Racismo no futebol: a celebração de um golo e os insultos a Vinícius

  1. Gomes, o "bibota", marcou 420 golos na carreira
  2. Vinícius foi insultado devido à cor da pele
  3. O protocolo antirracismo foi ativado
  4. José Mourinho criticou Vinícius por "excessos"

Numa fase em que o futebol tenta combater o racismo, surgem mais questões sobre as celebrações dos golos. Fernando Mendes Soares Gomes, carinhosamente conhecido como Gomes, o bibota, afirmava que “marcar um golo é como ter um orgasmo”. Uma frase que, para muitos que cresceram nos anos 80, povoa o imaginário e expressa a pura libertação e alegria que um golo pode representar. Ao longo da sua carreira, Gomes tocou o céu 420 vezes, ao serviço de FC Porto (355), Gijón (16), Sporting (38) e da Seleção Nacional (11). O golo rompe com a tensão de noventa minutos, com o cálculo matemático e com o receio de falhar, consolidando um instante de afirmação para o marcador. Afinal, quem, em miúdo, se oferecia para ir à baliza quando as linhas para mais uma final eram escolhidas na rua ou no recreio da escola? Ninguém. Todos queriam marcar.

A celebração de Vinícius, na derrota do Benfica frente ao Real Madrid na primeira mão do playoff da Liga dos Campeões, reacendeu o debate. Se o contentamento de um jogador é encarado como afronta e os festejos como provocação, que assim seja. Danças como as do brasileiro, junto à bandeirola de canto, incomodam? Azar o dos lesados. Ronaldinho Gaúcho sambou inúmeras vezes após balançar as redes, Lamine Yamal fez o mesmo, e Cristiano Ronaldo não mandou calar os adeptos depois de faturar? Muitos outros o fizeram, até Danny, num Zenit-FC Porto da Champions em 2011, comemorou um golo da equipa russa imitando um cão a urinar. O que se seguiu à celebração de Vinícius foi um confronto com Prestianni, com versões ainda contraditórias sobre o que foi dito, e uma investigação em curso. Sabemos que Vinícius se sentiu insultado devido à cor da pele, que o protocolo antirracismo foi ativado e que a UEFA abriu um processo para apurar os factos. No lugar de Prestianni, se fosse acusado de algo que não fez, a revolta seria imensa, e o desmentido seria feito imediatamente na zona mista. O silêncio nunca seria opção.

Goste-se ou não do estilo de Vinícius, aplaudam-se ou assobiem-se as genialidades, nada pode servir para relativizar o inaceitável. Os insultos racistas que se ouviram nas bancadas da Luz não têm contexto que os explique ou gesto de Vinícius que os justifique. O racismo é, sempre, responsabilidade exclusiva de quem o pratica. Tentar enquadrá-lo como consequência de um festejo alheio é desviar o foco do essencial, transformando a vítima no problema. O racismo é uma vergonha sem mas nem meio mas! José Mourinho deveria refletir sobre esta ideia. As palavras do atual treinador do Benfica, ao deixar reparos à forma como Vinícius vibra em campo, tiveram um efeito boomerang. O Special One, conhecido por episódios provocadores no caminho para vitórias inesquecíveis, de Old Trafford a Camp Nou, e por gestos polémicos com colegas de profissão, a criticar Vinícius por excessos é um contraste irónico. O Benfica, com uma história maior do que qualquer incidente, merece ser honrado com clareza moral, lembrando Eusébio e não invocando-o em vão. O silêncio ou a ambiguidade nunca foram aliados da grandeza dos clubes. Os energúmenos que imitam macacos em espetáculos desportivos devem ser identificados e punidos.

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