O Boavista desistiu da sua participação na 1.ª Divisão da AF Porto, uma decisão que antecipa o desfecho de um processo disciplinar. Este processo foi instaurado pelo Conselho de Disciplina da AF Porto devido à falha da equipa em comparecer em três jogos, por não conseguir inscrever jogadores suficientes. A direção do clube axadrezado
optou por abdicar da participação nesta edição do último escalão da AF Porto, perante o desfecho que já seria expectável do procedimento disciplinar em curso.
Esta situação insere-se num contexto de crescentes tensões entre a SAD e a direção do clube. A SAD do Boavista lamentou, em comunicado, os ataques sucessivos
por parte da direção do clube, liderada por Garrido Pereira. A direção do clube apontou o incumprimento da SAD, detida por Gerard Lopez, relativamente ao protocolo entre as duas entidades, como uma das principais razões para as dificuldades financeiras do clube. Esta justificação surge na sequência do pedido da administradora judicial da insolvência do Boavista para o encerramento da instituição pelo Tribunal de Comércio de Gaia.
A Desistência e as Implicações Desportivas
A decisão do Boavista de se retirar da 1.ª Divisão da AF Porto não é apenas um revés desportivo, mas também um sintoma de problemas mais profundos. A incapacidade de inscrever jogadores suficientes para cumprir o calendário de jogos é um claro indicador de dificuldades de gestão e organização. A antecipação de um processo disciplinar, que resultaria certamente em sanções, apenas formaliza uma situação já insustentável. Esta desistência tem um impacto direto no desenvolvimento de jovens talentos e na estrutura competitiva do clube a níveis mais baixos, deixando um vazio no escalão regional.
É crucial notar que, paralelamente a esta equipa, a SAD do Boavista, sob a alçada de Gerard Lopez, compete na Liga Pro da AF Porto, o escalão principal. No entanto, enfrenta as suas próprias adversidades, competindo atualmente com os juniores devido a transfer bans
ainda em vigor. A complexidade do cenário agrava-se com a existência do Panteras Negras FC, um clube formado por sócios e membros da claque do Boavista na mesma 1.ª Divisão da AF Porto, evidenciando a fragmentação e a paixão em torno do clube num momento tão delicado.
A Guerra Aberta entre Clube e SAD
A tensão entre a SAD e a direção do clube Boavista atingiu um ponto de ebulição, com acusações mútuas a minarem a estabilidade da instituição. A direção do clube, liderada por Garrido Pereira, acusa a SAD de incumprimento do protocolo estabelecido, apontando-o como a raiz das dificuldades financeiras que levaram ao pedido de encerramento do clube pela administradora judicial da insolvência. Esta narrativa coloca a SAD no centro das responsabilidades pelos problemas que afetam o Boavista.
Em resposta, a SAD refuta veementemente as acusações, alegando que o clube está a construir uma narrativa
para a responsabilizar por “praticamente todos os problemas”
. A SAD argumenta que esta postura a transforma num “alvo fácil e no álibi de todas as dificuldades”
, desviando a atenção das “decisões, omissões e fragilidades da Direção do Clube”
. Critica ainda a falta de soluções concretas e os ataques constantes
sem autocrítica por parte da direção, reafirmando o seu compromisso com a “estabilidade e a credibilização do Boavista”
e recusando “participar em estratégias de transferência de culpas”
.
Perspetivas Futuras e o Cenário de Instabilidade
A crescente animosidade entre a SAD e a direção do Boavista, aliada aos problemas desportivos e financeiros, projeta um futuro incerto para o clube. A ausência de uma frente unida e a constante troca de acusações apenas contribuem para a instabilidade, afastando potenciais soluções e investidores. A questão financeira é premente, com o pedido de encerramento do clube a pairar como uma ameaça real, e a capacidade de superação passará inevitavelmente por uma reconciliação e um alinhamento de estratégias entre as partes.
A paixão dos adeptos, demonstrada pela existência do Panteras Negras FC, é um ativo inegável, mas a fragmentação a nível administrativo compromete a coesão necessária para enfrentar os desafios. O Boavista encontra-se numa encruzilhada, onde a superação das divergências institucionais e a clarificação das responsabilidades serão cruciais para a sua sobrevivência e para a reconstrução de um projeto desportivo e financeiro sustentável. O desenrolar desta disputa será, sem dúvida, um dos capítulos mais críticos na história recente do clube.