O movimento 'Unidos pelo Boavista' entregou um requerimento com 270 assinaturas para solicitar uma assembleia geral extraordinária. O objetivo é a destituição da atual Direção e a nomeação de uma Comissão Administrativa provisória para gerir o clube até à realização de novas eleições. Este pedido fundamenta-se na impossibilidade superveniente
do exercício de funções, após a administradora de insolvência ter cessado a colaboração com a estrutura diretiva na gestão do estabelecimento em fevereiro de 2026. A perda de confiança
por parte da administradora de insolvência e da Comissão de Credores é apontada como um dos principais motivos para esta iniciativa.
Os subscritores do requerimento solicitam à mesa da Assembleia Geral a validação das assinaturas num prazo de cinco dias úteis e a convocação da assembleia geral extraordinária em oito dias úteis após o depósito da quantia exigida pelos estatutos. Além da saída da direção, propõem a nomeação de uma comissão administrativa transitória com poderes para representar o clube junto da administradora de insolvência, da comissão de credores e do tribunal, visando uma solução de recuperação ou continuidade da atividade. É também pedida a definição de um prazo para novas eleições.
Esta iniciativa surge num contexto de forte instabilidade para o Boavista. O leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo adjacente está agendado para a próxima semana, com um valor base de cerca de 38 milhões de euros. O clube acumula dívidas superiores a 150 milhões de euros. A direção, liderada por Rui Garrido Pereira, manifestou-se surpreendida com o avanço do processo, garantindo que tudo fará para travar a venda, apesar de reconhecer que a alienação de ativos pode ocorrer em fase de liquidação. As claques, nomeadamente os Panteras Negras, também anunciaram a intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão, classificando a eventual perda do património como um desfecho catastrófico
. A SAD do clube, liderada por Fary Faye, assegurou estar a acompanhar a situação e reiterou o compromisso com a defesa dos interesses do Boavista, que enfrenta uma das fases mais críticas da sua história, sem utilização do estádio desde maio de 2025 por impedimento das autoridades.