Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, teceu duras críticas a uma publicação de Mónica Jorge, diretora do futebol feminino do clube. A controvérsia surge de uma citação do filósofo José Ortega y Gasset partilhada por Mónica Jorge nas suas redes sociais, após a vitória sobre o SC Braga que garantiu a presença na final da Taça de Portugal. A frase em questão, “Eu sou eu e as minhas circunstâncias, e se não as salvo, não me salvo a mim mesmo”, gerou interpretações diversas e levantou questões sobre a sua intencionalidade.
Fernando Tavares, numa análise detalhada partilhada no LinkedIn, interpretou a publicação como um possível “sinal de desalinhamento interno”. Segundo Tavares, a frase pode ser entendida como uma mensagem implícita de que “o problema não sou eu, é o contexto”, sem que haja uma identificação clara das causas ou responsáveis. O antigo dirigente sugere ainda que “em gestão, recomenda-se a prudência de tratar este tipo de temas internamente”, sublinhando a delicadeza de abordar tais questões publicamente, especialmente num momento de sucesso desportivo para a equipa feminina, que se encontra na luta por duas competições.
A análise de Tavares aprofunda-se na questão da identidade do projeto de futebol feminino do Benfica, que desde o seu início se caracterizou por uma lógica “disruptiva”, visando a excelência e a competição ao nível europeu. A chegada de Mónica Jorge, uma “figura historicamente ligada à Federação”, levanta para Tavares uma questão estratégica crucial: “Estará o Benfica a aproximar-se da lógica institucional dominante, correndo o risco de diluir a identidade disruptiva que impulsionou o seu sucesso?” Este questionamento reflete uma preocupação com a possível perda de uma abordagem que, segundo Tavares, “acelerou o crescimento da modalidade em Portugal”, apesar de por vezes não se alinhar com a tutela. Em conclusão, Fernando Tavares deixa uma questão no ar: “consolidação ou mudança de paradigma? Os sinais são preocupantes.”