César Peixoto, técnico do Gil Vicente, demonstrou o seu descontentamento com a falta de atenção dada à sua equipa na conferência de imprensa de José Mourinho, antes do confronto com o Benfica. O treinador abordou a antevisão do jogo da 24.ª jornada da I Liga com uma postura firme e reivindicou mais reconhecimento para o trabalho desenvolvido em Barcelos.
“Do Benfica só vou dizer que tem um excelente treinador e que espero quatro boas equipas, Gil Vicente, Benfica, arbitragem e VAR na Cidade do Futebol. Sei que vocês [jornalistas] não têm culpa nenhuma, mas um jogo desta dimensão, entre o 3º e o 5º classificado, e só uma pergunta sobre o Gil Vicente... merecemos ser valorizados, os jogadores merecem ser falados neste tipo de jogos. Merecemos mais respeito”, afirmou César Peixoto perante os jornalistas, criticando a escassa abordagem à sua equipa na conferência do técnico encarnado. Peixoto reiterou esse sentimento, dizendo que “Mais uma vez, a única pergunta ao míster José Mourinho sobre o Gil Vicente foi da BTV e mais nenhuma. Vou falar do Gil e não do Benfica, vou fazer a mesma coisa e dar a mesma importância que deram à nossa equipa, merecemos mais respeito pelo trabalho e época que temos feito, a valorização do campeonato, tudo o que propomos ao longo das semanas, acho que um jogo do 3º contra 5º classificados merecia falar mais destes jogadores, desta equipa, destas dinâmicas, da capacidade de jogar igual para igual. Acho que se impunha estas perguntas”, e ainda acrescentou que “Do Benfica só digo que tem um excelente treinador, espero que estejam aqui quatro boas equipas, nós, o Benfica, a equipa de arbitragem e a do VAR na Cidade do Futebol. Tirando isso, não respondo. Já é a 2ª vez que num jogo desta dimensão só houve 1 pergunta, o Gil Vicente tem sido uma instituição digna no futebol português ao longo dos anos. Continuamos a fazer um excelente campeonato e não é valorizado o Gil Vicente, merecemos mais respeito nesse sentido. Que sejam 4 boas equipas, um bom jogo e um bom espetáculo”, realçando a necessidade de as quatro equipas envolvidas atuarem ao mais alto nível. Questionado sobre a menção às equipas de arbitragem e VAR, o técnico respondeu: “Há muita discussão à volta de arbitragem, não somos um grande… ainda, vamos crescer, quero que seja um bom jogo, bom espetáculo e com 4 boas equipas no campo.”
Apesar do desabafo, César Peixoto mostrou-se ambicioso e focado no jogo, que marca um ano desde a sua chegada ao comando técnico dos galos. “Vamos olhar para este jogo como os outros todos, com a nossa identidade, humildade e arrogância quando tivermos a bola, para olhar para a baliza rival e tentar vencer”, referiu Peixoto, sublinhando que a semana de trabalho correu lindamente
após a derrota com o Estoril. O técnico recordou ainda o percurso da equipa sob a sua liderança: “As pessoas não se recordam, mas saíram 16 jogadores e entraram 11, as coisas estão a correr muito bem”, mas alertou que “As coisas estão no bom caminho, mas há que continuar com exigência, pois no futebol tudo é muito rápido. Se nos distrairmos, rapidamente as coisas mudam.” Sobre o ADN da equipa, Peixoto foi categórico: “É fundamental em todos os jogos, digo muitas vezes que temos de saber como ganhar, empatar e perder, sempre com o nosso ADN, não podemos fugir à regra, é o que vamos impor, jogar de igual para igual seja contra quem for, acredito muito no caminho que fazemos, nos jogadores, na equipa técnica, não há forma de olhar o jogo que não seja com nosso ADN, com ou sem bola, organizar bem a equipa, meter qualidade, aproveitar espaços e olhar para os 3 pontos.” O desaire com o Estoril também foi tema de reflexão: “Claro que após uma derrota não é igual, o início de semana não é igual, mas foi uma semana longa, digerimos, o 1º dia foi muito importante. Disse no pós-Estoril que teríamos de olhar para este jogo de forma muito minuciosa para darmos mais um passo, uma conversa séria, com as incidências do jogo, apesar de achar que no jogo com Estoril o resultado podia ter caído para qualquer equipa. O que me preocupou nesse jogo não foi só a derrota, foi o espaço entre 2º e 3º golo em que nos desorganizámos um pouco e esse foi o foco principal, fomos mais com coração do que com cabeça, quero a equipa consistente ao longo dos 90’ e no campeonato todo. Estamos fortes e confiantes, a semana correu lindamente, sem problema nenhum.” A jogar em casa, a confiança é elevada: “Olho para o jogo com as características que vai ter, temos sido fortes em casa, fora também, temos sido muito consistentes. Não vamos olhar para passado, do Benfica ter ganho cá, o Sp. Braga também não perdia cá há muito tempo e perdeu. Vamos essencialmente olhar para nós, o que podemos fazer, continuar a ser fortes. Mentalmente fortes nos 90 minutos, que vai exigir muito de nós, temos de estar 90 minutos ligados, a exigência vai ser grande, a parte mental é extremamente importante. Temos sido fortes e não abdicamos da nossa forma de estar.” Em retrospetiva, o técnico descreveu o seu ano no clube: “Já muito tempo passou, chegámos numa fase difícil, quando reuni com Flávio [Soares] e o presidente, acreditava no projeto e por isso vim. A 1ª fase ia ser difícil, tínhamos de garantir a permanência, depois tínhamos o trabalho de redirecionar o clube para o projeto que queríamos, fizemos uma reestruturação forte na equipa. As pessoas não se lembram mas saíram 16 jogadores para entrar 11 no plantel, as coisas estão a correr muito bem, trocámos muita coisa, tivemos capacidade de fazer o que queríamos. Trabalho conjunto de jogadores, estrutura, sabemos a direção que queremos traçar, as coisas nem sempre foram um mar de rosas, é o trabalho de muita gente cá dentro, também tivemos de tomar decisões difíceis algumas vezes. As coisas estão no bom caminho, mas há que continuar com exigência, pois no futebol tudo é muito rápido. Se nos distrairmos rapidamente as coisas mudam. Tem sido um ano fantástico, com alguns altos e baixos.” Para o jogo, Joelson Fernandes está disponível, mas Gustavo Varela, Mutombo e Mohamed Bamba são baixas, e Tidjany Touré está em dúvida. Os bilhetes para o Estádio Cidade de Barcelos estão quase esgotados para o jogo que se inicia às 20h15 de segunda-feira, com arbitragem de João Gonçalves, o mesmo do duelo da primeira volta (vitória do Benfica por 2-1), e Tiago Martins no VAR.
As palavras de César Peixoto mostram uma equipa determinada a lutar pelos três pontos e a impor a sua identidade em campo, independentemente do adversário. A revolta expressa pelo treinador gilista realça a paixão e o compromisso que existe no clube de Barcelos, que pretende ser reconhecido pelo seu valor e pelo trabalho consistente que tem desenvolvido na presente temporada.