Diogo Costa, guarda-redes do FC Porto e da seleção nacional, concedeu uma entrevista aprofundada ao The Athletic, onde abordou diversos temas cruciais para a compreensão do momento atual dos “dragões”, com especial foco no registo defensivo da equipa, na importância do coletivo e na influência de jogadores experientes como Thiago Silva.
O internacional português sublinhou o orgulho que sente pelas “clean sheets” alcançadas, mas fez questão de contextualizar este feito como um esforço conjunto: “É um orgulho muito grande. Quando falam das clean sheets referem-se sempre aos guarda-redes, mas é um trabalho coletivo. Basta pensar na época passada, em que fomos a segunda equipa menos batida e, mesmo assim, as coisas não correram bem. Tal como eu te disse, é um trabalho coletivo. O melhor de cada um vai ser sempre o melhor para a equipa. É isso que nós procuramos, não sofrer golos dá-nos uma confiança acrescida, não só a mim mas também à equipa, e os adversários sabem que essa é uma das nossas forças. Isso também tem muito a ver com a nossa identidade e com o que é o FC Porto, porque a atitude é sempre um elemento muito importante para se defender”, afirmou Diogo Costa. Esta perspetiva realça a cultura de união e dedicação que o guardião acredita ser fundamental para o sucesso portista.
A chegada de Thiago Silva ao clube foi outro ponto alto da conversa, com Diogo Costa a expressar a sua admiração e o impacto positivo que o central brasileiro teve, não só pela sua qualidade técnica, mas também pela sua liderança e aura vencedora. “Acima de tudo trouxe muita aura. Receber um jogador como o Thiago, que é tão titulado, é um prazer enorme. É um prazer enorme poder partilhar o balneário com ele e jogar com ele. Treinando com ele todos os dias conhecemos a sua qualidade e vemos que realmente tem características muito interessantes. Nesta idade dá para perceber o pormenor tão limado, que é bonito de se ver. Agora sabemos porque é que ele ganhou tantos títulos e sabemos porque é que é o Thiago Silva. Acho que para todos nós, e para o clube, é um prazer enorme tê-lo na nossa equipa. É pelos títulos, pela sua carreira, por aquilo que sabemos que o Thiago representa, aquilo que ele é enquanto jogador e, tal como disse, é um prazer enorme poder partilhar o balneário com ele. Acima de tudo, é importante que ele seja mais um para nos ajudar a ganhar títulos”, disse Costa, destacando a surpresa pela vinda do veterano e o entusiasmo com a sua presença no plantel.
O guarda-redes também abordou a constante busca pela melhoria individual e coletiva, uma filosofia que, segundo ele, é intrínseca ao espírito do FC Porto. “Temos de estar sempre dispostos a aprender e a ajudar os nossos colegas e, com o Thiago, eu tenho de aprender e retirar as melhores características dele para poder melhorar a minha liderança. É uma tranquilidade ter jogadores como o Thiago a ajudar-me na liderança, porque para ser uma boa equipa e para se ganhar títulos é preciso ter grandes líderes, não só o capitão. Isso tem de partir de cada um dos jogadores. Ter essa personalidade, essa liderança, essa maturidade de querer evoluir e de querer o melhor para a equipa. Para mim e para os meus colegas é um prazer. É o Thiago Silva e nunca pensámos que ele voltasse ao FC Porto nesta fase da carreira. Foi uma grande surpresa, mas estamos muito felizes por tê-lo cá.”
A entrevista também revelou a mentalidade de “classe trabalhadora” que o clube abraçou. “Estamos muito confiantes, porque nós sempre acreditamos no trabalho desde o início. O mister já falou disso várias vezes, quando disse que nós somos uma equipa da classe trabalhadora. Isso é o mais importante e é o que nos pode levar ao sucesso. Estamos confiantes porque temos feito esse trabalho bem feito e queremos fazê-lo melhor, seja em termos táticos ou em termos da evolução de cada jogador. Esse é o caminho para se ter confiança e sucesso”, explicou Costa, reiterando a importância do esforço contínuo.
Por fim, Diogo Costa vincou a identidade do FC Porto e a sua ligação com a cidade, um fator que impulsiona a equipa a ir além. “O FC Porto para ganhar sempre precisou de correr mais, de trabalhar mais e de se esforçar mais do que os adversários. Queremos manter essa identidade, porque é uma identidade muito boa e é o melhor para a evolução de cada jogador, porque, como todos sabem, se nós estivermos bem e a evoluir, isso será sempre bom para o coletivo. É isso que procuramos, sabemos que o mais importante é sempre o coletivo e sabemos que nunca conseguiremos ganhar nada sozinhos, precisamos sempre da ajuda dos nossos colegas. Em todos os jogos que fizemos até agora corremos sempre mais do que os adversários, temos sempre mais três, quatro, cinco ou seis quilómetros a mais que a equipa adversária”, concluiu o guarda-redes, apontando para a perseverança e a capacidade de superação como pilares fundamentais do FC Porto. “Esta é a identidade do clube e da cidade. O Porto nasceu do sofrimento, em contraste com a capital, e, para se ganhar, costumamos dizer que a qualidade não chega. É preciso querer mais do que os outros e essa identidade já existe desde que o Porto existe.”