O SC Braga prepara-se para um confronto desafiador nas ilhas, onde enfrentará o Nacional pela 24.ª jornada da Liga. O triunfo (3-2) sobre o Vitória de Guimarães na ronda passada, e a derrota (1-3) do Gil Vicente no reduto do Estoril, permitiram aos arsenalistas regressarem à 4.ª posição da tabela classificativa. No entanto, o técnico Carlos Vicens sabe que a viagem à Pérola do Atlântico não será fácil e exige o máximo da sua equipa.
“Sabemos que ir à Madeira acarreta sempre dificuldades. É um jogo importante para nós, para o qual creio que nos preparámos bem durante toda a semana e no qual sabemos que temos de entrar com energia, com ambição e com a indubitável missão de ir para ganhar o jogo desde o início. Com esse foco viajamos esta tarde e com a vontade de voltar da viagem com os três pontos”
, começou por dizer o treinador espanhol na conferência de imprensa. Vicens detalhou ainda o que espera do adversário: “É uma equipa que vai tentar dificultar a nossa saída de bola, que vai tentar estar junta e conceder-te poucos espaços para aproveitar erros de passe. Serão intensos na sua pressão, tendo provocar-nos erros ou jogo talvez mais direto. Com bola, é uma equipa que propõe, que abre os seus centrais, que joga com o guarda-redes, que tem combinações com os jogadores interiores, que tem capacidade com extremos de ameaçar na profundidade e que depois na bola parada é uma equipa forte.”
Apesar do sorteio da Liga Europa ter colocado o Ferencvaros no caminho do SC Braga, Vicens mantém o foco na próxima partida. “Da Liga Europa falaremos quando chegar, quando acontecer. E agora o foco está exclusivamente posto no que comentávamos. Preparámos a semana tratando de rever em que coisas tínhamos que limar detalhes para sermos mais capazes de ter um controlo maior sobre o jogo, de como também trabalhar em detalhes defensivos que nos permitam conceder menos ocasiões de golo, em como estar muito focados na bola parada e outras coisas que fomos trabalhando durante a semana para amanhã enfrentar um jogo que sabemos que tem dificuldades e que historicamente é um jogo, um campo difícil. E que obviamente temos um rival que também vai sair para o jogo e ao qual queremos impor-nos. Então, com todos estes ingredientes, trabalhámos bem, com confiança, com força, com energia.”
O técnico também abordou a questão dos goleadores, como Jesús Ramírez do Nacional, mas preferiu salientar a importância do jogo coletivo. “Como em todas as equipas, eu creio que há gente que marca os golos, há gente que assiste, mas não deixa de ser o produto do que o coletivo por trás está a fazer que permite aos assistentes assistir e aos goleadores marcar. Não vamos descobrir agora o Chucho, mas o que quero dizer é que não podes só decidir pôr-lhe um homem que não lhe permita tocar na bola e que a equipa rival desapareça. Eu creio que há aí meandros internos do jogo deles que permitem à equipa ter estas cifras goleadoras. Então, no que temos de estar muito bem é em que coletivamente nós sejamos capazes de nos impor ao rival, sabendo que o jogo acarreta dificuldades, que eles jogam em casa, que vão sair com energia.”
Carlos Vicens elogiou ainda o empenho dos seus jogadores e a forma como a equipa tem evoluído. “Gosto de dar muita relevância ao coletivo e que creio que através do trabalho que levamos a fazer desde há já muitos meses, pois os jogadores creio que se estão a encontrar à vontade a trabalhar diariamente connosco. Estão a jogar com, diria, naturalidade, com flow. Conseguimos ver, detetar, potenciar sinergias entre eles durante a temporada. E creio que isto no final reflete-se no seu rendimento. Porque é a sensação que eu tenho, digo-vos com total honestidade. Quando eu vejo os rapazes treinar, vejo-os treinar contentes. Vejo-os vir trabalhar no dia a dia com vontade de treinar, vejo-os treinar contentes. Tivemos chuva, tivemos frio, tivemos vento e vejo-os com fome, vontade de estar ali cinco minutos antes de que comece o treino, preparados para entrar todos à porta do terreno de jogo de treino com vontade de treinar. E isto, primeiro, deixa-nos muito contentes e também nos faz ver que as ideias que lhes trouxemos, que lhes pusemos à disposição deles para que as utilizem, pois estão a gostar.”
No final, o treinador referiu a necessidade de a equipa polir detalhes
, nomeadamente ser “capaz de ter um controlo maior sobre o jogo”
, e elogiou a prestação de Diego no lado esquerdo do meio-campo diante dos vimaranenses. “Pensei que precisávamos de um pé extra na saída com bola e ajudou-nos nesse momento e na chegada [à baliza adversária], dois dos golos têm uma ação importante dele. Ele estava a entrar bem nos jogos anteriores e estamos contentes com a forma como rendeu. Tem um futuro muito brilhante no Sporting de Braga”
, concluiu.