O futebol português volta a estar debaixo dos holofotes devido a novas polémicas, com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a instaurar processos disciplinares a André Villas-Boas e Alberto Costa. Estas decisões surgem na sequência de queixas apresentadas pelo Sporting, adensando a já tensa rivalidade entre os clubes. O primeiro processo disciplinar foi instaurado a André Villas-Boas, presidente do FC Porto, na sequência de declarações proferidas por este a 1 de abril, após uma reunião com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e com o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias. A FPF esclareceu que “a instauração ocorreu na sequência de participação disciplinar apresentada (…) pela Sporting Clube de Portugal – Futebol SAD”. As declarações de Villas-Boas na ocasião visavam o presidente do Sporting, Frederico Varandas, e abordavam questões delicadas do futebol nacional. O presidente do FC Porto afirmou: “Compreendo as frustrações do presidente do Sporting, principalmente quando no seu próprio estádio há adeptos que lançam garrafas de vidro para as cabeças dos árbitros, há jogadores que assumem que um árbitro é ladrão. Quando há quebra de códigos regulamentares para adiar um jogo de futebol, compreendo todas as frustrações e tentativas de mudar narrativas. Como houve um período de pausa por causa da Seleção, o Sporting quer desviar o caso do Sporting-Tondela.” Estas acusações incendiárias referem-se a incidentes passados e tentam recontextualizar a postura do Sporting. Noutra vertente, foram também recordadas as suas afirmações sobre a polémica na Dragão Arena, onde um jogador e treinador leoninos foram hospitalizados. “Compreendo as frustrações do presidente do Sporting, principalmente quando no seu estádio há adeptos que lançam garrafas de vidro contra a cabeça dos árbitros, jogadores que assumem que um árbitro é ladrão… Compreendo as suas frustrações. Quando há quebras de códigos regulamentares dos regulamentos da Liga para adiar um jogo de futebol. Por isso, compreendo as tentativas de mudar narrativas. Como houve um período de pausas para jogos da Seleção, o Sporting quer desviar o caso do jogo com o Tondela para um pouco mais tarde. Veio aqui fazer as figurinhas que fez, que são lamentáveis em toda a linha. Obrigou a ministra a reunir com os dois presidentes sobre um caso em que o FC Porto tem provas irrefutáveis. Arquivado o caso do MP após investigação, o FC Porto será implacável”, vincou Villas-Boas, deixando claro o seu descontentamento e a sua intenção de ser implacável na defesa dos interesses do FC Porto.
Adicionalmente, um segundo processo disciplinar foi instaurado a Alberto Costa, também jogador do FC Porto, na sequência de uma queixa do Sporting. Este processo visa apurar a alegada cuspidela de Alberto Costa a Sorriso, jogador do Famalicão, durante o jogo da 28.ª jornada da I Liga. O incidente ocorreu por volta dos 86 minutos da partida, quando Alberto Costa cometeu uma falta sobre Sorriso e, alegadamente, cuspiu-lhe. O jogador do Famalicão, Sorriso, afirmou nas redes sociais que foi alvo de uma cuspidela, embora Alberto Costa tenha negado veementemente tal ato. O Sporting, impulsionado por estes acontecimentos, vai “agir diretamente ao Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, após a alegada cuspidela de Alberto Costa, jogador do FC Porto, a Sorriso, atleta do Famalicão, no encontro deste sábado.” Estes processos revelam a crescente tensão entre os clubes e a determinação do Sporting em levar as suas queixas às instâncias disciplinares máximas do futebol português. O “caldo está entornado” e o desfecho destes processos poderá ter um impacto significativo na estrutura disciplinar do campeonato.