Estoril lamenta arbitragem, Arouca celebra reviravolta

  1. Arouca vence Estoril por 3-2.
  2. Ian Cathro critica arbitragem.
  3. Xeka lamenta o desfecho.
  4. Vasco Seabra elogia espetáculo.

A derrota do Estoril por 3-2 frente ao Arouca, após ter estado em vantagem, gerou reações distintas em ambos os campos. Enquanto o Estoril lamenta a perda e se sente prejudicado pela arbitragem, o Arouca celebra a capacidade de reação e a conquista de mais três pontos, com os técnicos a fazerem as suas análises. Ian Cathro, técnico do Estoril, não escondeu a sua frustração com o resultado e, em particular, com a atuação da equipa de arbitragem. “Não vale a pena falar do primeiro golo [do Arouca], é um erro e o futebol tem erros. Olhando para a primeira parte, tirando este erro, devo dizer que a nossa equipa fez um jogo muito competente, criámos várias situações, conseguimos limitar muitas vezes — não sempre porque é impossível acertar sempre —, a saída de bola e o ritmo de jogo do Arouca. Se fizermos uma análise — não à primeira parte toda, mas até ao lance que deu o segundo golo do Arouca —, fizemos um jogo muito bem conseguido. Depois desse lance, nós achamos e sentimos, com razão, que trabalhamos bem, somos uma boa equipa, trabalhamos bem todos os dias e vivemos a pensar que devemos ter mais pontos e competir por outras coisas. A verdade é que não conseguimos. Essa frustração aumenta quando sentimos mais uma coisa que vai contra nós. Tenho a certeza absoluta e vou tentar falar com equilíbrio porque venho de outra cultura e não quero falar de arbitragem todas as semanas, principalmente quando não ganhámos. Vão dizer que estou a chorar porque perdi. Se aquele lance que deu a bola parada acontece num jogo contra outra equipa, estamos a ver essa imagem mil vezes antes da meia-noite, com montões de pessoas a falar. Mas como é o Estoril, vamos para casa, pouca gente vê o jogo, pouca gente vai falar da qualidade do jogo e dos jogadores e fica que “perdeu”. A partir daí, não conseguimos ultrapassar este momento e voltar a sentirmo-nos “limpos” na parte emocional. Talvez seja essa a explicação que tenho para a dificuldade que sentimos na segunda parte”, afirmou Cathro. O técnico fez questão de sublinhar as dificuldades da sua equipa, referindo: “Se tu querias podias vir e sentar-te no banco. Estão lesionados, fazemos este jogo com todos os centrais lesionados. Só um foi para campo. Também não é fácil. Não quero que escrevam que o estrangeiro está a chorar porque perdeu.” Apesar da posição na tabela, o técnico estorilista desabafou: “Não vou estar aqui feliz e a tentar falar do Estoril em 7.º lugar, eu posso dizer estas coisas porque são factos. Mas estamos zangados com isto, achamos que dava para fazer mais. Mas não sentimos que temos condições e temos muita coisa contra nós. Talvez pela primeira vez na história do Estoril estamos em 7.º lugar e estamos em crise. É o que sinto.” Para finalizar, e já a pensar no próximo desafio, Cathro afirmou: “Amanhã tenho folga, vou tomar um café da manhã e não vou pensar em nada disso. Depois, a vida continua.”

