Ian Cathro e o futuro do Estoril: entre a ambição de crescimento e a paixão de um adepto

  1. Ian Cathro não assegura permanência no Estoril.
  2. Cathro quer levar Estoril a outro patamar.
  3. Gabriel Pinto, adepto do Estoril desde 2011.
  4. Estoril foi campeão da Liga 2 em 2011/12.

Ian Cathro, técnico do Estoril, não assegurou a sua permanência no comando do clube para a próxima temporada. Em conferência de imprensa, antes do embate com o Benfica, o escocês de 39 anos expressou o desejo de levar os canarinhos a um novo patamar, recusando-se a repetir o mesmo ciclo de trabalho ano após ano.

“É o jogo que vai fechar duas temporadas e talvez tenhamos de fazer uma pequena pausa para ver como é que vamos para a frente, como é que podemos entrar nessa próxima fase de crescimento do clube, da equipa. Não estou aqui para repetir o mesmo trabalho. Quero estar aqui e ajudar as pessoas a levar isto para a frente, para melhorar. Temos de nos sentar e definir muito bem como e se conseguimos fazer isso”, afirmou Cathro, salientando a necessidade de uma análise aprofundada sobre o futuro do projeto do Estoril. No que toca à emotiva despedida de Pizzi, que fará o seu último jogo como profissional, Cathro foi mais cauteloso nas palavras.

Haver um adepto do Benfica em Ermesinde (a pouco mais de dez minutos do Porto) pode não ser a coisa mais comum do mundo, mas não causa estranheza. Porém, ser ermesindense e afeto ao Estoril… arriscamo-nos a dizer que só o Gabriel e mais ninguém. “Sou adepto do Estoril desde 2011, tinha dez”, começa por dizer Gabriel Pinto, em entrevista a A BOLA. O jovem nortenho afeiçoou-se aos canarinhos, depois de ler, no jornal, que o clube estava em maus lençóis e que o diretor desportivo, Marco Silva, iria assumir o comando técnico da equipa. Corria a temporada 2011/12. À quinta jornada da Liga 2, houve chicotada na Amoreira e o atual treinador do Fulham assumiu a equipa. No primeiro jogo, a equipa perdeu 2-0 com o Aves e caiu para antepenúltimo. Era um começo enganador, uma vez que o conjunto da Linha acabaria por ser campeão e subir à Liga. “Eu não conhecia o Marco Silva, mas vi as notícias de que tinha passado de diretor desportivo para treinador e aquilo despertou-me a atenção. A partir daí, comecei a interessar-me e a acompanhar o Estoril”, conta Gabriel.

Não mais quis outra coisa, mesmo com um pai benfiquista em casa que ainda o tentou desviar para a Luz. “Quando eu nasci era benfiquista, porque o meu pai também era, mas depois cresci e nunca mais”, confessa. Em criança, “via que todos os meus amigos eram do Benfica, FC Porto ou Sporting”, mas essas modas não o estimulavam. Quando chegou à maioridade, tornou-se sócio do Estoril, mas antes já tinha ido ao Estádio António Coimbra da Mota (sozinho) ver um jogo: “A primeira vez foi em 2016. Fui sozinho de autocarro e passei o jogo a chorar de alegria. Ganhámos 2-0 ao Moreirense.” A partir daí, foi criando ligação até se sentir, verdadeiramente, em casa: “As pessoas dizem que sou doido e perguntam-me porque sou do Estoril, sendo de Ermesinde. Eu gostava mesmo que essas pessoas fossem à Amoreira ver um jogo… Eles vão à Luz, ao Dragão ou a Alvalade e não conhecem ninguém. Com o Estoril não assim. Há amigos, conhecemos toda a gente, sentimo-nos em casa.”

“A Rede Expressos tinha um autocarro a sair de Campanhã para Cascais às sete da manhã... Eu apanhava sempre esse, chegava lá às onze, via o jogo e voltava. Só que, depois, a Liga começou a pôr os jogos em horários que… enfim, agora já não dá para fazer isso”, lamenta, acrescentando que foi nessa altura que criou “ligação até com os jogadores”, de quem chegou a receber “camisolas em casa, por correio, como a do Yohan Tavares”, recordando ainda que “o próprio líder da claque” o ia “buscar à estação de Cascais”.

O ermesindense, de 25 anos, vai ver o jogo de sábado (20h30) diante do Benfica no sofá. Recusa-se a ver os jogos em casa contra os grandes e explica porquê: “Os jogos com Benfica, FC Porto, ou Sporting nunca quis ir ver. Não consigo ir ver o Estoril nesses dias, porque eu vejo pessoas que, durante o ano, dizem que são do Estoril, mas quando esses clubes vão lá mudam de camisola e eu não gosto disso.” Gabriel escolherá, por isso, ficar no sofá a rivalizar com o pai, admitindo que “esses jogos são sempre engraçados, porque cada um veste a camisola de cada clube”. O jovem antevê que “será difícil para o Estoril, ainda por cima com o Benfica a lutar pelo segundo lugar”. Sobre Pizzi, considera que “vai despedir-se não contra, mas sim no melhor clube que jogou [risos]”.

Já sobre o desafio que o Estoril terá de enfrentar contra o Benfica, Cathro prevê um embate de alta dificuldade. “Esperamos um adversário muito forte, como toda a gente sabe. Vamos ter de superar os nossos níveis. É um objetivo nosso, ao longo do tempo, melhorar e aprender cada vez mais para sermos mais competitivos. Nós temos de continuar a fazer o nosso caminho de crescimento e sermos capazes de competir com qualquer equipa. Vai ser mais difícil devido a quem está do outro lado, mas vamos focar-nos em nós, em fazer as nossas coisas e em melhorar. Queremos fechar duas épocas que representam muito crescimento na equipa e no clube da melhor maneira”, concluiu o treinador.

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