Oskar Pietuszewski, a joia do FC Porto, tem sido alvo de uma gestão cuidadosa por parte do clube e da seleção polaca, com o objetivo de preservar o seu talento e potencial. Jan Bednarek, colega de equipa no FC Porto e na seleção, elogiou a coragem e determinação do jovem, mas também sublinhou a importância da humildade. “Ele é mesmo assim: corajoso e determinado. O que vejo no FC Porto, vi aqui [na seleção] também. Há tanto alarido e elogios à volta dele que, sendo mais velho, tenho de serená-lo um pouco. Quero que ele tenha paz. Em breve vão começar a perguntar-lhe o que come ao pequeno-almoço. É normal, porque ele é um grande talento”
, começou por dizer Bednarek, alertando para a necessidade de manter os pés no chão. O defesa portista apelou à calma, realçando que “Quem o rodeia é crucial, porque estar a fazer este trabalho aos 17 anos é algo grandioso. Mas ainda tem muito pela frente e acho que vou exigir cada vez mais dele e serei o primeiro a 'puxar-lhe as orelhas' para que continue a evoluir. Sinto que pode alcançar grandes coisas, pode ser um jogador incrível. Mas calma, ainda tem muito caminho a percorrer. A humildade e a vontade de trabalhar arduamente que demonstra serão, certamente, valiosas”
.
A experiência de Bednarek como jovem promessa permite-lhe aconselhar Pietuszewski sobre a pressão e as expectativas. “Também já fui jovem. É normal, tendo 17 anos e tendo protagonizado uma entrada como a dele num clube tão grande... É normal, não só na Polónia, mas também em Portugal há um grande burburinho, o que me deixa muito feliz. Mas eu lá estarei para garantir que ele tenha tranquilidade. Claro que acontecem muitas coisas, mas tento dar-lhe uma perspetiva diferente de que nem tudo é cor-de-rosa e belo. A vida e a experiência ensinaram-me que, quer as coisas corram bem ou mal, devemos comportar-nos da mesma forma. E é isso que lhe desejo: que seja sempre ele próprio”
, referiu.
Robert Lewandowski, outra estrela da seleção polaca, partilha da mesma visão e também destacou a necessidade de proteger o jovem talento. “Foi mais fácil para ele entrar no jogo do que começar de início. É um jogador espetacular, mas temos de deixá-lo crescer, jogar e evoluir. Não coloquemos pressão de que já tem de marcar golos e decidir jogos”
, referiu Lewandowski. O avançado do Barcelona sublinhou a importância de ver Pietuszewski como uma pessoa e não apenas um produto
. “Sei que os adeptos olham para ele como um produto, mas é uma pessoa, um jovem de 17 anos. Tem toda a carreira pela frente. Deve jogar com tranquilidade e pensar apenas no que faz em campo. Eu próprio tento protegê-lo, porque o futebol vive muito das emoções”
, concluiu, alertando para os perigos da exposição mediática precoce e a pressão que pode advir do sucesso rápido.
A estreia de Pietuszewski pela seleção polaca, a poucos meses de completar 18 anos, foi um marco importantíssimo na sua ainda curta carreira, contribuindo para o apuramento da equipa para a final do play-off de acesso ao Mundial. Esta internacionalização tem também implicações financeiras para o FC Porto. A transferência de Pietuszewski do Jagiellonia implicou um pagamento de 8 milhões de euros, mais 2 milhões em bónus. Uma parte destes bónus depende da sua assiduidade na seleção, com os dragões a terem de desembolsar 125 mil euros por cada bloco de quatro internacionalizações A. As restantes parcelas significativas dos bónus estão igualmente ligadas a objetivos coletivos, como a conquista do campeonato nacional e a qualificação para a UEFA Champions League. Estas condições demonstram que, embora Pietuszewski se torne mais caro
, é por bons motivos, refletindo o sucesso e a progressão do jovem jogador.