João Pereira Desiludido com Saída do Casa Pia, Enquanto Álvaro Pacheco Celebra Permanência

  1. João Pereira: “Sinto que deveriam ter confiado em mim.”
  2. Vitinha ponderou desistir aos 15 anos.
  3. Renato Nhaga é considerado o melhor jogador com quem trabalhou, segundo Pereira.
  4. Álvaro Pacheco garantiu a permanência do Casa Pia na elite nacional.

João Pereira, antigo treinador do Casa Pia, esteve recentemente na 4.ª Conferência da Bola Branca, da Rádio Renascença, onde abordou a sua saída do clube. Durante a entrevista, Pereira expressou um sentimento de desilusão, afirmando: “Sinto que deveriam ter confiado em mim.” O técnico recordou ainda o seu otimismo inicial em relação à equipa de Pina Manique: “Um dia antes, disse que tinha a certeza de que íamos fazer uma grande temporada.” Apesar da saída, João Pereira fez questão de desejar boa sorte aos “gansos” no playoff da Liga: “Desejo que hoje consigam a permanência.” Em relação ao seu percurso no futebol, o treinador manifestou gratidão a quem o apoiou: “Estou muito grato às pessoas que acreditaram em mim, independentemente de depois terem desacreditado, faz parte do futebol, são decisões que têm de ser tomadas.”

Ainda a respeito da sua saída do Casa Pia, João Pereira revelou que o clube vivenciou um período instável. “O Casa Pia viveu um período menos positivo. Muitos clubes na Liga vivem com uma vitória em 9 ou 10 jogos”, explicou, comparando a situação com outros clubes que, apesar de fases difíceis, acabaram por ter uma boa época. O técnico também confessou ter recebido abordagens de outros clubes, mas optou por não aceitar: “Sei que há clubes que pensaram em trocar este ano, felizmente não trocaram e acabaram por fazer uma boa época ou uma excelente época, dentro daquilo que são os seus objetivos. Cheguei a ser abordado. Por opção, tomei a decisão de não trabalhar. Estou a terminar, em Madrid, o curso UEFA Pro. É sempre diferente a forma de liderar um clube, tendo ou não a licença.”

Aprofundando sobre talentos com quem trabalhou, João Pereira demonstrou grande confiança no potencial de Vitinha, com quem colaborou no FC Porto. “Eu acredito e até poderíamos discutir se já não deveria ter ganho, isso não é a minha função, mas tenho a minha opinião. Sempre foi o que é, muito trabalhador, muito humilde. Já na altura se reconhecia muita capacidade nele”, salientou. O treinador recordou ainda um momento crucial na carreira do médio do PSG: “Ele não tinha o espaço devido na altura. Tinha, ao seu lado, Fábio Vieira, Romário Baró, o André Silva, o Afonso Sousa. Na altura, se calhar, não tinha o número de jogos a titular que pretendia, até por uma questão de rotatividade, que deve existir na formação. Ele ponderou desistir. Foi um trabalho interno que o FC Porto, na altura, fez, quando ele tinha 15 anos, nos iniciados. Tinha de fazer viagens muito longas, a pressão da escola, dos pais…Felizmente, deu continuidade.” Questionado sobre o melhor jogador com quem trabalhou, Pereira surpreendeu ao destacar Renato Nhaga: “O Renato Nhaga. Era um jogador que jogava futebol há pouco tempo, com 17 anos estreia-se na Liga, num jogo contra o Sp. Braga, pelo Casa Pia, que não é um clube com uma formação grande. Vem de um contexto de segunda divisão nacional e que hoje está no Galatasaray, foi campeão, tem a vida organizada, se tiver juízo e for bem aconselhado. É um miúdo que é tão humilde quanto era quando estava no Casa Pia.” O técnico negou ainda ter sido convidado para a equipa técnica de José Mourinho no Fenerbahçe e expressou o desejo de treinar uma equipa na Liga dos Campeões no futuro, procurando um projeto “que saiba o que quer”, seja em Portugal ou no estrangeiro. “Não vou esconder, tive entrevistas, mudei de agente, por querer experimentar algo diferente, numa empresa com capacidade para abrir outras portas, outras ligas. Veremos o que vai acontecer. Seja em Portugal ou no estrangeiro, o que quero é um projeto que saiba o que quer, com boas pessoas e em que possa levar pessoas importantes para mim”, concluiu.

Em contraste, Álvaro Pacheco, atual treinador do Casa Pia, celebrou a permanência do clube na Primeira Liga. O técnico fez um balanço positivo do seu percurso, afirmando: “Objetivo cumprido: Álvaro Pacheco garantiu a permanência do Casa Pia na elite nacional.” No final do jogo decisivo contra o Torreense, Pacheco revelou os seus planos futuros face à cláusula de renovação automática em caso de manutenção. “Eu tenho contrato. Sinceramente, ainda não falámos [sobre o futuro], focámo-nos apenas nesta época. O nosso foco foi o de conquistarmos a permanência o mais rápido possível. Sabíamos que ia ser até ao fim, mas também não imaginava que ia ser mesmo até ao fim [risos]. Mas conseguimos. Agora vamos ter tempo para desfrutar um pouco e depois pensarmos e planearmos como será a próxima época”, disse o treinador, em entrevista coletiva. Álvaro Pacheco mostrou-se otimista e ambicioso para a próxima temporada: “Acredito que para o ano vamos estar cá e vamos fazer coisas bonitas para ajudarmos o clube a profissionalizar-se e a ser mais forte. O Casa Pia merece e os casapianos também merecem.”

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