Num dia marcado pela emoção e pela necessidade de reerguer o espírito, o FC Porto superou o Nacional da Madeira com uma vitória tangencial (1-0), interrompendo uma sequência de dois jogos sem triunfos na Liga. O técnico Francesco Farioli e o herói da noite, Jan Bednarek, partilharam as suas análises sobre um encontro que teve como pano de fundo homenagens e superação de adversidades.
Francesco Farioli fez questão de enaltecer o simbolismo deste triunfo: “Hoje é um dia especial para o clube. Esta vitória é em memória do presidente dos presidentes. Estamos muito felizes por podermos dedicar esta memória ao seu legado e à sua família. Parte também é para o Samu. Esta semana foi muito difícil para nós e especialmente para ele.” O italiano sublinhou a dedicação vitoriosa a Pinto da Costa, falecido há um ano, e ao colega Samu, que enfrenta um período de lesão. “É um dia especial para o clube. Esta vitória é dedicada à memória do antigo presidente [Pinto da Costa]. Estamos muito contentes por ter a oportunidade de lhe dedicar esta vitória, pelo seu legado e partilhar este momento com a sua família. E também com alguém que está a passar um mau momento [Samu]. Sofremos muito esta semana com as notícias que tivemos sobre a sua lesão e hoje era importante dar-lhe o resultado que ele queria. Sabemos que ele estava em casa a ver pela televisão e queríamos muito dar-lhe esta vitória”, disse Farioli.
O treinador elogiou a performance da equipa e, em particular, de Gabri Veiga, que, ao entrar em campo, teve um impacto imediato: “O Gabri já demonstrou muitas vezes qualidade nas assistências. Na primeira bola em que ele tocou, entregou-a com muita qualidade ao Bednarek. Estamos muito felizes pelo resultado. Fomos muito sólidos ofensivamente e defensivamente”, afirmou Farioli. A entrada de Veiga e o papel dos jogadores menos utilizados foi destacado: “O Gabri é um jogador que se destaca pela qualidade da sua distribuição de bola. Ele estava pronto e decidimos acelerar com a substituição e acho que foi bom. Na primeira vez que tocou na bola, colocou-a com grande qualidade e o Jan [Bednarek] teve impacto nas bolas paradas.” Farioli também elogiou Zaidu: “A exibição do Zaidu foi muito positiva, e era um jogador que tinha feito o seu último jogo há várias semanas. A última vez que tinha sido titular foi em Utrecht, e mesmo depois de várias semanas, num momento de necessidade, teve uma boa exibição.” A profundidade do plantel foi um ponto realçado: “Na realidade, creio que a melhor prova da competência que temos é a dos jogadores que entram no onze e dão uma resposta tão positiva como o Zaidu. O último jogo em que foi titular tinha sido em Utrecht, no final de outubro, e hoje fez 90 minutos com um nível máximo de foco e dedicação. Estamos onde estamos pela força do plantel. Todos estão prontos para jogar, todos estão prontos para ajudar. Esta semana foi realmente complicada, por causa das lesões do Samu, do Kiwior e do Martim [Fernandes]. Especialmente a do Samu é uma perda grande. É algo que nos afeta muito, porque sentimos a dor que temos partilhado nestes dias. Por isso era importante reconstruir o grupo numa situação em que tínhamos também a pressão de voltar a conquistar um resultado importante. Mas penso que a resposta foi muito boa e agora temos mais uma semana para preparar o próximo jogo e continuar a avançar”, concluiu o técnico.
Sobre a estratégia adotada no jogo, Farioli admitiu cautela num terreno tradicionalmente complicado: “Os nossos jogos são muito semelhantes, porque defrontamos equipas que têm uma estratégia clara de não se exporem. Este jogo necessitou de paciência, qualidade e precisão. Por vezes, tivemos pouca eficácia no último passe. Não nos expusemos a transições. O Nacional tem força e qualidade na frente para ser perigoso.” E complementou: “Este era um jogo que requeria paciência e qualidade. Tivemos alguns bons momentos, mas também tivemos, por vezes, alguma falta de eficácia no último passe. Depois do golo, era importante não nos expormos nos momentos de transição, porque o Nacional é uma equipa muito organizada, com qualidade para ser perigosa. E num campo que é muito complicado, onde nenhuma equipa consegue vir fazer resultados com muitos golos. A reação do plantel foi muito boa.” A capacidade ofensiva do adversário também foi valorizada: “Vi-se como competiram. Por isso, os meus parabéns para eles e para o treinador deles. Quanto a nós, estamos muito satisfeitos com o resultado. Agora temos alguns dias para recuperar energias e depois entramos num período com vários jogos. Será importante recuperar todos e continuar em frente”, finalizou Farioli.
Jan Bednarek, autor do golo da vitória, refletiu sobre a dificuldade do embate: “Foi um jogo difícil, tendo em conta as condições. O relvado estava mole, estavam más e foi um daqueles jogos que é ganhar e ir para casa. Na primeira parte não os conseguimos bater, tivemos poucas ocasiões, mas estou feliz pelo golo e por não sofrer golos. É um daqueles momentos em que temos de ganhar e esquecê-lo”, disse Bednarek. Em relação ao golo, o defesa polaco revelou o trabalho por trás: “Pedi uma boa bola ao Gabri. Treinamos muito as bolas paradas e acabamos por as marcar. Feliz pelo Lino Godinho e Lucho González, da equipa técnica, que fazem esse trabalho connosco. Até agora, tem corrido tudo bem. Temos de continuar.” A dedicação do golo a Samu foi um gesto de apoio: “Depois de dois jogos, foi muito difícil, especialmente, sem o Samu. Dediquei-lhe o golo porque ele merece. Está a passar por um período complicado, mas vai ficar mais forte. Sofremos com o golo sofrido no último minuto contra o Sporting, com a lesão do Samu, mudanças na equipa, mas trabalhámos e merecemos isto hoje.” Bednarek elogiou ainda o jovem Oskar Pietuszewski: “Para fazer grandes coisas, temos de ter 11 líderes em campo. Não importa se têm 17 ou 40 anos. Temos de nos mostrar e estou orgulhoso pelo Oskar. Esteve bem com a bola e a assumir responsabilidades”, concluiu o jogador.