Ministério Público recorre de absolvição de Rui Pinto no caso Football Leaks

  1. MP recorre da absolvição de Rui Pinto
  2. Acusação declarada "inválida" e "improcedente"
  3. Rui Pinto acusado de 241 crimes
  4. Condenado em 2023 em casos anteriores processos anteriores

O Ministério Público (MP) decidiu recorrer da decisão judicial que absolveu Rui Pinto no segundo processo do caso Football Leaks, que investiga o acesso ilegítimo a emails do Benfica e de outras entidades. A informação foi confirmada esta quinta-feira pela Procuradoria-Geral da República à agência Lusa. Esta ação do MP surge um dia após o coletivo de juízes ter declarado a acusação inválida e improcedente.

O coletivo de juízes, sob a presidência de Tânia Loureiro Gomes, considerou que, neste processo, o arguido foi tratado de três diferentes formas, sem que a sua “dignidade enquanto pessoa humana” fosse respeitada. A decisão unânime aponta que a interpretação dada pelo MP ao artigo 30.º do Código de Processo Penal, em diversos momentos e contextos processuais, violou a Constituição da República Portuguesa e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Foram destacadas violações dos princípios “absolutos da dignidade da pessoa humana”, do Estado de direito democrático e do “direito fundamental à tutela jurisdicional efetiva”, especificamente no que concerne a um prazo razoável para a decisão e a um processo equitativo.

Além disso, o coletivo de juízes sublinhou que o enquadramento processual de Rui Pinto e as “sucessivas imputações, em diferentes momentos processuais, da prática de factos constitutivos de diversos crimes”, configuram uma violação da garantia constitucional da proibição do duplo julgamento. No segundo julgamento do Football Leaks, iniciado a 13 de janeiro de 2025, Rui Pinto era acusado de 241 crimes, incluindo 201 de acesso ilegítimo qualificado, 22 de violação de correspondência agravada e 18 de dano informático. Os crimes estavam relacionados com o acesso a emails do Benfica e de outras organizações, como a Liga de clubes. Rui Pinto já havia sido condenado em setembro de 2023, no primeiro caso Football Leaks, a quatro anos de pena suspensa, por extorsão tentada, violação de correspondência agravada e acesso ilegítimo. Em novembro de 2023, recebeu uma condenação suspensa de seis meses em França por acesso ilegal a emails do Paris Saint-Germain.

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