Jogadores de São Pedro da Cova Alteram Depoimentos em Caso de Exploração

  1. Jogadores alteraram depoimentos iniciais ao SEF.
  2. Orlando Rocha, antigo presidente, responsabilizado.
  3. Vítor Catão e Armando Santos ilibados.
  4. MP sustenta que responsáveis iludiram jogadores.

A investigação relacionada com a alegada exploração de futebolistas no São Pedro da Cova sofreu uma reviravolta significativa. Os jogadores visados alteraram os depoimentos iniciais, dados em 2022 ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), o que resultou na abertura de processos-crime pelo Ministério Público (MP). Os futebolistas, em audiência no Tribunal de São João Novo, atribuíram agora a responsabilidade a Orlando Rocha, antigo presidente do clube já falecido, ilibando assim os dois arguidos no processo: o diretor desportivo Vítor Catão e o treinador Armando Santos. Esta mudança de versão não foi totalmente esclarecida e causou perplexidade nos magistrados. A juíza, durante a inquirição de Luan Oliveira, ex-jogador do São Pedro da Cova, notou a tensão do testemunho. “O senhor parece que não está a falar à vontade. Não tem de estar nervoso, não estamos contra o senhor. A sua postura corporal mostra que o senhor está tenso. Queremos que o senhor responda com a verdade”, afirmou a juíza.

As condições oferecidas pelo clube também foram descritas de forma diferente pelos jogadores. Antigos depoimentos ao SEF indicavam Vítor Catão como o verdadeiro proprietário do clube, com promessas de legalização e vistos de trabalho. Contudo, a versão atual nega essas promessas e elogia as condições do clube, minimizando o contato com Catão e o treinador. Odaílson Figueiredo, outro futebolista envolvido, defendeu as instalações, afirmando que “As condições eram boas, no meu ponto de vista. Tinha água quente. Tinha televisão, frigorífico, videojogos". Os jogadores Luan Oliveira e Odaílson Filgueiredo justificaram as alterações de depoimento alegando não se recordar do que fora dito em 2022. Apesar disso, ambos confirmaram ter dormido em beliches debaixo da bancada. Questionado pela procuradora sobre o rigor do inverno, Odaílson Figueiredo assegurou que o clube fornecia os meios necessários. “O Inverno era sempre difícil. Tínhamos o frio normal, mas eu quando cheguei tinha tudo”, afirmou o futebolista.

Otelo Magalhães, ex-inspetor do SEF e atual membro da Polícia Judiciária (PJ), salienta que a responsabilidade pela legalização é individual. No entanto, o MP sustenta que os responsáveis do São Pedro da Cova iludiram os jogadores com falsas promessas de regularização. O MP descreve que vários jogadores dormiam em beliches no estádio, recebendo salários irregulares, com a esperança de progredir para clubes maiores. A rede de auxílio à imigração ilegal terá explorado 11 jovens brasileiros. Vítor Catão, antigo diretor do clube de Gondomar e condenado na Operação Pretoriano, é o principal arguido, enfrentando 22 crimes, incluindo auxílio à imigração ilegal e angariação de mão de obra ilegal. As acusações são de ter assinado cartas-convite para jogadores brasileiros que permaneciam em Portugal ilegalmente e recebiam salários tão baixos como 150 euros mensais, sem vistos válidos.

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