Francesco Farioli, treinador do FC Porto, abordou diversos tópicos na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Moreirense. Entre os vários temas, destacou-se a possibilidade de saída de Zaidu no mercado de inverno e a gestão do plantel face ao calendário apertado.
A permanência de Zaidu
Sobre o interesse em Zaidu, Farioli revelou que o jogador teve oportunidades de se mudar para a Premier League, mas optou por permanecer no clube. O técnico afirmou: “Houve uma boa possibilidade de ele sair para a Premier League. Conversei com ele, perguntei o que ele queria fazer, se estava feliz aqui, porque na primeira parte da época teve poucos minutos. Mas ele manteve sempre uma grande capacidade de treinar e respondeu que ficava muito feliz aqui a ter um papel no grupo, com o desejo de competir nas três provas. Esperou a sua oportunidade e ela chegou pouco depois. Deu-me a confiança para o colocar em campo e está a progredir bem. É um dos exemplos desta equipa, tem uma atitude incrível e é amado pelos adeptos. No Dragão, quando toca na bola, ouve-se uma atmosfera diferente.” As propostas, revelou Farioli, vieram do “Leeds United e do Wolverhampton”.
Calendário apertado e gestão do plantel
Relativamente ao adiamento do jogo do Sporting e Braga, Farioli expressou a sua opinião sobre a disparidade no tratamento, dizendo: “Já falei disso, é o que é. Para o Braga, não tendo outra competição, é um um pedido lógico. Para nós e para o Sporting é um caso diferente. Se virem o calendário, a única semana que vai estar livre é a última da época. É um tratamento muito particular.” O treinador também destacou a boa forma física do plantel, fruto de uma gestão estratégica: “Tomámos diferentes decisões baseadas no que está no nosso controlo e valorizar todo o plantel. É por isso que nos últimos três jogos mudámos oito ou nove jogadores de um jogo para o outro. Na realidade, estamos a jogar jogos de nível de Liga dos Campeões. O poder desta equipa está na parte coletiva. Estamos a ter jogos muito competitivos e sessões de trabalho muito competitivas. Acho que todos os jogadores estão preparados para jogar e ajudar a equipa.”
Estilo de jogo e arbitragem
Apesar da intensidade, Farioli não abdica do estilo de jogo ofensivo: “Em certos jogos essa necessidade é normal num jogo, não podes pressionar 90 minutos. Sobre a intenção, não tenho dúvidas, quero continuar a ser a equipa que pressiona em todo o campo contra todos e em todas as competições. Depois temos o exemplo do Estugarda, tivemos bons momentos de pressão alta, marcámos assim, recuperámos bolas no meio-campo contrário, e noutros momentos defendemos na nossa área. Esta capacidade de ajustar e dominar as fases do jogo é algo que temos de continuar. Sobre a nossa identidade e o que gostaria de fazer não há qualquer dúvida.” O treinador também abordou a nota insatisfatória atribuída à equipa de arbitragem do FC Porto-Arouca, reforçando a sua convicção: “Há várias imagens que são claras, foi penálti. Sem o toque, o Fofona rematava à baliza. Mantenho a minha avaliação. Não afetará o árbitro amanhã.”
Regresso ao Dragão e confronto com o Moreirense
Sobre o regresso ao Estádio do Dragão e o confronto com o Moreirense, Farioli salientou a dificuldade do adversário. “É bom voltar ao Dragão depois de três jogos fora. A prioridade é o jogo contra uma equipa que é uma das surpresas da I Liga. Jogam bem, estão confortáveis na tabela e isso não nos deve fazer relaxar, pelo contrário. Sabemos as dificuldades deste adversário, na primeira volta tivemos controlo, mas foi difícil desbloquear o jogo. Espero um jogo competitivo.” Para o treinador, a equipa tem sabido gerir a exigência do calendário: “O foco tem de estar no nosso desejo de fazer tudo para vencer perante um adversário, como disse, que está a fazer um bom trabalho. Do nosso lado, a equipa está num excelente momento, todos estão prontos a jogar e num modo competitivo. Chegar a meio de março com a bateria cheia é difícil. Isso diz muito do trabalho que a equipa tem feito, tentamos gerir a qualidade e a energia do grupo. Ganhamos a possibilidade de estar em março em três competições.”
A situação da formação do FC Porto
A situação da formação do FC Porto também foi um ponto de destaque: “É ótimo. Na formação, os resultados não devem ser a única maneira de medir o sucesso, mas estar em primeiro lugar e a evolução da equipa B diz muito do desenvolvimento dos jogadores e do trabalho dos treinadores. Estamos a trabalhar para alinhar os programas, os tempos de jogo, a gestão dos jogadores. O Castro é a ligação entre a equipa A e os jovens. Lucho e Felipe Sánchez [chegou em janeiro, vindo da Real Sociedad] também são importantes. O analista todas as semanas manda imagens dos jovens que podem progredir connosco. Já tivemos 20 jogadores dos sub-19 e da B a trabalhar connosco, não só em treinos como em jogos. Ángel Alarcón, André Miranda, Bernardo Lima, Tiago Silva, André Oliveira, João Teixeira, Gonçalo Sousa... podia nomear muitos. Estão a ajudar-nos a manter o nível nos treinos. E quando regressam às suas equipas estão a ter grandes resultados, como o de ontem [vitória por 6-0 contra o Sporting, em sub-19], que foi ótimo ver na televisão.”
Dono do próprio destino
Por fim, Farioli realçou a importância de o FC Porto ser “os donos do nosso destino” numa época que deveria estar em reconstrução. “Estamos a meio de março com a oportunidade de sermos os líderes do nosso próprio destino. Numa época em que se devia estar em reconstrução, sermos os donos do nosso destino é importante.”