Benfica: Uma Reflexão Após a Tempestade

  1. Temporada de 2025/26 terminou
  2. Mais de 100 milhões investidos
  3. José Mourinho foi o treinador
  4. Rui Costa permanece no cargo

Até que enfim. Terá sido mais ou menos este o pensamento unânime no universo benfiquista quando, no passado sábado, Miguel Nogueira fez soar o apito final para o jogo com o Estoril, que deu por terminada uma temporada desportiva de 2025/26 que se revelou um autêntico pesadelo, em todos os planos imagináveis.

No verão, o sentimento era de euforia, com mais de 100 milhões de euros investidos em reforços, muitos deles altamente cotados, como Richard Ríos ou Georgiy Sudakov. A euforia ganhou força com a vitória sobre o Sporting e a consequente conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, mas não tardou muito a desmoronar.

Desilusões e Mudanças

Veio o Qarabag e com ele lá se foi Bruno Lage. O regresso de José Mourinho encheu timidamente um balão que se vinha a esvaziar, mas, verdade seja dita, por entre pompa e circunstância, não passou de uma mão cheia de nada, com eliminações em todas as frentes e nem mesmo um apuramento para a Liga dos Campeões para amparar a queda.

No Estádio da Luz, a hora é, agora, de profunda reflexão. José Mourinho, que tanto gosta de falar de milagres, bem pode procurar por um que lhe permita retirar o mínimo sinal positivo do trabalho feito que facilite a vida ao sucessor, seja ele Marco Silva, Rubén Amorim, Filipe Luís ou quem passar pela cabeça de Rui Costa.

Culpados e Responsabilidades

O Special One chegou, baralhou e irá, com toda a certeza, partir sem grandes remorsos. E, por mais que procure justificar os insucessos com terceiros, é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes culpados pela fracassada temporada do Benfica. Ainda assim, como é costume dizer-se, a culpa nunca morre sozinha.

Rui Costa e a sua sucessão de decisões questionáveis levaram a este descalabro, isto, com o beneplácito de Mário Branco, o todo-sapiente diretor desportivo, por tantos venerado, que pouco trabalho lhe notou, com exceção a ameaças a árbitros e aos respetivos castigos aos quais foi condenado.

Erros e Decisões

Árbitros que, é preciso dizer, também tiveram a sua quota-parte de responsabilidades em tudo isto. No final de uma época, os erros em benefício de uns e outros equilibram-se, mas há uns mais inexplicáveis do que outros, como por exemplo, a grande penalidade que Gustavo Correia não assinalou, em Famalicão, por mão na bola de Rodrigo Pinheiro.

Do relvado, passamos para a tribuna. Humberto Coelho, enquanto nome incontornável da história do Benfica, tinha a responsabilidade de fazer mais do que acenar e sentar-se confortavelmente ao lado de Rui Costa, assim como, por exemplo, Toni, embora agora atue como dirigente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Incompetências e Contribuições

Quem abandonou o barco também não pode ficar isento de culpas. É estranho que Rui Costa tenha passado tanto tempo ao lado de Luís Filipe Vieira sem saber as trapaças que este preparava, mas o mesmo atestado de incompetência se pode passar a Fernando Tavares ou Jaime Antunes, que passaram de aliados a ferozes opositores no espaço de meses.

Até os jogadores falharam ao Benfica. Com exceção, provavelmente, de Fredrik Aursnes, não terá havido, porventura, um único deste plantel que, ao longo da temporada, não tenha metido os pés pelas mãos, com especial destaque para Nicolás Otamendi, o capitão que tantas vezes apunhalou os próprios companheiros pelas costas, com erros de infantil.

Sócios e Adeptos

Há, por fim, que culpar os próprios sócios e adeptos do Benfica. Em circunstâncias normais, face aos resultados apresentados, Rui Costa não teria alternativa a não ser convocar eleições antecipadas, mas, neste caso, para quê? Reeleito há menos de um ano, com uma vantagem esmagadora sobre João Noronha Lopes, tem legitimidade absoluta para manter-se no cargo.

Dentro do Benfica, é verdade, não falta quem tenha de colocar a mão na consciência e perceber ao certo com que grão de incapacidade contribuiu para o fracasso total. Mas, fora do Benfica, também. Os adeptos são o pilar da exigência que deve nortear o clube, e isso não se compadece com ondas mexicanas em épocas de zero títulos.

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