Cláudio Ramos: a vida de um guarda-redes no FC Porto

  1. Cláudio Ramos é guarda-redes do FC Porto.
  2. Adeptos do Porto tanto celebram um carrinho como um golo.
  3. Vítor Bruno é um "treinador à Porto".
  4. Cláudio Ramos deseja ser recordado como quem "sempre deu tudo pelo clube".

Cláudio Ramos, o guarda-redes do FC Porto, abriu o livro em entrevista aos canais do clube, abordando a complexidade de ser um jogador menos utilizado numa equipa de topo e a forma como os adeptos portistas expressam as suas emoções. As questões abordadas vão desde os assobios inesperados em vitórias até à preparação para momentos decisivos, onde a performance deve ser sempre de elite, independentemente do tempo de jogo.

Cláudio Ramos referiu: “Pois nós... e é curioso, nós vínhamos da época passada onde o assobio era... Mas pronto, eles tinham razão para assobiar, o ano passado tinham razão para assobiar, este ano não têm. Mas foi uma coisa que nós fomos falando e até este ano tivemos manifestações dos adeptos a receberem-nos, etc. E a malta achou incrível aquilo... e às vezes nós mais velhos dizemos: “Olha, cuidado, isto está assim porque estamos a ganhar, mas quando perdermos são os mesmos que estão aqui que vêm cá no dia a seguir por outros motivos“. E tentamos explicar isso, que os assobios... os adeptos do Porto são adeptos que gostam que a equipa esteja sempre a atacar, que esteja sempre em cima. Os adeptos do FC Porto são adeptos que tanto celebram um carrinho bem dado ou uma entrada mais forte como festejam um golo. E acho que é isso, também um papel dos mais velhos é tentar fazer com que a malta, quando vai para um jogo, já esteja preparada para essas pequenas coisas de “Ok, estão-nos a assobiar, mas vamos fazer o nosso jogo, nós sabemos o que é que temos de fazer, o que é que trabalhámos, qual é a estratégia para este jogo, então vamos esquecer isso, marcamos um golo e eles a seguir já nos aplaudem”.

O guarda-redes destacou ainda o papel crucial da liderança de Vítor Bruno na adaptação ao clube. Cláudio Ramos afirmou: “Sim, acho que ele também... o Mister Vítor Bruno tem muito mérito por isso, porque ele chegou a um clube e tentou... não tentou moldar o que é o FC Porto nem a identidade do FC Porto, mas tentou conhecê-la e também ele moldar-se a ela um pouco. Eu não o conhecia no passado, mas sinto e olho para ele e digo que é um treinador à Porto, pela maneira como ele trabalha todos os dias, pela maneira como ele se dedica, pela intensidade que ele mete quando fala connosco, quando prepara os jogos. E acho que ele se identifica muito com o clube. E como é isso, ele também se rodeou de pessoas como temos o Castro, temos o próprio Lucho [González], que melhor do que eu sabem o que é ser o FC Porto e acredito que eles internamente falem entre eles. E o Lucho, sem dúvida, com toda a experiência e tudo aquilo que ele vivenciou aqui lhe consegue transmitir o que é o FC Porto. Porque no outro dia fomos jogar à Madeira e o Mister não nos perguntou, mas ele sabia tudo, sabia que ia ser um jogo difícil, sabia o que era o tempo, sabia que a viagem etc. Então eles estão preparados realmente para a liga portuguesa e para aquilo que nós vamos enfrentar.”

A experiência de ser guarda-redes número dois numa equipa de alta competição foi outro dos pontos abordados por Cláudio Ramos, revelando sinceramente os desafios e a mentalidade necessária. O guarda-redes partilhou: “Não é fácil. É daqueles momentos em que tu metes muita coisa em causa, começas a pensar no futuro de outra forma, naquilo que queres para a tua carreira, naquilo que queres seguir. Só que é como te digo: eu sou uma pessoa que adoro treinar, sou uma pessoa de balneário, adoro estar no balneário, adoro os meus colegas. E esses momentos são ultrapassados com o nosso suporte familiar, com os amigos. De chegares a casa e poderes falar com a tua mulher, ou poderes ligar a um amigo a dizer “Olha, passou-se isto e isto e isto“, e eles darem-te os conselhos certos e não te dizerem “Não, o Mister é isto“ ou “o Mister não tem razão". Dizerem-te as verdades. E eu sempre me rodeei de pessoas que me dizem as verdades, que me ajudam e nesses momentos mais difíceis é o que eu tento fazer. Tento apanhar a opinião ali de quatro ou cinco pessoas que já são da minha confiança. E como é óbvio aquilo que eles me dizem também é aquilo que eu sei: é continuar a trabalhar, que as oportunidades vão surgir. E basicamente é isso que eu tenho feito: é ficar triste, ficar não revoltado mas triste e querer demonstrar que foi um erro da parte dele, mas não lhe dando motivos para que isso volte a acontecer. Então é treinar e o Mundial de Clubes é um exemplo em que eu vou para os Estados Unidos a pensar que vou de férias e de repente tenho de jogar. E a posição de guarda-redes número dois é um bocado ingrata, é um bocado isso: é tu nunca jogas ou jogas muito pouco, mas quando jogas tens de ter a performance do, neste caso, do Diogo Costa que é um dos melhores guarda-redes do mundo. E não é fácil.”

Por fim, Cláudio Ramos expressou o desejo de ser recordado no FC Porto. O jogador afirmou: “Eu sinceramente acho que eles me vão recordar mesmo por aquilo que eu sou, que foi um jogador e uma pessoa que sempre deu tudo pelo clube, que sempre lutou ao máximo e que sempre deu o seu melhor independentemente de tudo. E acho que é isso, eles vão-me recordar como uma pessoa simples, que não nasci portista mas tenho a certeza de que vou morrer portista. Eles acolheram-me como um dos deles e isso para mim é muito gratificante. Tenho a certeza e espero que eles gostem e continuem a gostar de mim independentemente de onde a minha carreira me leve.”

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