Como se fabrica um Vitinha? A visão dos treinadores do Porto B e ex-Benfica B

  1. "Vitinha só há um" - João Brandão
  2. Priorizar a vitória em detrimento do desenvolvimento - Renato Paiva
  3. Valores do FC Porto: competitividade e paixão
  4. Perigo de padronizar atletas

A questão “Como se fabrica um Vitinha?”, lançada pelo jornal espanhol As, tem levado vários intervenientes do futebol português a refletir sobre a formação de talentos. João Brandão, treinador do FC Porto B, sublinhou que “Vitinha só há um”, mas abriu o livro sobre a metodologia que o clube tem vindo a adotar na formação, procurando replicar o sucesso do médio do Paris Saint-Germain.

Brandão destacou ainda que jovens promessas como Rodrigo Mora e Mateus Mide são exemplos “interessantes que todos têm algo muito parecido, que são os valores do FC Porto. Ser muito competitivos, apaixonados pelo jogo, pelo futebol do FC Porto...”, acrescentando que “a visão do clube é inegociável. É um clube vencedor. Na entrada do nosso centro de treinos, há uma frase que diz 'Amamos quem odeia perder', e isso é a base de tudo. Além do 4x3x3 ou do 4x4x2, os valores são inegociáveis. Se não tens estes valores, podes ter uma técnica fantástica que vai ser difícil que consigas sobreviver”. O técnico de 43 anos de idade salientou que, se o FC Porto não for capaz de “potenciais jogadores tão importantes como Vitinha, Mora ou Mide, algo está a falhar”, ressalvando que este processo não pode ser apressado. Para o treinador do Porto B, “todos têm um perfil muito parecido, de jogo associativo, de inteligência, de espaços... Mas cada um vai mantendo a sua originalidade. É um jogador que está cada vez mais estático, e, quando cada um consegue potenciar aquilo que faz muito bem, e o consegue fazer muito, muito, muito bem, é de um valor incalculável”. Sobre Vitinha, Brandão aponta que “era diferente dos outros por causa da sua mentalidade. Obviamente, tem talento, mas todos os miúdos aqui na academia também têm. Era diferente por causa da sua ambição, da sua paixão pelo futebol. Costumava chegar ao treino e falar sobre o jogo que tinha assistido no dia anterior. Era apaixonado pelo jogo e pelo que os média estavam a fazer ou ainda estavam a fazer. Ficava extremamente irritado quando não conseguia jogar da forma que queria ou quando era deixado de fora da equipa”.

Hélder Cristóvão, antigo treinador do Benfica B, abordou a questão da “casualidade e um pouco de trabalho” na saída de “vários jogadores tão bons na mesma geração”. Contudo, alertou para o perigo de padronizar atletas: “Agora, o que se faz é um trabalho individualizado, com um treinador individualizado, para que o jogador se desenvolva tecnicamente. O problema é que vamos criando cópias (...). Estes treinadores veem os jogos pela televisão e querem fazer o mesmo, dizendo às crianças como devem jogar”. Esta preocupação é partilhada por Renato Paiva, outro ex-técnico da formação do Benfica, que criticou os treinadores da base por priorizarem a vitória em detrimento do desenvolvimento: “Os treinadores do futebol de base têm muita culpa, e os coordenadores, os seus chefes, também. O ego fala mais alto. Tens jogos às 11h00 da manhã e queres chegar ao almoço e dizer que a tua equipa ganhou, por 10-0, mas não te preocupas com o teu objetivo real, que é desenvolver jovens que ainda não são treináveis”. Paiva também referiu que, no que diz respeito às cópias de táticas, “Eu não sou daqueles que dizem que [Pep] Guardiola fez mal ao futebol. Há gente que diz isso e deveria ser presa [risos], mas a verdade é que o futebol de tiki-taka, de passe, ganhou uma notoriedade muito grande com os êxitos de Barcelona e Espanha. E, depois, chegaram os imitadores”, lamentando que se ensine as crianças a “não fintar, para onde deve passar, quando tem de dobrar o extremo... A crianças de 8 e dez anos. Isto é um problema”.

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