Jovane Cabral está a viver um momento de grande forma no Estrela da Amadora, assumindo-se não só como capitão da equipa, mas também como um elemento crucial na luta pela manutenção na Liga. O extremo, que marcou o primeiro golo da equipa contra o Gil Vicente, um jogo que garantiu um importante ponto, tem vindo a demonstrar uma faceta goleadora que há muito não se via na sua carreira.
Leonel Pontes, que orientou o jogador no Sporting em 2019/2020 – primeiramente nos sub-23 e depois de forma interina na equipa principal –, não se mostra surpreendido com a atual performance de Jovane. O agora diretor técnico do Shanghai Shenhua realça a evolução do atleta: “O Jovane tem várias valências e, até fruto da experiência e maturidade que adquiriu, pode ser um jogador que tenha evoluído e crescido neste contexto de jogo. Portanto, essa pode ser uma boa solução para ele, se ele tiver a regularidade do jogo. Jogando mais tempo, ganhando confiança, conhecendo melhor a equipa e os colegas, naturalmente estará melhor preparado para dar resposta às posições que for ocupando no campo”.
Com cinco golos na presente temporada, Jovane Cabral isolou-se como o melhor marcador da equipa entre os elementos do atual plantel, igualando Sidny Lopes Cabral, que se transferiu para o Benfica em janeiro, e aproximando-se de Kikas, que rumou ao Eupen. Esta é a sua melhor marca de carreira desde 2020/2021, época em que contribuiu com oito golos para o Sporting conquistar o título de campeão nacional. A sua reinvenção na Reboleira, sob o comando de João Nuno, tem sido notável, atuando numa posição mais adiantada no campo. No último desafio do Estrela da Amadora, Jovane integrou um trio dinâmico com Abraham Marcus e Ianis Stoica numa formação sem um avançado-centro fixo. Leonel Pontes vê nesta abordagem um potencial futuro para o jogador, sugerindo que Jovane pode desenvolver-se como um “falso nove”: “Ele é um jogador rápido na rotação, com espaço é um jogador que progride e pode desequilibrar e depois há o facto de ter uma boa ação técnica de remate, meia-distância, movimento dentro da área, pode aparecer de trás para a frente, cria problemas aos centrais e à marcação adversária. Portanto, ele até pode ser um falso 9, que joga um bocadinho mais baixo para poder ganhar os espaços, e de trás para a frente pode aparecer nos espaços vazios para finalizar”.