O clássico entre FC Porto e Sporting, que terminou empatado a uma bola no Estádio do Dragão, continua a gerar controvérsia e a pautar a atualidade do futebol português, mais de 24 horas após o apito final. Os incidentes registados no decorrer do jogo e as consequentes trocas de acusações entre os dois clubes dominaram as primeiras páginas da imprensa desportiva desta quarta-feira, com particular destaque para a guerra
de comunicados entre dragões e leões, bem como o rol de lesões que afetam ambas as equipas.
A polémica começou com o arremesso de uma camisola do Atlético Madrid na direção de Hjulmand, capitão do Sporting, por um adepto do FC Porto, um incidente que rapidamente escalou
para uma série de acusações mútuas. “Estamos desapontados. Fomos mais fortes nos últimos 25 minutos, mas foi um jogo complicado e muito disputado. Continuamos na primeira posição e com os mesmos quatro pontos de avanço. Ainda faltam muitos jogos e temos de continuar com a mesma atitude. Apoio incrível das bancadas, foi como sempre. Esperamos devolver aos adeptos qualquer coisa no final da época”
, analisou Victor Froholdt, médio do FC Porto, à Sport TV, refletindo o sentimento de desilusão pelo empate. Froholdt também abordou a estratégia e o desempenho em campo, afirmando: “Queríamos dominar o jogo e quando assumimos a posse o Sporting recuou um pouco. O plano era recuperar algumas bolas e explorar as transições. No geral creio que dominámos, mas o Sporting também esteve num bom plano. Vamos para cada jogo com a mesma mentalidade. Hoje saiu um empate, logo o próximo jogo é o mais importante e temos de continuar com o mesmo ritmo. Terminámos desapontados, mas ainda faltam muitos jogos e alguns muito difíceis. É fundamental continuar focados”
.
No rescaldo do jogo, a troca de argumentos escalou para o campo disciplinar, com o Sporting a anunciar uma participação ao Conselho de Disciplina da FPF, denunciando uma série de lamentáveis incidentes
. Entre as queixas, os leões mencionaram “condicionamento da arbitragem, balneários sugestivamente decorados, percursos de acesso aos balneários alterados (propiciando o contacto do staff com os adeptos do FC Porto), climatização manipulada, bancadas condicionadas com tarjas e colunas de som, e até apanha-bolas maniatados para esconder as bolas do jogo e retirar as toalhas do guarda-redes do Sporting”
. Em resposta, o FC Porto não tardou em reagir, considerando as alegações como “factos deturpados, falsidades e teorias da conspiração, e um evidente complexo de inferioridade”
. Os dragões afirmaram estar “perfeitamente confortáveis com qualquer participação ou averiguação do Conselho de Disciplina”
, assegurando ter cumprido todos os requisitos regulamentares. Além disso, o FC Porto anunciou que irá apresentar uma queixa contra Morten Hjulmand por uma alegada agressão a Tiago Galletto num jogo anterior.
A controvérsia em torno dos apanha-bolas e outras alegadas irregularidades já está a ser analisada por especialistas em direito desportivo. Gonçalo Almeida, advogado especializado na área, referiu ao Desporto ao Minuto: “É incrível como, em pleno século XXI, isto continua a suceder e para a Liga ainda é apanágio, infelizmente. Na questão dos apanha-bolas, o regulamento de disciplina da Liga de Futebol Profissional estipula no artigo 120.º, que aquilo que se passou são infrações disciplinares leves”
. As sanções podem variar, de acordo com Almeida, entre “repreensão e, acessoriamente, com uma sanção de multa entre cinco unidades de conta e no máximo 10, ou seja, entre os 500 e os 1.000 euros. Depois, em caso de reincidência, os limites dessa multa são aumentados”
. O advogado sublinha a necessidade de a Liga tomar medidas, seja de forma pedagógica ou mais agressiva
, para combater a indústria do futebol
e evitar que “estes comportamentos completamente prejudiciais à imagem do futebol português”
se repitam. Enquanto a guerra
de comunicados e os processos disciplinares se desenrolam, ambos os clubes enfrentam também um rol de lesões. Samu, do FC Porto, contraiu uma entorse no joelho que o afasta dos relvados até ao final da época, enquanto Martim Fernandes e Jakub Kiwior também sofreram mazelas. No Sporting, Geny Catamo pode ser baixa para o próximo jogo, intensificando os desafios para as duas equipas após um clássico que ficará marcado não só pelo resultado, mas por toda a polémica que o rodeou.