O dérbi minhoto entre SC Braga e Vitória de Guimarães promete ser um encontro de grande intensidade, com os treinadores Carlos Vicens, do lado bracarense, e Luís Pinto, da formação vimaranense, a partilharem as suas expetativas antes do confronto agendado para este sábado. Ambos os técnicos salientaram a importância do jogo e a necessidade de as suas equipas darem uma resposta positiva.
Carlos Vicens, que comanda o Sp. Braga, expressou o desejo de corrigir os erros do passado recente. “É um jogo que todos esperávamos desde domingo porque vimos de um resultado negativo (derrota por 2-1 com o Gil Vicente) e de um jogo menos bom. Queremos corrigir isso. Treinámos toda a semana para estarmos preparados e com energia para disputar o jogo, ganhar e dar uma alegria aos nossos adeptos pelo apoio que nos têm dado”, afirmou o treinador. Vicens também destacou a natureza especial do dérbi e a importância de uma abordagem focada: “Há o sentimento de que é um jogo especial, também porque é o jogo seguinte. Não o vamos preparar a pensar nesses dois jogos anteriores, mas no que temos de melhorar em relação ao nosso último jogo. Queremos ganhar sendo uma equipa competitiva e aguerrida.” Relativamente ao desempenho da equipa, o técnico admitiu a necessidade de maior consistência defensiva: “Somos a segunda equipa com mais golos, a seguir ao Sporting, mas defensivamente temos de sofrer menos e isso passa por cuidar mais os detalhes. Na Amadora, estávamos a ganhar por 3-1 e dois despistes levaram a que perdêssemos dois pontos (3-3). Com o Estoril tivemos ocasiões para nos colocar na frente, mas não marcámos (derrota por 1-0), na final da Taça da Liga também. Como podemos compensar isso? Não sofrendo golos.” Num tom mais sério, Vicens abordou a questão do racismo, defendendo valores de respeito no desporto: “Do lado do Sp. Braga, o que posso dizer é que, como profissionais e também como cidadãos integrados numa comunidade, queremos ajudar a que um dos valores que impere no desporto e no futebol seja o do respeito e não dar vida ao racismo. Como cidadãos, temos de ajudar a que estes temas não existam. Tem de haver respeito e, obviamente, sem racismo.” Para este jogo, o Sp. Braga não poderá contar com Niakaté, Vítor Carvalho, Gorby e El Ouazzani, todos lesionados.
Do lado do Vitória de Guimarães, Luís Pinto salientou a responsabilidade que o dérbi acarreta: “Este é um jogo com contornos especiais, que representa muito para muita gente e, por isso, propõe-se a jogar com essa responsabilidade.” O técnico antecipa um dérbi recheado de emoção: “Esperamos um jogo com tudo aquilo que um dérbi deve ter: emoção, paixão, com duas equipas a querer ganhar.” Luís Pinto desvalorizou a recente vitória na Allianz Cup contra o mesmo adversário, focando-se no presente: “Não acredito no quem vem de trás, porque os dérbis são isto mesmo: focar no que naquele dia se disputa. A nós só nos interessa um resultado, a vitória. Queremos estar ao melhor nível para levar os três pontos.” O treinador também analisou o SC Braga, esperando uma equipa mais pragmática: “Espera um SC Braga mais pragmático do que a que era na altura [final da Taça da Liga], mas igualmente com um jogo bastante elaborado no processo ofensivo, com bastante qualidade individual e coletiva.” Sublinhou ainda a evolução do adversário e a forma como a emoção do dérbi pode influenciar o jogo: “É uma equipa que conseguiu ganhar alguma consistência em diferentes momentos que, à data do nosso último jogo, não tinha, ou que não era tão capaz. No entanto, julgo que, por ser um dérbi, alguns desses fatores podem ficar um bocadinho diluídos pela emoção do jogo e nós queremos utilizar isso, obviamente, a nosso favor.” Em termos de baixas, Luís Pinto confirmou a ausência de Óscar Rivas e a provável de Gonçalo Nogueira: “O Rivas está descartado com total certeza. O Gonçalo, em princípio, também estará. Está num processo de melhoria, mas ainda irá fazer um exame, mas à partida também está fora.” Por fim, o treinador vimaranense apelou ao apoio dos adeptos para impulsionar a equipa: “Devemos utilizar aquilo que a nossa cidade vive com estes jogos para nos galvanizar dentro de campo. Temos de conseguir usar a energia que recebemos de fora, ao mesmo tempo que há momentos em que temos de conseguir, através do que fazemos, galvanizar quem está lá fora também.”