Sindicato dos Jogadores pede tolerância zero ao racismo no futebol

  1. Tolerância zero ao racismo no futebol
  2. Investigação cêlere e justa
  3. Sanções devem ser acompanhadas por educação
  4. Benfica reitera confiança em Prestianni

O presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, defendeu esta quinta-feira uma postura de ‘tolerância zero’ perante os alegados insultos racistas no jogo entre Benfica e Real Madrid, da Liga dos Campeões, pedindo uma investigação cêlere que não ‘diabolize a vítima’.

Em declarações à agência Lusa, Evangelista reagiu ao incidente que envolveu os jogadores Vinicius Júnior e Prestianni, sublinhando que o futebol deve ser implacável no combate a estes fenômenos.

“:‘A posição do sindicato é muito clara: tolerância zero ao racismo, doa a quem doer, sejam jogadores, treinadores, árbitros ou dirigentes’”, afirmou o dirigente, destacando que o desporto não pode ser um ‘escape’ para extremismos políticos e sociais.

Na terça-feira, em partida da primeira mão do playoff de acesso aos oitavos de final da 'Champions', que o Real Madrid venceu por 1-0, o avançado brasileiro Vinicius Júnior, após ter marcado o único golo do jogo, terá sido alegadamente vítima de um insulto racista por parte do argentino Gianluca Prestianni, extremo do Benfica. O árbitro francês François Letexier interrompeu o encontro e acionou o protocolo antirracismo, retomando a ação quase 10 minutos depois.

Após o encontro, Prestianni negou qualquer insulto racista a Vinicius Júnior, enquanto o internacional brasileiro e outros jogadores do Real confirmaram a ofensa por parte do argentino. Para Evangelista, sem outros meios de prova, estamos perante ‘uma afirmação contra a outra’, defendendo o direito de um jogador relatar o que sentiu e o direito do outro à presunção de inocência.

“:O que podemos exigir é uma investigação cêlere, responsável e justa, que apure o que se passou”, frisou, recusando narrativas que tentem desvalorizar o acontecimento com base na forma como a vítima se comporta em campo.

Questionado sobre a eficácia das medidas disciplinares, o dirigente considera que estas são eficazes e têm um efeito dissuasor, elogiando a rapidez da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) na abertura do inquirito. No entanto, ressalva, as sanções devem ser acompanhadas por um trabalho paralelo de educação e cidadania, admitindo que o fenômeno é mais expressivo nos escalões de formação e que o trabalho feito pelas instituições, embora tenha dado ‘passos gigantes’, ainda não é suficiente.

Sobre a possibilidade de proibir os jogadores de taparem a boca com a mão ou a camisola para evitar a leitura labial, Evangelista mostrou-se disponível para a discussão, mas reconheceu a dificuldade de legislar sobre ‘reflexos naturais’ e automatismos dos atletas durante a competição.

O dirigente concluiu que, apesar do contexto social complexo, os jogadores profissionais têm hoje maior respeito mútuo e ‘mais mundo’, sendo muitas vezes os primeiros a mobilizarem-se contra a intolerância. Evangelista admitiu ainda que existem denúncias pontuais entre jogadores, tanto de racismo como de falsas acusações, mas considera que, no futebol profissional, tem havido uma diminuição desses episódios e maior respeito mútuo.

Para o presidente do Sindicato, mais do que agravar penas, é essencial reforçar a formação e a educação cívica. “:Não podemos desvalorizar nem aceitar narrativas que minimizem estes acontecimentos. O desporto, pelo impacto que tem, deve ter ainda menos tolerância”, concluiu.

O Benfica já veio a público reiterar total confiança na versão de Prestianni, que nega os insultos, lamentando o que considera ser uma ‘campanha de difamação’. O clube da Luz garantiu ‘total espírito de colaboração’ com UEFA, que nomeou, entretanto, um Inspetor de Ética e Disciplina para investigar o caso, prevendo-se a audição de ambos os atletas nos pr&fcirc;ximos dias. Prestianni poderá enfrentar uma suspensão mínima de 10 jogos e até uma queixa-crime em Portugal, caso se confirmem os insultos racistas a Vinicius Júnior.

O antigo vice-presidente do clube encarnado José Manuel Capristano criticou a gestão do caso Vinicius Júnior/Prestianni, considerando que este episódio serviu para desviar as atenções de outras questões da partida.

“:Conseguiram, com isto que se est´ a fazer, descambar um jogo. O Benfica é extraordinariamente prejudicado por um árbitro estrangeiro, que vinha 'feito ao bife'. Vinha feito para isto. E que h´ dois jogadores, no mínimo, do Real Madrid, para não dizer três, que deviam ter sido expulsos”, apontou José Manuel Capristano.

“:Ou seja, o Benfica teria mais hip&f3;teses de ganhar o jogo, com menos jogadores do advers´rio, que em Madrid não jogavam. Tudo isto é um cenário muito bem montado, por quem sabe”, continuou.

“:Não h´ nenhuma comunicação social atual, nenhuma, que fale de quão prejudicado o Benfica foi ao longo do jogo, onde o Real Madrid teve duas ou três expulsões perdoadas. Isto é que ninguém fala. É s ; falar do Prestianni, quando ninguém sabe o que ele disse... É uma tristeza, o futebol está podre”, rematou.

Qual é o teu clube?
check_circle
Notícias do ativadas

Mourinho insatisfeito e futuro incerto no Benfica

  1. Mourinho insatisfeito com alguns jogadores após empate com Casa Pia.
  2. Qualificação para Liga dos Campeões em risco, afetando finanças do clube.
  3. Rafa Silva marcou 2 golos em 12 jogos, abaixo do esperado.
  4. António Silva insatisfeito com indefinição sobre o seu futuro.

Vicens confiante antes do duelo entre Braga e Betis

  1. Braga enfrenta Betis nos quartos-de-final da Liga Europa
  2. Carlos Vicens destaca necessidade de personalidade da equipa
  3. Manuel Pellegrini tem trajectória destacada no futebol
  4. Fran Navarro surge como alternativa na ausência de Zalazar

Mourinho critica jogadores do Benfica após empate

  1. Mourinho expressou descontentamento com jogadores após o empate.
  2. Enzo Barrenechea, Sudakov, Lukebakio e Rafa foram visados.
  3. Mourinho: “Tenho de pensar bem em conjunto porque neste momento eu tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores”.
  4. Investimento de 30 milhões em jogadores está em causa.