O Ministério Público (MP) decidiu recorrer da decisão judicial que absolveu Rui Pinto no segundo processo do caso Football Leaks
, que investiga o acesso ilegítimo a emails do Benfica e de outras entidades. A informação foi confirmada esta quinta-feira pela Procuradoria-Geral da República à agência Lusa. Esta ação do MP surge um dia após o coletivo de juízes ter declarado a acusação inválida
e improcedente
.
O coletivo de juízes, sob a presidência de Tânia Loureiro Gomes, considerou que, neste processo, o arguido foi tratado de três diferentes formas
, sem que a sua “dignidade enquanto pessoa humana”
fosse respeitada. A decisão unânime aponta que a interpretação dada pelo MP ao artigo 30.º do Código de Processo Penal, em diversos momentos e contextos processuais, violou a Constituição da República Portuguesa e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Foram destacadas violações dos princípios “absolutos da dignidade da pessoa humana”
, do Estado de direito democrático e do “direito fundamental à tutela jurisdicional efetiva”
, especificamente no que concerne a um prazo razoável para a decisão e a um processo equitativo.
Além disso, o coletivo de juízes sublinhou que o enquadramento processual de Rui Pinto e as “sucessivas imputações, em diferentes momentos processuais, da prática de factos constitutivos de diversos crimes”
, configuram uma violação da garantia constitucional da proibição do duplo julgamento. No segundo julgamento do Football Leaks
, iniciado a 13 de janeiro de 2025, Rui Pinto era acusado de 241 crimes, incluindo 201 de acesso ilegítimo qualificado, 22 de violação de correspondência agravada e 18 de dano informático. Os crimes estavam relacionados com o acesso a emails do Benfica e de outras organizações, como a Liga de clubes. Rui Pinto já havia sido condenado em setembro de 2023, no primeiro caso Football Leaks
, a quatro anos de pena suspensa, por extorsão tentada, violação de correspondência agravada e acesso ilegítimo. Em novembro de 2023, recebeu uma condenação suspensa de seis meses em França por acesso ilegal a emails do Paris Saint-Germain.