Proibição de coreografia gera polémica e levanta questões sobre liberdade de expressão

  1. PSP proibiu coreografia do Braga
  2. Justificativa do subintendente André Carvalho
  3. Agressão a uma mulher octogenária
  4. Braga tem jogos importantes em março

A recente decisão da Polícia de Segurança Pública (PSP) de proibir a coreografia preparada pelos adeptos do Braga gerou uma onda de indignação e levantou sérias questões sobre a liberdade de expressão e o apoio aos clubes em Portugal. O incidente ocorreu no dérbi minhoto, onde, após semanas de trabalho e com as devidas autorizações da Liga Portugal e da Cruz Vermelha, um impressionante tifo que celebrava a história e as origens de Braga foi impedido de ser exibido.

A justificação apresentada pelo subintendente André Carvalho, de que “não se vislumbra que a coreografia (…) se enquadre no apoio aos clubes e sociedades desportivas intervenientes”, é considerada por muitos como “ignóbil e fria”. O conteúdo do tifo, que incluía a mensagem em latim “Priusquam nomem daretur, iam terra erat. Priusquam urbs esset, iam populus erat. Ex gentibus antiquinis nata est Bracara Avgvsta, ubi arma, fides et terra unum facta sunt.” (Antes de ter nome, já era terra. Antes de ser cidade, já era povo. Destas gentes antigas nasceu Bracara Augusta, onde armas, fidelidade e terra se uniram numa só), e referências claras à cidade de Braga, às suas origens e símbolos, contradiz a justificação da PSP. A decisão não só impediu a manifestação cultural de apoio, como também abriu “um precedente perigoso no que diz respeito à liberdade de expressão e à liberdade para apoiar”.

Além da polémica em torno do tifo, o incidente foi agravado por “conhecidos e violentos comportamentos de alguns agentes de autoridade, no caso da PSP, que, de forma grotesca e simples, agrediram, sem motivo aparente, e entre outras pessoas, uma mulher idosa, octogenária”. Estes acontecimentos, que geraram uma sensação de insegurança, levantaram a questão: “Quem nos protege da polícia?”. A PSP de Braga, por sua vez, justificou a decisão com a “proximidade entre os materiais coreográficos e artefactos pirotécnicos”, uma justificação considerada “original” e que “fragiliza de forma impactante a credibilidade de uma instituição desta responsabilidade”.

Apesar da polémica fora das quatro linhas, o Braga tem um calendário exigente no mês de março, com “grandes decisões a chegar este mês”. A equipa, que compete em várias frentes, terá jogos contra o Sporting, FC Porto e a eliminatória europeia com o Ferencváros. O objetivo principal é a “consolidação do quarto lugar” na I Liga, e Carlos Vicens já afirmou que “o melhor ainda está por vir”. O clube, em resposta ao incidente do tifo, lançou “camisolas com o referido tifo”, cujos lucros serão doados para apoiar a reabilitação de Fernando Jorge, um sócio que sofreu um acidente. Uma iniciativa que demonstra o espírito de união e solidariedade do clube, reafirmando que é “Um Clube. Uma Cidade.”

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