A administradora de insolvência do clube anunciou o depósito de 53.371,64 euros na conta da massa insolvente, adiando, por ora, o encerramento imediato da atividade. O montante foi entregue após o clube ter falhado o prazo inicial de pagamento previsto para 13 de janeiro.
Apesar deste depósito, mantém-se em aberto uma tranche de 96.000 euros referente à primeira de três prestações acordadas com os credores, cuja regularização é apontada como condição para a continuidade da exploração e para o levantamento de diligências de encerramento.
Depósito, valores e divergências comunicadas
No requerimento apresentado ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, a administradora relata o depósito de 53.371,64 euros para fazer face às despesas correntes deste mês. Em paralelo, a direção comunicou durante o processo que estava a assegurar um montante de 53.680 euros, informação que consta também no requerimento consultado pela Lusa.
Os valores comunicados reflectem a tentativa de reduzir a incerteza sobre a continuidade da exploração, embora subsista uma diferença entre os montantes referidos que não é explicada detalhadamente no documento, exigindo escrutínio por parte dos credores e da administradora.
Plano de pagamento acordado com credores
O plano aprovado pelos credores previa o pagamento das despesas correntes mensais e o pagamento de três tranches de 96.000 euros, a efectuar até ao dia 10 de cada mês — em janeiro, fevereiro e março. Em dezembro de 2025 fora já depositada uma quantia de 55.000 euros para suportar as despesas correntes desse mês.
O incumprimento do prazo de janeiro foi determinante para a abertura de diligências de encerramento por parte da administradora, dado o risco de agravamento das dívidas da massa insolvente se a exploração mantivesse perdas.
Diligências de encerramento e resposta da direção
Face ao incumprimento, a administradora iniciou procedimentos para o encerramento do estabelecimento, medida que, segundo o seu despacho, não exigia nova convocação da assembleia de credores. O objectivo era travar perdas adicionais e preservar o património da massa insolvente.
No entanto, durante essas diligências, a direção comunicou que asseguraria um depósito imediato e prometeu liquidar a tranche de 96.000 euros em falta até 6 de fevereiro, estratégia que levou a administradora a suspender temporariamente os actos de encerramento.
Promessa de investidor e condições temporárias
A direção afirma contar com o apoio de um alegado investidor que terá demonstrado interesse em viabilizar a actividade do clube e que está em contactos com credores. Essa garantia serviu para a administradora aceitar aguardar até dia 6 de fevereiro pelas diligências de regularização.
Apesar da promessa, a administradora ressalva que a suspensão das diligências é temporária e condicionada à apresentação de garantias financeiras sólidas e ao desenrolar das negociações, mantendo-se a possibilidade de encerramento caso as tranches não sejam integralmente saldadas.
Relação entre o clube e a SAD
A complexidade do processo aumenta pela relação entre o clube e a sua SAD: o clube detém 10% do capital da SAD, que deveria disputar a 2.ª Liga em 2025/26, mas que não tem equipa sénior activa desde o verão. A SAD tem enfrentado dificuldades operacionais e administrativas, incluindo sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.
O clube, por sua vez, viu o Estádio do Bessa inutilizado desde maio e tem actuado como anfitrião no Parque Desportivo de Ramalde. Além disso, abandonou a participação em competições por solidariedade com as dívidas da SAD e não disputou qualquer partida esta época, apesar de estar inscrito na quarta divisão distrital.
Repercussões jurídicas e decisão da FIFA
Paralelamente à crise financeira, a SAD sofreu um revés jurídico: a Câmara de Resolução de Litígios da FIFA rejeitou na totalidade a queixa apresentada pela SAD contra o jogador Bruno Lourenço, que rescindiu contrato por justa causa no verão de 2024 alegando atrasos nos pagamentos. A pretensão de indemnizações e responsabilizações solidárias foi, assim, totalmente recusada.
O desfecho representa um encargo evitado para a SAD e um revés na tentativa de recuperação de receitas que poderiam atenuar as dificuldades financeiras, uma vez que a ação vinha acompanhada de pedidos que, se tivessem sido aceites, poderiam ascender a valores significativos.
Perspectivas e condições para a continuidade
Se as tranches pendentes forem integralmente liquidadas até 6 de fevereiro, a administradora admite suspender as diligências imediatas de encerramento. Contudo, sublinha que a solução depende de garantias financeiras concretas e do sucesso das negociações com credores e com o alegado investidor.
O futuro do clube continua incerto: entre a pressão dos credores, a necessidade de estabilidade financeira e o evoluir das decisões judiciais e desportivas, a manutenção da actividade exigirá soluções rápidas e credíveis para recuperar a viabilidade desportiva e económica.