Dévy Rigaux, antigo diretor desportivo do Club Brugge, revelou em entrevista ao podcast MidMid os pormenores de uma transferência complexa que acabou por não se concretizar. O jovem avançado Schjelderup esteve muito perto de rumar ao emblema belga no mercado de inverno, mas uma reviravolta inesperada mudou todo o cenário.
A chave para esta mudança de planos foi uma exibição memorável de Schjelderup num jogo da Liga dos Campeões. Segundo Rigaux: “Se ele não tivesse marcado dois golos contra o Real Madrid, seria jogador do Club Brugge”
. Esta declaração sublinha a importância de um único jogo na carreira de um jogador e o impacto que pode ter em negociações de alto nível. O Club Brugge tinha mesmo apresentado uma proposta sólida de oito milhões de euros, que poderiam chegar a onze com objetivos, e, de acordo com Rigaux, o jogador já estava convencido. “Schjelderup estava convencido pelo projeto e história do clube e havia um acordo com os agentes dele. Já tínhamos tido, também, algumas conversas telefónicas com o Benfica, mas depois Mário Branco disse-me: “Olha, vamos focar-nos agora apenas neste último jogo da Liga dos Campeões, porque ele tem mesmo de estar presente, a equipa precisa dele. Temos demasiadas lesões, algumas suspensões e isso... Deixa isto passar e pronto. Temos de mudar mais uma coisa ou outra nas condições, mas vamos chegar a acordo”. Foi o comentário dele. A probabilidade da transferência correr bem era real”
, recorda Rigaux. Ele recorda ainda o entusiasmo do próprio Schjelderup: “Estávamos a jogar nessa altura, lembro-me perfeitamente, contra o Marselha, e recebi uma mensagem do Schjelderup, reencaminhada pelo agente dele, a dizer alguma coisa do estilo: “Olha... vou ser titular aqui, é muito especial, não estava à espera.” Depois, entrei no balneário do Ivan Leko (treinador do Club Brugge) antes do jogo e disse: “Os milagres ainda acontecem. O Mourinho colocou o Schjelderup a titular contra o Real Madrid, ao que ele responde: “Bem, temos um acordo com ele, isto vai orientar-se. E o Benfica também vai, provavelmente, aceitar.” Estava a assistir ao jogo Club Brugge-Marselha e começo a receber aquelas mensagens a dizer que ele marcou dois golos. Depois do jogo falei com o Bob (CEO do clube), olhamos um para o outro e dizemos: ‘Vamos amanhã para Lisboa?” “Sim. Sim, vamos.” Era certo que íamos para Lisboa”
.
Apesar da convicção inicial, a noite de glória de Schjelderup teve um efeito imediato e decisivo. A confirmação da mudança de planos surgiu através de Mário Branco. “Recebi uma mensagem durante a noite, mas só vi de manhã, por volta das 6 horas. O Mário Branco tinha enviado a mensagem por volta das 2.30 horas onde dizia: ‘Estou a sair agora do estádio. Só quero dizer que amanhã és muito bem-vindo para um café. Mas... só para esclarecer: nós qualificámo-nos para a Liga dos Campeões [play-off], o Schjelderup marcou dois golos. O negócio já não vai acontecer”
concluiu Dévy Rigaux, que, apesar da desilusão, demonstrava compreensão pela situação. Mesmo com o revés, a esperança ainda persistia do lado belga, pois o jogador mantinha o desejo de se transferir. “Logo de manhã, enviei a mensagem para o Bob e digo-lhe: “Bob, quando acordares, liga-me.” Ao que respondi: “Acho que devemos ir na mesma. Nós também estamos qualificados. Além disso, o jogador quer vir. Também lhe enviei uma mensagem esta noite. Por isso, vamos.” Fomos para lá ainda com a crença de que poderia funcionar. Encontrámo-nos com os agentes do Schjelderup em Lisboa. À noite ainda vimos o Schjelderup e ele continuava a dizer: “Eu quero ir para o Club Brugge. Quero mesmo. Vou ligar ao Mário Branco.” Só que ele estava a caminho do sorteio na Suíça e não atendeu. Depois chegou o sábado e recebi uma mensagem a dizer: “Eles não me deixam mesmo ir. Fui ao gabinete do treinador, com o Rui Costa, o presidente… isto vai ser muito difícil.” Foi aí que percebemos que tinha acabado”
.