Kompany critica Mourinho por "erro enorme" em caso de racismo com Vinícius Jr.

  1. Kompany criticou Mourinho.
  2. Mourinho cometeu um "erro enorme".
  3. A reação de Vini Jr. não pode ser fingida.
  4. Mourinho atacou o caráter de Vini Jr.

Vincent Kompany, treinador do Bayern de Munique, reagiu de forma contundente ao caso de racismo envolvendo Vinícius Jr. e Gianluca Prestianni no jogo Benfica-Real Madrid. O técnico belga criticou abertamente a postura de José Mourinho, treinador do Benfica, alegando que este cometeu um erro enorme ao abordar o incidente. Kompany destacou a autenticidade da reação de Vinícius Jr., afirmando: “A reação do Vini não pode ser fingida”. Ele reforçou que não vê qualquer benefício para o jogador em simular tal angústia, “não encontrar qualquer vantagem para ele em colocar nos ombros do árbitro toda a sua angústia” e que o brasileiro agiu “porque era a coisa certa a fazer”. A sua análise foi além, realçando que mesmo Kylian Mbappé, habitualmente mais diplomático, foi “muito claro sobre o que viu e ouviu”. Kompany defendeu que, se Prestianni proferiu as palavras imputadas, “que peça desculpa, assuma o erro e que isso tenha impacto no castigo que lhe for aplicado”. No entanto, o que mais o indignou foi a reação de Mourinho: “O que aconteceu depois do jogo foi ainda pior”, sublinhou Kompany, que considerou um erro enorme a atitude do técnico do Benfica.

Kompany não poupou críticas à forma como Mourinho tentou descredibilizar Vinícius Jr., usando os seus festejos: “José Mourinho basicamente atacou o caráter do Vini, ao usar os festejos dele para descredibilizar o que aconteceu. Em termos de liderança, é um erro enorme. É algo que não devemos aceitar”. O treinador belga fez um paralelismo com episódios anteriores protagonizados por Mourinho, onde celebrou efusivamente ou confrontou árbitros, questionando se, nessas circunstâncias, se alguém tivesse sido racista com o treinador português, não deveria ser defendido, independentemente das suas ações. Kompany criticou também a menção de Eusébio por Mourinho, usada para justificar que o Benfica não poderia ser racista: “Além disso, ele mencionou o Eusébio. Disse que o Benfica não pode ser racista porque o melhor jogador do clube foi o Eusébio. Ele sabe aquilo que os jogadores negros tiveram de passar nos anos de 1960? Estava lá para acompanhar o Eusébio em todos os jogos fora e para ver o que aconteceu?”. O treinador do Bayern enfatizou que, provavelmente, a única opção de Eusébio na época era permanecer em silêncio e superar-se: “Provavelmente, naquela altura, a única opção que Eusébio tinha era a de ficar calado e ser dez vezes melhor para ter um bocadinho de crédito e ouvir as pessoas dizerem-lhe: 'Realmente, é bom'”.

Apesar das fortes críticas, Kompany salientou nunca ter ouvido ninguém falar negativamente de José Mourinho, reconhecendo-o como uma boa pessoa que luta pela sua equipa. Contudo, mantém a posição de que cometeu um erro, esperando que “não volte a acontecer e que possamos seguir em frente juntos”. Kompany revelou ainda ter sido alvo de racismo no passado, como na Bélgica, onde, após reclamar, foi silenciado pelos políticos e não houve consequências. Ele destacou, no entanto, um momento positivo quando, aos 18 ou 19 anos, com Cheick Tioté, adeptos do Betis fizeram sons de macacos, mas foram vaiados por outros adeptos do mesmo clube, o que considerou “um dos momentos mais belos da minha carreira”, pois “o mundo não é perfeito, mas que há pessoas que não aceitam coisas como aquelas”.