Na iminência de mais um Clássico, que irá opor Benfica e FC Porto, as declarações de Farioli, técnico do FC Porto, marcam a preparação para o aguardado embate. O treinador abordou diversos tópicos, desde a admiração por José Mourinho até às questões sobre a arbitragem e a condição física dos seus jogadores, com especial destaque para a situação de Bednarek e o regresso de Thiago Silva. É notório que o FC Porto tem mantido um certo domínio no clássico, somando mais uma dezena de vitórias nos 259 duelos, algo que foi reforçado após o triunfo nos quartos da Taça de Portugal.
Farioli não poupou elogios a José Mourinho, técnico das águias, realçando a sua importância para a equipa encarnada: “Em 30 pontos, tudo é possível. Desde o início sempre mencionei isso. Agora, o Benfica está num momento muito positivo, a evolução desde que Mourinho chegou é muito clara. Eles provaram a sua qualidade nas provas domésticas. Estão ainda invictos na Liga, é uma das duas ou três equipas que não perdeu ainda. E depois há a Liga dos Campeões, apurando-se para os 24 melhores e batendo-se bem contra o Real Madrid. Têm um treinador que admiro muito, como treinador e como pessoa. Em mais de 1200 jogos, tem mais 60 por cento de vitórias. Tudo isto diz que é um jogo complicado. Mas temos capacidade para ultrapassar as dificuldades.” O treinador do FC Porto sublinhou ainda que "Com 30 pontos por disputar tudo é possível. Desde o início sempre disse que temos de considerá-los candidatos. Especialmente agora que estão num momento bastante positivo. A evolução desde a chegada de José Mourinho é bastante clara. Têm vindo a provar a sua qualidade nas provas internas. Continuam invictos na Liga. É uma das duas equipas da Europa que ainda não têm derrotas, diz muito. E os dois jogos muito difíceis contra o Real Madrid provam o nível e a qualidade do Benfica. É claro com quem estamos a lidar e a qualidade do nosso adversário. Já disse várias vezes, tenho uma admiração por José Mourinho como treinador e pessoa. Um treinador com 1200 jogos e com mais de 60 por cento de vitórias. Vai ser um desafio muito grande para nós. Vai ser um grande jogo e estamos preparados».
A preparação dos jogadores do Benfica, por sua vez, tem sido intensa, culminando em mais uma sessão de trabalho que incluiu exercícios de ginásio e treino no relvado. Uma das principais novidades foi a presença de Sudakov, que havia falhado a última deslocação a Barcelos devido a uma lombalgia, reforçando assim as opções de José Mourinho para o clássico. Em termos de arbitragem, Farioli voltou a expressar as suas preocupações, relembrando o Clássico anterior e a sua gestão: “Gostava de fechar o tema. Claro que, com dois Clássicos na mesma semana, há muita 'carne no assador' para discutir. Se menciona a minha frase sobre o micromanagement, falava sobre amarelos, faltas que determinam a direção do jogo. Na segunda parte, devia ter havido cinco faltas para o Sporting e quatro para nós, acabou por ser seis para o Sporting e uma para nós. No jogo isso não nos dá a oportunidade de estender a equipa no relvado, respirar e mudar as dinâmicas. Alberto Costa saiu por causa do amarelo ao intervalo, mas o Maxi [Araújo] podia ter visto amarelo logo aos 20 minutos, na falta sobre William. Suárez podia ter visto amarelo, laranja ou vermelho. Sabemos como é e seguimos em frente. Amanhã todos sabem da importância do jogo.” Reafirmando a sua posição, complementou: “Gostava de fechar esse tema. É natural que, com dois Clássicos na mesma semana, haja muito para discutir. Quando falei em ‘micromanagement’, referia-me à forma como os cartões e as faltas moldam o jogo. Na segunda parte, deviam ter sido assinaladas cinco faltas ao Sporting e quatro a nosso favor — acabou por ser seis para eles e apenas uma para nós. Isso condiciona, porque não nos permite alongar a equipa em campo, respirar e alterar dinâmicas”, e ainda “Alberto Costa saiu ao intervalo por causa do amarelo”, mas lembrou que “Maxi [Araújo] podia ter visto cartão aos 20 minutos, pela falta sobre William”. “E o Suárez podia ter levado amarelo, laranja ou vermelho. Sabemos como é, e seguimos em frente. Amanhã todos conhecem a importância do jogo”.
Relativamente às preocupações físicas, a situação de Jan Bednarek, que está no limite após a pancada sofrida em Alvalade, foi abordada: “Vamos treinar esta tarde e vamos ver a condição dele. Ontem [sexta-feira] ele não treinou. É uma situação que está no limite e, se jogar, vai precisar de um bom analgésico, porque a pancada foi forte. O Jan é um jogador que claramente quer fazer parte do jogo, ao nível de aptidão física não há problema, apesar de ter falhado os dois últimos treinos. Mas claro que precisamos de ver se esta confortável e se hoje consegue fazer tudo com a equipa. Depois, nas próximas horas terei de tomar a melhor decisão.” Questionado sobre a defesa, acrescentou: “Vamos treinar hoje e vamos ver se a condição do Bednarek. Ontem, não treinou, por isso será uma situação no limite. Se conseguir estar no jogo, vai precisar, de certeza, de um bom analgésico, porque a pancada foi forte. Quer fazer parte do jogo, mas precisamos de ver se está confortável e vamos tomar decisão nas próximas horas. O Thiago está a recuperar. Nos últimos dias fez as sessões completas, sem limitações. Estamos felizes por tê-lo de volta.” Por outro lado, a recuperação de Thiago Silva, que tem treinado sem limitações, é vista com otimismo: “O Thiago está a recuperar, tem feito todo o treino com a equipa. Está a voltar ao melhor nível e estamos muito felizes por tê-lo de volta.” Concluindo a antevisão, Farioli expressou a sua visão sobre a rivalidade e a importância do jogo: “Estive lá há alguns anos para ver um jogo, conheço a atmosfera. Sabemos o ambiente que lá se vive. Mas somos o FC Porto, vamos a todos os lugares com a mesma valentia. É clara a rivalidade. É o nosso maior rival, mas isso não vai mudar nada. Sabemos o que queremos amanhã.” Acrescentando ainda sobre a intensidade do jogo: “Quanto mais longe estiverem da nossa baliza, melhor. Quanto mais bola tivermos, melhor. E pressionar muito forte. Há momentos em que será necessário defender mais baixo. Schjelderup é bom no um para um, Pavlidis é um jogador que tem um grande impacto, já conta com 27 golos. Rafa Silva é um reforço e depois ainda há quem jogar no lado direito, que será capaz, com certeza. É um jogo em que é importante correr mais e ganhar mais duelos” . Questionado sobre se uma vitória pode afastar o Benfica do título, respondeu: “Não, nenhum resultado vai fechar o capítulo para ninguém. Depois deste será menos um jogo para todos, mas posso dizer por experiência pessoal que, seja qual for o resultado, não fica resolvido. É um jogo importante, mas depois vemos como fica a classificação. Portanto, até existirem pontos por disputar temos de estar a todo o gás. Quanto ao Benfica, a evolução é clara. Mudou várias coisas e a mentalidade mudou. São mais ofensivos do que no início da época. Se olharmos para a segunda mão da Champions no Bernabéu, o tipo de pressão e qualidade com bola foram fantásticas. Espero um jogo muito aberto, entre duas equipas com ambição. O mais importante é como nos preparamos. Acredito totalmente no espírito que vamos levar. Queremos traduzir o nosso trabalho numa boa exibição”.