O Clássico entre FC Porto e Benfica, que terminou empatado a duas bolas na Luz, continua a gerar intensas discussões e análises sobre o desempenho das equipas e as decisões tomadas. As polémicas em torno do jogo começaram logo ao intervalo, com uma iniciativa pouco usual por parte dos “dragões”. Provavelmente para evitar algum “bate-boca” na saída para o túnel de acesso aos balneários, o staff do FC Porto ordenou aos jogadores que esperassem que a equipa do Benfica saísse primeiro do relvado.
As queixas e os momentos de tensão não tardaram a surgir no relvado. Aos 60 minutos, assistiu-se a uma das principais reclamações “encarnadas”. Na sequência do canto, Otamendi desvia e a bola bate em Fofana. Depois, Diogo Costa consegue afastar. Mais tarde, no lance do segundo golo do Benfica, Pepê ficou deitado no relvado, queixando-se da cara, após Leandro Barreiro fazer o 2-2 no Estádio da Luz. Logo de seguida, um elemento dos dragões entregou um objeto, que terá sido arremessado da bancada, a um delegado da Liga.
Ao analisar o desempenho em campo, os dados sugerem uma reviravolta no controlo do jogo. O FC Porto permitiu que o Benfica recuperasse do 2-0 ao intervalo e chegasse ao empate no Clássico da Luz, o que revelou alguma permissividade defensiva dos dragões. Diante dos encarnados, a equipa de Francesco Farioli registou o máximo de toques sofridos na grande área e remates consentidos nesta edição da Liga, segundo os dados do SofaScore. O Benfica somou 37 toques na grande área dos portistas e rematou exatamente 20 vezes diante dos dragões. Por comparação, o FC Porto acumulou 19 toques na grande área do Benfica, ou seja, menos 18 do que os encarnados. A equipa de José Mourinho também se sobrepôs no capítulo dos remates (20 contra 14), embora nove tenham sido bloqueados e ambas as equipas tenham somado apenas seis tiros enquadrados com a baliza.
As escolhas táticas e as suas consequências foram também alvo de forte crítica por parte de Álvaro Magalhães, antigo jogador e treinador-adjunto do Benfica. “A vitória seria fundamental para encurtar a distância, mas o Benfica concedeu muitos espaços e o FC Porto, com jogadores de grande qualidade, aproveitou. Foi muito superior no meio-campo, o Froholdt é um jogador de enorme capacidade, e o FC Porto foi bastante superior, podia ter marcado mais do que dois golos, até. As alterações do José Mourinho foram, como ele nos habituou, muito tardias. Esperávamos que, no intervalo, houvesse mexidas no meio-campo, o Enzo e o Ríos são muito semelhantes, o próprio Rafa esteve muito apagado... O Lukebakio entrou demasiado tarde, mesmo assim conseguiu mexer com o lado esquerdo do FC Porto, e o Leandro Barreiro também foi lançado tarde”, analisou Magalhães. O antigo “encarnado” proferiu ainda um veredito severo sobre a temporada. “A época não é para esquecer, é para fazer a análise. Tenho aquela eterna esperança no campeonato, mas está a ser um total desastre, uma época infeliz para o Benfica. Com o investimento que foi feito, o objetivo tinha de ser ganhar o campeonato, a Taça de Portugal, ir o mais longe possível na Champions... Está a ser um autêntico desastre”, concluiu.