André Villas-Boas, presidente do Futebol Clube do Porto, abordou as finanças do clube e descartou a possibilidade de uma entrada de fundos estrangeiros no capital, uma situação que fez questão de comparar com o rival lisboeta. Em entrevista ao jornal ECO, Villas-Boas foi taxativo na sua posição, sublinhando a intenção de manter a estrutura de associados do clube.
“O meu objetivo, enquanto presidente da Direção do FC Porto, é manter o FC Porto enquanto clube de associados. Temos muito pouca parte do nosso capital que flutua na bolsa. O FC Porto é detentor da maior parte do seu capital e o resto está espalhado por portistas. Não vejo uma situação como aquela que aconteceu com o Benfica acontecer. Para isso, teria que haver um descalabro financeiro da sustentabilidade económica financeira do FC Porto, que nós conseguimos resolver no imediato”, afirmou André Villas-Boas, respondendo a questões sobre a venda de capital a fundos estrangeiros e estabelecendo um contraste com o caso do Benfica, que pondera a venda de ações ao investidor norte-americano Tim Leiweke. O fundo de investimento Entrepreneur Equity Partners, de Tim Leiweke, tem como objetivo construir uma rede de participações minoritárias no futebol europeu.
Villas-Boas revelou ainda os pormenores da reestruturação financeira que o clube conseguiu efetuar em 2024, após ter encontrado uma situação alarmante. “Não é o que se dizia, não! Foi o que eu constatei. Infelizmente, não é o que se dizia!”, atirou o líder dos dragões, referindo-se aos 8 mil euros em cofres. O presidente explicou que a solução passou pelo apoio de sócios e por uma reestruturação da dívida a longo prazo. “O FC Porto, sobretudo numa primeira fase, apoiou-se em sócios do FC Porto, que emprestaram capital imediato para resolvermos dívida a curto prazo. Nós tínhamos 15 milhões de euros para pagar até ao final de maio, quando eu tomo posse, e a situação era alarmante. Fomos suportados por sócios do FC Porto, que foram muito generosos. Depois, fizemos a reestruturação da dívida sustentada num projeto a longo prazo, relacionado com o ticketing, os revenues comerciais do FC Porto, que nos permitiram levantar cerca de 180 milhões em dívida americana e permitiram ao FC Porto sobreviver, no fundo, e mandar os seus problemas mais prementes a 25 anos, permitindo a sua sustentabilidade financeira”, detalhou André Villas-Boas, salientando o sucesso em reverter a difícil situação financeira encontrada.