Bino Maçães, selecionador nacional que conduziu a equipa de sub-17 a dois títulos em 2025 (Campeonato do Mundo e Europeu), realçou hoje a importância da integração destes jovens em patamares competitivos superiores. Em declarações à margem de uma gala anual promovida pelo jornal O Gaiense, em Vila Nova de Gaia, onde será homenageado pelos dois cetros, Bino Maçães sublinhou a sua satisfação com o percurso dos atletas. “Vejo com grande agrado. Assim que ganhámos o Mundial, fui falando da necessidade e importância de estes jogadores competirem perante um grau de adversidade maior. Isso impunha que jogassem mais acima [em relação aos sub-17] para, depois, poderem ter o nível que achamos que podem alcançar”, vincou o técnico.
O treinador fez questão de enaltecer o reconhecimento do trabalho da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). “É sempre importante, porque é o reconhecimento do trabalho feito, não por mim, mas pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), num excelente ano. Temos feito um grande trajeto e conquistámos dois grandes troféus”, referiu, lembrando o objetivo maior de formar futuros internacionais 'AA'. Bino Maçães mostrou-se satisfeito com a resposta dos jogadores e destacou o impacto do avançado Anísio Cabral na equipa principal do Benfica. “Ele fez um grande Campeonato do Mundo e teve um trajeto muito bonito connosco. Ainda está em fase de crescimento e tem de ser muito mais regular se quiser atingir outros patamares de excelência. Isso é normal. Agora, estou muito contente pelos golos que fez. Não temos muitos pontas de lança em Portugal e podemos estar bem servidos no futuro”, analisou Bino Maçães.
Anísio Cabral, que foi o segundo melhor marcador do Mundial com sete golos, marcou o único tento com que Portugal derrotou a Áustria na final (1-0) em novembro de 2025, em Doha, Qatar. O jogador já tinha sido fundamental no Europeu de Sub-17, ao inaugurar o marcador e assistir para o segundo golo na vitória por 3-0 sobre a França.
O médio Mateus Mide, eleito o melhor jogador do Campeonato do Mundo, aguarda a sua estreia na equipa principal do FC Porto. Bino Maçães também se referiu a outros talentos em ascensão. “Tenho estado atento a ele, mas também ao Bernardo Lima e ao Duarte Cunha. Acredito que vão corresponder, porque o talento e a qualidade estão lá. Muitas vezes, é só uma questão de oportunidade, mas tudo a seu tempo. Quem sou eu para dizer o que os clubes devem fazer? Tenho é uma grande vontade de que esta geração possa crescer e chegar o quanto antes a outros patamares, no clube e nas seleções”, reiterou Bino Maçães. Dos 22 jogadores que conquistaram os dois títulos, Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral já se estrearam nos seniores do Benfica, e João Aragão no Sporting de Braga. Anísio Cabral, que renovou contrato com o Benfica até 2031, teve nove minutos em campo desde fevereiro. Bino Maçães, de 53 anos, será homenageado juntamente com Roberto Martínez, selecionador que conduziu Portugal à conquista da Liga das Nações em 2025, e Jorge Costa, antigo defesa-central e diretor de futebol do FC Porto, que receberá um tributo póstumo.