Nuno Catarino: Benfica não precisa da centralização dos direitos televisivos

  1. Lucro de 29 milhões de euros no 1º semestre de 2025/26.
  2. Benfica suspendeu participação na Liga Centralização em julho de 2025.
  3. Decreto-lei atual resulta em descontentamento em 2028.
  4. Projeto Benfica District em fase de licenciamento.

Nuno Catarino, diretor financeiro e vice-presidente do Benfica, abordou em entrevista à BTV os sucessos financeiros do clube, reafirmando que a centralização dos direitos televisivos não é uma necessidade para as águias. Com base nos 29 milhões de euros de lucro apresentados no primeiro semestre de 2025/26, Catarino destacou a independência do Benfica neste cenário complexo.

Reforçando a solidez económica, Nuno Catarino elucidou a importância de uma visão além do futebol puro: “O resultado de 29 milhões de euros é obviamente bastante bom. Mas eu gostaria de ressaltar esta parte de estarmos a falar de um aumento de 6 por cento no resultado recorrente operacional do clube, que aumenta para os tais 6,7 milhões de euros, que eu acho que – se queremos ver o clube sem o futebol, porque o futebol podemos sempre vê-lo à parte, olhando para a SAD – é talvez a maneira em que se pode ter mais granularidade e melhor entendimento do que estamos aqui a falar” – Nuno Catarino. O diretor financeiro voltou a abordar a questão da centralização dos direitos televisivos, um tema de grande debate no futebol português, que se prevê estar fechado até à temporada 2028/29. No entanto, o Benfica suspendeu a sua participação na gerência da Liga Centralização em julho de 2025, sustentando que este modelo não serve os interesses do clube. Sobre o decreto-lei atual, Catarino é assertivo: “A forma como se consome e como se vê o produto já é muito diferente do que era há 10 anos, e o decreto de há cinco anos era baseado no que se fazia há 10 anos” – Nuno Catarino, e acrescentou que “Por isso, há aqui um desligamento, quase, da realidade do decreto-lei. E o decreto-lei, na prática, traz o formato de centralização Big Bang: há um dia maravilhoso em que aparece um mundo novo. Acho que todos já percebemos que não é isso que vai acontecer. E tinha obviamente um pressuposto que era: devolver 300 milhões de euros, que dava para acomodar algum crescimento para o Benfica, um maior crescimento para clubes mais pequenos, algum crescimento para os outros dois grandes, para o Sp. Braga, para todas as equipas” – Nuno Catarino.

As palavras de Nuno Catarino evidenciam uma posição firme do clube da Luz face à centralização. “A primeira coisa é: o Benfica não precisa da centralização para valorizar o produto que comercializa. O Benfica não precisa. Ainda agora foi ao mercado, em condições que já não eram muito fáceis pelo facto de só poder vender um produto para dois anos, quando toda a gente procura um produto a cinco anos, ou a 10 anos. É inaudito ir ao mercado para vender um produto desportivo a 2 anos, porque não há tempo suficiente para um operador, que queira inovar, fazer inovações suficientes no produto para ter resultados. Apesar disso, tivemos um resultado muito melhor do que qualquer pessoa no meio esperava, e muitas pessoas tiveram de engolir algumas coisas que disseram no passado, porque o resultado do Benfica foi superior à aquilo que tinha antes, num contexto que eu já defini como adverso, com o qual todos concordamos. Mas, pronto, há esta questão: o Benfica não precisa da centralização” – Nuno Catarino. O vice-presidente reforçou que o modelo atual do decreto-lei, baseado em hábitos de consumo de há uma década, resultará em descontentamento generalizado em 2028: “ninguém vai gostar do resultado final em 2028” – Nuno Catarino. Perante este cenário, Nuno Catarino apresentou soluções alternativas: “O que temos dito é que fazem sentido duas coisas na centralização: um adiamento do que está feito para dar tempo para fazer o trabalho de casa, que não foi feito até agora, e repensar um pouco o modelo, mas, sobretudo para estes clubes, que façam uma centralização voluntária, ou seja, se juntem, e isso faz todo o sentido. Juntarem-se 10, 20, 30, quem se quiser juntar. Empacotam o seu produto, tentam vender o seu produto no mercado e temos aqui uma centralização voluntária de quem precisa deste formato como está aqui” – Nuno Catarino. Além das questões financeiras e dos direitos televisivos, o diretor financeiro abordou o Benfica District, um projeto que está em fase de licenciamento com a Câmara Municipal. Nuno Catarino informou que “não há previsíveis obras de monta no prazo de um ano”, e adiantou: “Esperamos ter uma resposta para o licenciamento nos próximos meses. A partir daí, talharemos ainda mais os projetos, traremos a bordo potenciais operadores que explorem alguns dos diferentes espaços, também no modelo que procurámos explicar nas assembleias explicativas e na Assembleia Geral. E, depois, talvez daqui a nove meses, teremos o project finance, digamos assim, aí, sim, bastante bem definido. O projeto concreto, que está aprovado, terá sempre variações versus o que está previsto, e vamos fazendo os ajustamentos, e, aí, seguirá o processo, o projeto, de forma normal. Este é o plano, e não mudou de há quatro meses para agora” – Nuno Catarino. Por fim, sobre a participação na Liga dos Campeões, Nuno Catarino admitiu que a ausência na próxima época levará a ajustamentos: “Para já, o cenário, obviamente, é de chegarmos à Liga dos Campeões. Esse é o cenário central e é sempre para isso que trabalhamos. Nalguma eventualidade, acredito, muito remota, de ser algo diferente — também já aconteceu no Benfica no passado, e acontece em muitos outros clubes —, tem de se fazer os ajustamentos necessários para garantir o equilíbrio económico-financeiro e desportivo do Benfica. Mas estaremos cá para fazer esse trabalho” – Nuno Catarino.

O clube demonstra, assim, uma postura proativa na gestão dos seus recursos e no planeamento estratégico, tanto a nível financeiro como estrutural.

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