José Mourinho, técnico do Benfica, destacou-se após o jogo contra o Gil Vicente pela 24.ª jornada da I Liga, não só pela vitória por 2-1, mas também pelas suas declarações controversas sobre a arbitragem. Num primeiro momento, Mourinho expressou a sua indignação durante a flash interview na Sport TV, manifestando o seu descontentamento por um alegado penálti não assinalado a favor da sua equipa.
A reação inicial de Mourinho foi categórica, apontando diretamente para a falha do videoárbitro. “O lance que antecede o nosso golo é penálti, mas o árbitro não viu e eu aceito porque foi rápido, mas o VAR devia estar a beber um cafezinho porque não viu um penálti claro”
, afirmou o treinador. Esta declaração não ficou por aqui, sendo reforçada na conferência de imprensa pós-jogo: “Tenho a sensação clara, vendo à pressa, a situação que antecedeu o canto que deu o nosso golo. Vendo à pressa, parece-me um penálti claríssimo, muito mais claro que aquele que foi apitado ao António Silva contra o Casa Pia, por exemplo. Mas isso já é coisa de VAR, não é coisa de árbitro. Dentro de campo, o jogo é a 200 à hora e deixou andar e jogar”
. Mourinho reconheceu a dificuldade dos árbitros em campo, mas culpou o VAR pela omissão. “Que o árbitro não viu, eu aceito, porque se joga a 200 à hora e os árbitros às vezes não conseguem ver, mas o VAR devia estar a beber um cafezinho naquela altura, porque não viu um penálti claro”
, reiterou, colocando a tónica na importância da intervenção tecnológica em lances cruciais.
Contrariando as suas próprias afirmações iniciais, e num desenvolvimento inusitado, Mourinho fez um pedido de desculpas público após rever o lance em questão. Numa declaração enviada ao Desporto ao Minuto e posteriormente confirmada pelo Record, o técnico admitiu ter mudado de opinião face a novas perspetivas do momento. “Já tive oportunidade de ver outro ângulo do lance que me pareceu penálti e não se confirma. Peço desculpa pelo meu comentário no final do jogo”
, declarou. Este volte-face demonstra uma rara humildade por parte de um treinador conhecido pela sua postura incisiva, sublinhando a complexidade e a subjetividade inerente a certas decisões arbitrais. O lance em questão envolvia um remate de Schjelderup que alegadamente teria sido desviado por Zé Carlos com o braço, embora os novos ângulos tenham dissipado as dúvidas de Mourinho.
Apesar da controvérsia, a vitória do Benfica foi de grande importância na luta pelo título. “Foi uma vitória muito importante, contra uma equipa que neste momento está em 5º lugar, mas que luta pelo 4º. Isso valoriza a nossa vitória num jogo duro”
, salientou Mourinho. A equipa encarnada mantém-se na terceira posição da tabela classificativa com 58 pontos, a quatro do Sporting e a sete do líder FC Porto, num campeonato que se prevê renhido até ao fim. O técnico também abordou as dificuldades encontradas durante a partida, particularmente na segunda parte. “Também foi um acumular de ações: a saída do Aursnes, a entrada do Enzo sem aquecer, o Trubin que tem uma reposição rápida no jogo e eles empatam, mas tudo isso é normal”
, ponderou, aceitando os desafios como parte integrante do futebol.