Do lado do Estoril, Xeka, autor de um dos golos, mostrou-se contente pelo regresso aos golos, mas lamentou o desfecho da partida. “Acho que foi um jogo aberto, onde os pequenos detalhes fizeram a diferença. Houve menos concentração, uma bola parada que deu um golo pelo segundo jogo seguido. Temos de nos culpar a nós, porque é por demérito nosso que não ganhámos. Tudo o que trabalhámos durante a semana fizemos, mas saímos derrotados.” Questionado sobre a falta de energia, o médio sentiu que: “A nossa entrada na segunda parte deu dois lances e no final da primeira parte também. Sofrer um golo de lançamento custou, porque não deu para levantar a moral e quando isso acontece nem sempre dá para retirar o melhor resultado.” Sobre o seu regresso aos golos, Xeka refletiu: “É importante. Não pelo golo, mas a continuidade de jogar. Passou um ano desde a minha lesão, tenho trabalhado muito, os colegas ajudam-me, mas sou apenas mais um. Esse sentimento perdeu-se quando o jogo acabou. É continuar a trabalhar e vou tentar que estes jogos não se repitam. Queria agradecer aos nossos adeptos, foi numa segunda-feira chuvosa. Um obrigado para eles.”

No Arouca, Vasco Seabra, técnico dos arouquenses, elogiou o espetáculo e a qualidade do adversário, mas expressou que: “Foi um excelente jogo, entre duas equipas com muita qualidade, bons executantes. Sinceramente, duas ideias de jogo que apelam a um jogo altamente positivo, virado para as balizas do adversário. Preferia ter ganho sem sofrer, mas defrontámos um adversário que tem muita qualidade e cria problemas. A forma de jogar do Estoril é difícil de contrariar. Tivemos dificuldade na primeira parte para conseguirmos estancar o jogo interior do Estoril. Têm oito jogadores por dentro e dois por fora. Faz uma construção com apenas os laterais a dar largura. Quando vamos pressionar com os dois médios à frente, libertamos os interiores. Esse encaixe nem sempre é fácil, principalmente contra uma equipa com qualidade individual. Tivemos o bloco ligeiramente espaçado e o Estoril criou dificuldades em roubar a bola. Ainda assim, tivemos as melhores oportunidades. Fizemos o golo e tivemos outra oportunidade. Tivemos três situações claras. Fomos para o intervalo com alguma felicidade, mas creio que com mérito.”

Analisando a segunda parte, Seabra afirmou: “Na segunda parte creio que fomos mais dominadores, roubámos mais vezes a bola, tivemos mais critério e isso desgastou o Estoril. Creio que também caiu fisicamente perante a nossa construção e libertou mais espaços. Podíamos ter fechado mais cedo. O Estoril teve uma bola pela esquerda em que podia ter feito golo, mas fomos mais capazes, sofremos e superámo-nos. Merecemos.” Em relação ao crescimento da equipa, o técnico salientou que: “Tivemos um crescimento muito forte, a equipa manteve-se estável a acreditar nos processos. Estabilizámos, temos feito exibições muito consistentes, fizemos a segunda vitória consecutiva, queremos superar a marca de pontos da época anterior. Vamos com a vontade de irmos exibicionalmente crescendo. Eles [os jogadores] merecem ser valorizados e como tal temos que não baixar nem negociar.” Sobre a luta pela permanência, Seabra esclareceu: “Nós não olhamos para esse objetivo como ideal de época, traçámos desde o início um objetivo que queríamos melhorar a época anterior, melhor na classificação e na pontuação. Ao mesmo tempo, a nível exibicional ter capacidade para ter coragem nos jogos. Esse também é um dos objetivos, temos de fazer pontos e valorizar jogadores. Continua a ser um objetivo muito claro nestes próximos seis jogos.” Pablo Gozálbez, jogador do Arouca e um dos destaques, expressou a sua satisfação pela reviravolta: “Foi um jogo difícil, mas conseguimos a reviravolta. Fomos melhores na primeira parte, mantivemos a vantagem até ao fim. Foi difícil, mas lutámos juntos até ao fim e conseguimos.” O espanhol destacou ainda a performance coletiva: “Tentámos seguir o nosso plano de jogo, mas em algumas fases eles estiveram melhor. Mas fizemos um grande jogo.” E por fim, sobre o golo de bola parada, Gozálbez afirmou: “Sim, mas treinámos as bolas paradas. São coisas que acontecem e fico feliz pela vitória. Também pelos adeptos, que nos acompanham sempre. Fico muito feliz também por eles.”

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