Benfica capta 65 milhões, mas não para reforçar a equipa

  1. Empréstimo de 65 milhões de euros
  2. Foco na gestão da dívida do clube
  3. 4.831 investidores participaram
  4. Emissões de dívida a cada 2 em 2 anos

O Benfica garantiu recentemente um encaixe financeiro significativo de 65 milhões de euros através do empréstimo obrigacionista 2026-2031. Contudo, o vice-presidente Nuno Catarino esclareceu que este montante não se destina primariamente a reforçar a equipa de futebol, como muitos poderiam pensar. O foco principal é a gestão da dívida do clube, independentemente de uma eventual qualificação para a Liga dos Campeões na próxima época. “O objetivo deste empréstimo é o que está descrito no prospeto. Não tem a ver com nada que se passe no final da época. Não podemos colocar sequer essa questão. Comprar e vender jogadores é uma realidade. Nós faremos num cenário e noutro cenário. É assim com todos os clubes na Europa. Há sempre dois planos. E assim faremos quando a questão se colocar”, explicou o responsável financeiro, após a apresentação dos resultados da operação na Euronext Lisboa.

O sucesso da operação, que inicialmente previa 40 milhões de euros e foi aumentada devido à elevada procura (1,36 vezes superior à oferta), é visto como um reflexo da “boa saúde financeira” da SAD. “Isto é o reflexo de uma boa saúde financeira. Temos estabilidade e capacidade de nos adaptarmos ao contexto”, afirmou Nuno Catarino. Ele também sublinhou que a operação “não impacta a dívida líquida, mas impacta a gestão entre a dívida de curto prazo e de médio prazo. É uma operação que reflete a elevada confiança que existe”, demonstrando a estratégia de reequilíbrio financeiro do clube. A atratividade do Benfica no mercado financeiro foi realçada, com o vice-presidente a notar que “O Benfica é um clube invejado lá fora. Não há muitos clubes que consigam fazer emissões no retalho como nós conseguimos fazer. Há um respeito pelo que se faz no Benfica que nem sempre é refletido nas notícias da espuma dos dias. Há muito interesse”. Um total de 4.831 investidores participaram na oferta, com cerca de metade a aplicar entre 2.500 e 5.000 euros. As condições oferecidas no retalho, com um prémio de risco abaixo de 2 por cento, foram consideradas “boas condições”.

Olhando para o futuro, a SAD benfiquista planeia realizar emissões de dívida em ciclos de dois em dois anos, abandonando a prática anual. “Queremos passar a lançar emissões de dois em dois anos. A próxima que vence é em 2027, depois é em 2029 e esta em 2031. Dá-nos mais estabilidade. Muitos investidores trocam, e esta é uma perspetiva mais estável. Além disso, em 2028 não temos que emitir, e esse é o ano da centralização dos direitos televisivos, o que nos tira pressão”, adiantou Nuno Catarino. Relativamente à centralização dos direitos televisivos, o administrador financeiro expressou as “várias preocupações” do clube e a sua intenção de defender os interesses do “maior clube” português. Em relação ao contrato atual com a NOS, “Sabemos quanto temos, na ordem dos 57 ME por época [contrato fechado em janeiro com a NOS para as próximas duas temporadas], o que é um aumento face ao contrato anterior”, mostrando que o clube da Luz está atento e ativo na gestão dos seus recursos e compromissos financeiros.

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