Na sequência da 27.ª jornada da Liga, que culminou na vitória do Rio Ave sobre o Estoril por 2-1 no António Coimbra da Mota, os treinadores Ian Cathro, do Estoril, e Sotirios Sylaidopoulos, do Rio Ave, partilharam as suas análises e perceções sobre o desafio. A partida, que marcou a quarta derrota caseira para o Estoril e o terceiro triunfo consecutivo para o Rio Ave, gerou diferentes leituras por parte dos técnicos, mas convergindo na ideia de que há sempre margem para melhoria e trabalho a fazer. A vitória do Rio Ave consolidou o seu bom momento, enquanto o Estoril procura reverter a tendência negativa.
Ian Cathro expressou a sua frustração com o resultado, mas também a vontade de olhar para o futuro e para o trabalho contínuo. Em declarações, afirmou: “Já nem me lembro das outras… Falando do jogo de hoje há duas possíveis perspetivas. Por um lado, posso demonstrar a minha frustração com o penálti, com as oportunidades em que não conseguimos marcar um golo e criar essa ideia de que foi um resultado injusto. Ou, por outro lado, posso dizer que não fizemos um bom jogo. Não no sentido em que ficámos por baixo do jogo ou que o adversário nos tenha superado por completo, mas acho que entrámos, não sei se é a palavra certa, um pouco bloqueados ou confundidos. O nosso jogo, quando estamos mesmo ligados, tem uma fluidez, velocidade de decisão, uma grande frequência de recuperações, mas hoje não conseguimos fazer isso, por isso acho que não fizemos um bom jogo. Também sei que fizemos um jogo suficientemente competente, provavelmente para ter outro resultado, mas, como queremos melhorar, acho melhor apostar nesta segunda versão. Como o mundo não vai acabar, ou esperemos que não acabe, temos trabalho para fazer”
. O treinador do Estoril também comentou sobre a postura da sua equipa e do adversário: “Não, já tinha dito antes do jogo, estava à espera de uma equipa mais robusta, mais agressiva, mais forte nas segundas bolas, muito vertical. Acho que ninguém ficou surpreendido, nós ‘que não conseguimos fazer o jogo ao nosso nível”
. Cathro ainda abordou a situação individual de um dos seus jogadores. “Primeiro temos de respeitar porque estamos a falar de um jogador que está a regressar de lesão. Não foi um ano, mas foi perto de um ano o tempo que ele esteve parado. É um processo que demora tempo, não estamos a falar de um jogador de 18 ou 19 anos, o Xeka já tem muitos quilómetros no corpo e queremos ajudá-lo a chegar ao pique de rendimento outra vez. O que aconteceu no jogo, foram mais dificuldades a nível coletivo do que a nível individual”
. Sobre uma decisão tática, o técnico canarinho assumiu: “Foi uma decisão minha, tentei mudar alguma coisa no jogo”
. O treinador canarinho fechou as suas declarações mostrando a resiliência dos seus jogadores, mas reconhecendo a ineficácia, “Olhando para o jogo todo, nem sempre a ordem dos golos explica tudo num jogo de futebol. Hoje não conseguimos entrar bem no jogo, talvez bloqueados por culpa nossa e pelo trabalho do adversário. Senti a equipa confundida e isso é culpa de todos. Na segunda parte houve as paragens do VAR e o jogo entrou num ritmo já de frustração e ansiedade por não conseguirmos o que queríamos para o jogo. Ficou evidente a vontade dos jogadores mas não conseguimos”
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Do lado do Rio Ave, Sotirios Sylaidopoulos demonstrou a sua satisfação com o desempenho da equipa e o caminho percorrido. “Acreditei sempre, mesmo nos momentos mais difíceis. Sempre acreditei nos jogadores, na equipa e no trabalho que fazemos todos os dias no centro de treinos. Também foi isso que nos fez continuar, que nos fez continuar a acreditar e é por isso que agora conseguimos estas três vitórias. Estamos a tirar rendimento de toda essa confiança, de todo este trabalho e de todas as ligações que fomos criando. Claro que houve um período de transição quando mudámos vários jogadores, mudámos o plantel e acho que também mudámos como clube. Houve uma maior ligação entre a direção, o staff, os jogadores. Agora merecemos estes resultados e estamos muito satisfeitos”
. O técnico grego fez questão de salientar a importância do esforço coletivo. “Não acredito em cliques, acredito em trabalho, acredito em darmos o melhor de nós, acredito nos valores que são transmitidos dentro do clube. Acho que a primeira parte da temporada não foi assim tão má, conseguimos vinte pontos, mas jogávamos de uma forma diferente porque tínhamos jogadores diferentes com características diferentes. Mudámos quase metade da equipa titular em relação à primeira volta. No futebol é preciso tempo para trabalhar aspetos táticos, para implementar novas ideias na equipa, mas também é preciso tempo para se criarem ligações, este sentimento de pertença dentro da equipa. Estou muito contente porque, neste momento, como equipa, estamos a jogar de uma forma que me deixa muito orgulhoso. Pelo espírito combativo, por nunca desistirmos, pelo compromisso dos jogadores. É o trabalho que nos deu estas vitórias e que torna a vida mais doce”
. Sylaidopoulos concluiu a sua intervenção apontando o foco na melhoria coletiva, referindo: “Acho que melhorámos muito a nível coletivo, quando o coletivo melhora é mais fácil sobressair individualmente, isso também faz parte do nosso trabalho. Quando jogadores como o Clayton e o Luiz saem do clube, depois de terem feito aqui coisas maravilhosas, é o momento de trabalharmos os jogadores que temos e procurar evoluir com os jogadores que fomos buscar ao mercado. Acho que escolhemos bons jogadores, com boas características. Senti, acima de tudo, que somos mais equipa, coletivamente, com valores muito básicos no nosso jogo que permite sobressair jogadores como o Bezerra ou Blesa. Mas não apenas dois ou três jogadores, como viram hoje, o Brabec marcou, o Spikic está a jogar de uma forma diferente. Acho que estamos mais fortes como coletivo do que estávamos na primeira volta”
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