Villas-Boas faz balanço de dois anos na presidência do FC Porto e aborda saída de Sérgio Conceição

  1. André Villas-Boas completou dois anos na presidência do FC Porto.
  2. Reestruturação da dívida e responsabilidade económica foram pilares da sua gestão.
  3. Sérgio Conceição é o treinador com mais sucesso do FC Porto.
  4. Villas-Boas fala sobre a dificuldade de competir na Liga dos Campeões.

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, fez um balanço dos seus dois anos de liderança, marcados por decisões de rutura e uma gestão focada na responsabilidade económica. As suas declarações, proferidas no 10.º aniversário do Jornal ECO, em Lisboa, revelam a complexidade e os desafios de suceder a uma figura como Pinto da Costa, o presidente mais titulado da história do futebol.

Villas-Boas destacou a reestruturação da dívida e a gestão dos recursos financeiros como pilares da sua administração. “O FC Porto voltou a marcar a gestão dos seus recursos, responsabilidade económica, de gestão dos poucos ativos financeiros que tem, reestruturação da dívida. Foram as decisões de rutura que, basicamente, tomámos”, afirmou, sublinhando a necessidade de uma mudança de paradigma. Questionado sobre a saída de Sérgio Conceição, técnico que deixou o banco após a sua eleição, o presidente foi claro e elogioso. “São decisões que são tomadas. Sérgio Conceição é o treinador com mais sucesso no FC Porto, foi e é um líder exemplar na história do FC Porto”, disse, reconhecendo o impacto e o legado do antigo treinador.

O líder dos dragões também partilhou os sentimentos de alívio e responsabilidade que acompanham o seu cargo. “Sinto na pele a exigência e a ambição de todos os portistas. Foi-me passado um legado único e excecional no panorama do futebol português e internacional. É uma responsabilidade enorme. Isso causa-me medos, incertezas e sentido de responsabilidade. Foi assim enquanto fui treinador do clube também”, confidenciou Villas-Boas. A ambição por títulos, inerente à história do clube, é uma constante. “Medo de falhar com as pessoas, com as suas ambições... medo de não ganhar títulos? Sim, claro. A história do FC Porto é marcada por títulos, somos o clube nacional com mais títulos no futebol. Essa responsabilidade é algo que me atravessa, que me causa vontade de retribuir com títulos e sucesso. Faz-me perder muito tempo familiar e pessoal em prol de um bem comum”, frisou, evidenciando o seu comprometimento.

Por fim, Villas-Boas abordou as ambições europeias dos clubes portugueses. “A Liga dos Campeões diria que é praticamente impossível. A Premier League disparou para níveis estratosféricos na capacidade de compra e financiamento, está noutro patamar. Também devia haver um Brexit para as competições europeias...”, brincou. Apesar do reconhecimento das dificuldades, o presidente não descarta outras competições. “As outras competições são possíveis, mas é o lugar onde ninguém quer estar. Porque todos queremos estar nas competições mais importantes, que é a Liga dos Campeões”, concluiu, reiterando a preferência dos clubes pela prova maior do futebol europeu.

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