Benfica SAD: Sucesso no empréstimo obrigacionista e preocupações com direitos televisivos

  1. Empréstimo obrigacionista um "enorme sucesso"
  2. Operação passou de 40 para 65 milhões de euros
  3. Direitos televisivos do Benfica valem 57 milhões
  4. Clube foca na Liga dos Campeões

A SAD do Benfica registou um assinalável sucesso com o seu empréstimo obrigacionista, que, de acordo com Nuno Catarino, vice-presidente do clube da Luz e CFO das águias, reflete a robustez financeira da instituição. Em declarações na Euronext Lisboa, onde foram apresentados os resultados da operação, Catarino sublinhou a elevada procura por parte dos investidores, que superou largamente a oferta disponível. “Classificamos esta operação como um enorme sucesso. O rácio de 1,36 vezes mostra um grande equilíbrio entre a oferta e a procura. É a primeira emissão a cinco anos de uma sociedade desportiva em Portugal. Correu muito bem”, afirmou o responsável, destacando a importância desta emissão de cinco anos, algo inédito entre as sociedades desportivas portuguesas. A confiança dos investidores foi patente, levando a um aumento do montante global da operação de 40 para 65 milhões de euros. “A emissão correu como esperávamos. Atingimos praticamente no primeiro dia os 40 milhões e, rapidamente, chegámos aos 65 milhões. Isto dá a imagem de confiança dos investidores sobre a Benfica SAD e mostra a nossa capacidade de adaptação às circunstâncias, mesmo em termos de resultados desportivos”, realçou Nuno Catarino, evidenciando a capacidade do Benfica em atrair capital mesmo em cenários desportivos desafiantes.

A par do sucesso do empréstimo obrigacionista, Nuno Catarino fez questão de frisar a excelente saúde financeira da SAD. “Bastante boa. Este [resultado do empréstimo] é o reflexo de uma boa saúde financeira. Temos estabilidade e capacidade enorme de nos adaptarmos ao contexto. Essa é uma realidade no Sport Lisboa e Benfica”, garantiu o dirigente, transmitindo uma mensagem de solidez e adaptabilidade. No que concerne aos direitos televisivos e à centralização, um tema que tem gerado debate no futebol português, Catarino manifestou algumas preocupações. “Neste momento não esperamos nenhum impacto [nas contas] em particular. Sabemos o valor dos nossos direitos televisivos. Aliás, fomos agora ao mercado, ficou perfeitamente definido à volta dos 57 milhões de euros por época, o que representou até um aumento em relação ao contrato que tínhamos anteriormente… Sabemos que há um decreto-Lei que exerce alguma pressão até 2028; temos expressado manifestas preocupações, em privado e em público, porque acreditamos que as reformas que é necessário fazer para melhorar o produto do futebol português… o produto pode valer mais, mas é preciso fazer muito trabalho de fundo, que não foi feito. Vamos preparar-nos e continuar a ser uma voz sobre este tema, que deve preocupar o futebol português”, explicou, alertando para a necessidade de reformas estruturais que valorizem o produto futebolístico nacional.

Apesar de o desfecho do campeonato ter sido praticamente decidido, com o FC Porto na liderança, Nuno Catarino garantiu o foco do Benfica na qualificação para a Liga dos Campeões e a preparação para eventuais desafios. “O nosso plano é participar na Liga dos Campeões, é esse plano. Na eventualidade de isso não acontecer, temos como nos reajustar. O planeamento para a época [seguinte] depende das competições em que estamos presentes”, afirmou aos jornalistas, reconhecendo a importância estratégica da prova milionária para os encarnados e a necessidade de flexibilidade no planeamento. A lutar ombro a ombro com o Sporting pela Liga dos Campeões, o administrador financeiro reiterou que o Benfica está preparado para qualquer cenário. “O nosso plano é participar na Liga dos Campeões, mantém-se como o plano, é para isso que trabalhamos sempre. Numa eventualidade de tal acontecer, teríamos de fazer reajustes, como sempre se fez no passado. O Benfica não tem esse histórico recente. Não precisou de fazer reajustes, mas se for preciso, fá-lo-á. São coisas diferentes, como se faz o reajustamento… que tipo de plantel é que se prepara e o planeamento que fazemos para a época e para a época, em função das competições, mas não tem muito a ver com esta emissão. Esta emissão tem mais a ver com o financiamento da SAD a longo prazo”, concluiu, reiterando a capacidade de adaptação do clube à realidade financeira e desportiva, dissociando a questão do financiamento a longo prazo do empréstimo obrigacionista da atual luta desportiva.

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