Num encontro entre o presidente do Brasil, Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, no Palácio de São Bento, o futebol serviu de mote para abordar a harmonia entre os dois países. Lula da Silva, com o seu estilo característico, utilizou referências históricas e projeções futuras para pontuar a conversa, o que capturou a atenção dos presentes e gerou um momento descontraído, mas com uma mensagem subjacente.
O presidente brasileiro começou por recordar o feriado de 21 de abril no Brasil, em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como “Tiradentes”. Contudo, rapidamente desviou o foco para o futebol, transportando a discussão para o Campeonato do Mundo. “Este ano é um ano importante, porque é um ano de Copa do Mundo [Mundial 2026] e veio-me à cabeça a Copa do Mundo de 1966, quando Portugal tinha um monstro sagrado chamado Eusébio e o Brasil tinha vários monstros sagrados, um deles era o Pelé, e Portugal conseguiu eliminar a seleção brasileira daquela Copa do Mundo. Espero que em 2026, nos Estados Unidos, Portugal leve em conta o seu discurso de harmonia entre o Brasil e Portugal e que Cristiano Ronaldo e a sua turma não tente derrotar o Vini Junior e a turma dele do Brasil”, enunciou Lula da Silva, numa declaração que misturou história e um toque de humor com uma subtil advertência.
A resposta de Luís Montenegro não tardou, com o primeiro-ministro a demonstrar o seu próprio sentido de humor. “Podemos fazer isso na final”, atirou Montenegro, aceitando a brincadeira. No entanto, Lula da Silva não se deixou ficar e elevou o tom da sua advertência de forma bem-humorada, afirmando: “Isso poderá provocar um conflito irreversível com o Brasil”. A conversa prosseguiu com Lula a recordar uma interação com o Rei
Pelé, reforçando a admiração por Eusébio, o lendário futebolista português. “Ele disse-me que o jogador mais importante que ele viu jogar na vida foi o Eusébio. Eu tinha essa impressão porque conheci o Eusébio aqui no Benfica e efetivamente o Eusébio era um monstro sagrado a jogar à bola”, destacou, admitindo que estas palavras foram ditas “para conquistar o coração do primeiro-ministro”. Após este momento de descontração futebolística, o diálogo entre os líderes seguiu para temas mais formais e sérios da agenda bilateral.