A 28ª jornada da Liga NOS reacendeu a sempre acesa discussão sobre a arbitragem no futebol português. As polémicas em torno dos jogos de Sporting e FC Porto contra Santa Clara e Famalicão, respetivamente, trouxeram novamente para o centro do debate a questão: qual dos grandes clubes foi o mais beneficiado ou prejudicado pelas decisões dos árbitros e do VAR?
Para responder a esta questão, A BOLA revisou os lances mais controversos que envolveram Benfica, FC Porto e Sporting ao longo das jornadas disputadas. Com base nas análises de Pedro Henriques, especialista em arbitragem, foi possível quantificar os erros a favor e contra cada um dos clubes e avaliar o seu peso no resultado final dos encontros.
De acordo com esta análise, o Benfica é o clube que mais motivos tem para se queixar de decisões erradas em momentos cruciais. A equipa encarnada viu serem ignorados oito penáltis a seu favor, teve um castigo máximo assinalado de forma incorreta e presenciou uma expulsão perdoada a adversários. Em contraste, FC Porto e Sporting foram prejudicados em três ocasiões cada. O Sporting, segundo Pedro Henriques, deveria ter tido um penálti assinalado contra o Estrela da Amadora na jornada 12. Os leões também sofreram um golo irregular na visita ao Gil Vicente e viram Luis Suárez ser indevidamente admoestado com um cartão amarelo em Alverca, o que o impediu de jogar contra o Santa Clara na jornada 28. O FC Porto, por sua vez, pode reclamar de dois penáltis não assinalados – contra Nacional e Rio Ave – e de um inequívoco segundo cartão amarelo que deveria ter sido mostrado a Maracás no jogo contra o Moreirense.
Analisando os benefícios, Sporting e FC Porto foram favorecidos em seis lances cada, enquanto o Benfica beneficiou apenas de um erro. O SC Braga viu um penálti claro negado na receção aos encarnados na jornada 16. Os leões, por outro lado, tiveram um golo indevidamente validado, uma expulsão de um adversário assinalada de forma errada, dois cartões vermelhos perdoados a jogadores seus e um canto duvidoso que culminou em golo. Além disso, foi perdoado um penálti a seu favor. Paralelamente, os dragões beneficiaram de dois golos mal validados, um penálti cometido não assinalado, um penálti a seu favor ignorado e duas expulsões perdoadas. A interpretação destes erros em termos de pontos ganhos ou perdidos não é, contudo, direta. Por exemplo, o Benfica venceu todos os oito jogos em que, de acordo com Pedro Henriques, teve penáltis claros por assinalar. Situações como a expulsão perdoada a Devenish nos momentos finais da estreia de Mourinho nas águias, em 20 de setembro de 2025, não alteraram o desfecho de um jogo que o Benfica já vencia confortavelmente. No entanto, o penálti marcado a António Silva no jogo Benfica-Casa Pia da primeira volta, quando o resultado estava 2-0 para as águias e que culminou num autogolo após defesa de Trubin, contribuiu para o empate a 2-2. Já o Sporting pode lamentar a perda de dois pontos após o golo de Carlos Eduardo para o Gil Vicente, aos 87 minutos, num jogo que terminou 1-1.
A visita do Estoril ao Sporting, a 28 de setembro de 2025, é outro exemplo de como as decisões da equipa de arbitragem, não corrigidas pelo VAR, impactaram o resultado final. Apesar da vitória leonina por 1-0, o golo de Luis Suárez, aos 12 minutos, deveria, segundo Pedro Henriques, ter sido invalidado por fora de jogo devido ao posicionamento de Pote. No mesmo encontro, o especialista considerou que Hjulmand “agarra a camisola e desequilibra” Felix Bacher na grande área leonina, aos 45+2, mas nada foi assinalado, o que reforça a ideia de que o clube da capital poderia ter sido penalizado. Em novembro de 2025, na visita do Sporting ao Santa Clara, os leões beneficiaram indevidamente de um pontapé de canto aos 90+4 que originou o golo da vitória de Hjulmand. Também é relevante que Gonçalo Inácio e Diomande, jogadores do Sporting, deveriam ter sido expulsos em Famalicão (jornada 5) e na receção ao Alverca, respetivamente, mas escaparam ao vermelho, influenciando o desfecho de jogos onde o clube de Alvalade acabou por vencer.
No que concerne ao líder FC Porto, os lances mais controversos e com maior impacto ocorreram nas últimas cinco jornadas. Um penálti duvidoso assinalado aos 90 minutos na receção ao Arouca, quando o marcador registava 1-1, foi decisivo para o desfecho da partida. Mais recentemente, no último sábado, contra o Famalicão, Zaidu evitou uma dupla penalização. O lateral-esquerdo, já com um cartão amarelo, levantou o braço de forma negligente e atingiu em cheio Gustavo Sá dentro da área aos 45+2 minutos. Pedro Henriques argumentou que deveria ter sido assinalado penálti e que o jogador nigeriano deveria ter sido expulso. Apesar das queixas constantes de jogadores, treinadores e dirigentes ao longo das 28 jornadas, os dados apresentados por Pedro Henriques em A BOLA sugerem que FC Porto e Sporting têm menos razões para reclamar do que o Benfica no que toca a erros de arbitragem.