Ignacio Villarroel, vice-presidente do River Plate, não descartou um possível regresso de Nicolás Otamendi ao clube argentino, mas negou, para já, a existência de conversações. O dirigente, que se encontra em Portugal para um evento do mundo do desporto e negócios, abordou o tema com cautela.
“Já voltaram à Argentina muitos campeões do mundo e as portas estarão sempre abertas a jogadores que queiram regressar. No entanto, com o Nicolás não existe nenhuma conversação formal para o seu regresso. Sabemos todos que Otamendi é adepto do River Plate. É campeão do mundo e, claro, é um jogador muito interessante e a considerar, mas vamos respeitar o processo. O Nicolás está a jogar aqui no Benfica e estamos a meio da temporada. Todos sabemos o amor que os adeptos do River Plate lhe têm”, destacou Villarroel, sublinhando que, para já, o assunto ainda não está “em cima da mesa”. O vice-presidente elogiou ainda a mentalidade profissional e ganhadora do defesa, valores com os quais o clube se identifica. “Os adeptos do River Plate, mas sobretudo os adeptos argentinos, identificam-se muito com ele, por ser um líder que defende todos os colegas”, acrescentou.
Em sintonia com o sentimento partilhado pelos adeptos do River Plate, Sebastián Abreu, antigo avançado dos “Millonarios”, defende que Otamendi, cujo contrato com o Benfica termina em junho, seria um encaixe perfeito para a equipa, particularmente pela sua capacidade de liderança. “Independentemente do nome, essas características dos jogadores, que não são muitas porque as gerações e os plantéis mudaram, e o jogador de hierarquia e líder apoia-te noutros aspetos que não se veem, como o sentido de pertença, a camisola que estão a vestir, que saibam como é o comportamento”, comentou Abreu no programa La Banda de LPM. O ex-avançado de 49 anos reiterou a importância do defesa argentino: “A parte futebolística está fora de discussão. Ele tem aquele algo mais, que nem todos os jogadores experientes possuem: a capacidade de liderança. O líder desempenha uma função que talvez não se veja em campo, mas que é muito mais profunda. É uma tarefa que tem de se gostar, porque desgasta muito. É preciso gerir muitas situações e, como se gosta da responsabilidade, enfrenta-se tudo de frente”. Abreu acredita que Otamendi seria essencial na formação de um grupo com sentido de presença, citando o seu estatuto de campeão mundial como um fator de peso. “Há uma camisola com história que implica estar sempre preparado para os grandes desafios. Ter jogadores que viveram isso e que possuem algo tão importante como ser campeão do mundo, é claro que, para um treinador, é extremamente importante”, observou. Além disso, destacou o papel que Otamendi poderia ter na progressão dos jovens, servindo como orientador. “Para o jovem, ter um orientador no balneário que o ajude a compreender como se tornar um profissional e como se integrar num clube como o River. Para o treinador, é um elo ideal, porque o treinador não está no baladeiro, no dia-a-dia, nas conversas das refeições durante a concentração”, disse Abreu. E concluiu: “É aí que o líder tem de lhe marcar o caminho para que ele possa transcender desportivamente, para seja um futebolista totalmente reconhecido no River, com aspirações de dar o salto de qualidade que é ser jogador da Seleção e dar o salto para a Europa”.
Nicolás Otamendi, campeão do mundo pela Argentina, tem 35 anos e é capitão do Benfica, onde está há seis épocas. Antes de regressar a Portugal para representar o clube da Luz, o defesa central passou por FC Porto, Manchester City, Valência, Atlético Mineiro e Vélez Sarsfield.