís Cirilo Carvalho – tiveram a oportunidade de debater os seus planos e propostas num único debate realizado nos estúdios da rádio Santiago.
Ao longo de quase duas horas, a discussão foi marcada por um constante confronto de acusações entre os dois candidatos, com pouco tempo dedicado a apresentarem, de forma detalhada, as suas ideias e projetos para o clube.
Contas da SAD do Vitória no centro do debate
O tema das contas da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Vitória foi um dos mais debatidos, com Luís Cirilo a criticar duramente a gestão de António Miguel Cardoso. O candidato da lista A acusou o atual presidente de ter aumentado o passivo da SAD de 40 para 71 milhões de euros nos últimos três anos, colocando-a «em falência técnica».
Em resposta, António Miguel Cardoso salientou que, no mesmo período, o clube teve receitas de 88 milhões de euros, quando na anterior gestão, liderada por Miguel Pinto Lisboa, as receitas tinham sido de 107 milhões. «Aumentámos o passivo em 15 milhões, o Miguel Pinto Lisboa em 30 milhões. Temos de ser sérios», afirmou o atual presidente.
Financiamento da SAD gera desconfiança
Outro ponto de discórdia foi o financiamento garantido pela SAD junto do grupo MSD, que está na estrutura acionista do Casa Pia. Luís Cirilo considerou «estranha» esta situação, afirmando que «há um risco de o Vitória se poder endividar com a MSD e esse endividamento ser insustentável, ao ponto dos credores tomarem conta da SAD». António Miguel Cardoso rejeitou veementemente estas acusações, considerando-as «surreais».
Gestão desportiva também em análise
No que diz respeito à atividade desportiva, Luís Cirilo criticou a gestão de António Miguel Cardoso, afirmando que este «vendeu mal jogadores como o Kaio César» e que «não devia ter deixado sair sete jogadores em janeiro, afetando profundamente a estrutura da equipa». Em resposta, o atual presidente defendeu que as vendas foram necessárias, dada a situação financeira do clube, e que os valores obtidos, como os 9 milhões de euros pela transferência de Kaio César, não são líquidos.
Num ambiente de grande tensão, os dois candidatos trocaram ainda acusações sobre a gestão de Miguel Pinto Lisboa, com Luís Cirilo a tentar distanciar-se dessa época, e sobre a remuneração de Cirilo durante a sua passagem pela Comissão do Centenário do Vitória.