ERC recusa projeto radiofónico do Benfica com o grupo Bauer

  1. ERC não autorizou projeto da Benfica FM.
  2. Benfica classificou recusa como “inconstitucional e abusiva”.
  3. Fernando Tavares: “modelo de rádio FM está em declínio.”
  4. Benfica Rádio deve focar-se no digital.

A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) confirmou esta quinta-feira que não autorizou o projeto radiofónico do grupo Bauer com o Benfica, que permitiria à Benfica FM ter uma plataforma de emissão FM. A decisão foi justificada pela ERC, que afirmou que o pedido de modificação do projeto não reunia os pressupostos legais necessários à sua aprovação. O Benfica já havia classificado a primeira recusa como “inconstitucional e abusiva”.

De acordo com a ERC, a essência da Benfica FM não é compatível com o regime jurídico, levantando preocupações sobre a independência editorial. A entidade explicou: “Subsistem fundadas dúvidas quanto à salvaguarda da independência editorial, tendo em conta que o modelo apresentado evidencia uma participação relevante do Sport Lisboa e Benfica na conceção e estruturação dos conteúdos programáticos, que se mostra incompatível com o regime jurídico aplicável aos operadores de rádio e com o princípio da especialidade. Tal circunstância configuraria um risco efetivo de condicionamento da autonomia editorial e de interferência do poder económico, em violação das disposições legais aplicáveis”. Perante as avaliações da ERC, o projeto foi recusado, o que inviabiliza a Benfica FM de ter uma estação FM, obrigando-a a continuar a emitir exclusivamente no meio digital.

Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, analisou a decisão da ERC e considera que esta “muda bastante o jogo, sobretudo ao nível das receitas, posicionamento e estratégia de comunicação do clube”. O ex-dirigente sublinha que a limitação da Benfica Rádio ao digital “implica audiência mais reduzida e menor atratividade para publicidade tradicional”, o que o leva a crer que o Benfica teve “um erro de avaliação e planeamento” com uma “sobrevalorização da probabilidade de licenciamento ao subestimar o peso regulatório em Portugal”, tendo feito “um investimento antecipado sem garantia de distribuição”.

Apesar de tudo, Fernando Tavares lembra que “apesar de parecer uma derrota”, esta decisão “pode evitar um erro maior”, já que “o modelo de rádio FM está estruturalmente em declínio” e “o digital permite controlo total da relação com o adepto”. Conclui ainda que “houve um erro de avaliação, mas não irreversível”, e que a “Benfica Rádio pode deixar de ser uma rádio clássica, tornar-se uma plataforma digital mais moderna e escalável”, além de “reorganizar equipas e otimizar custos para criar valor real no ecossistema do clube”.

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